A maioria dos pacientes internados com Covid-19 no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), unidade referência para tratamento da doença no setor público, não completou o esquema vacinal.
A informação, embora não confirmada oficialmente pelo hospital, por causa do apagão de dados nos sistemas do Ministério da Saúde, foi confirmada pelo Correio do Estado com fontes ligadas ao tratamento dos pacientes.
Desde 1° de janeiro, a unidade já contou com 47 pacientes internados, e 32 deles não tinham recebido nenhuma ou somente a primeira dose contra a Covid-19.
Entre os 32 pacientes sem o esquema vacinal completo internados no hospital, sete deles não receberam dose nenhuma da vacina e outros quatro foram vacinados com apenas uma dose. Por causa do apagão de dados do Ministério da Saúde, 21 pacientes são classificados como “sem sistema, sem informação”.
“Esses 21 que aparecem ‘sem sistema’ praticamente são não vacinados”, informou uma fonte ao Correio do Estado. Dos 47 casos classificados como internados, 21 permaneceram hospitalizados na unidade até a noite de sexta-feira, 15 na enfermaria e seis na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), e 25 receberam alta. Também foi registrado um óbito.
Conforme o infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda, o crescimento de internações e mortes de pessoas não vacinadas é uma tendência da nova onda de infecção causada pela variante Ômicron.
“A maioria dos hospitalizados são pessoas não vacinadas – que não tomaram nenhuma dose contra a Covid-19 – ou que não receberam a segunda dose. Ou, ainda, que não receberam a terceira dose e que seriam mais frágeis, os idosos com muitas comorbidades”, afirmou.
Segundo Croda, a dose de reforço é primordial para prevenir o agravamento da Covid-19. “A própria Organização Mundial da Saúde [OMS] divulgou que 90% das internações são de pessoas que não têm o esquema vacinal completo contra o coronavírus. Essa é a tendência com a Ômicron”, explicou.
ÔMICRON
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou nesta sexta-feira que detectou o primeiro caso da variante Ômicron em Mato Grosso do Sul. Trata-se de uma mulher de 24 anos, moradora do município de Ivinhema.
A jovem, que não viajou para fora do Estado, apresentou os primeiros sintomas no dia 3 de janeiro. Com sintomas leves de tosse, coriza e fraqueza, a mulher não precisou de internação.
Após sentir os sintomas, a jovem realizou o teste RT-PCR em um laboratório de Ivinhema. A amostra para sequenciamento genômico foi enviada para Belo Horizonte (MG), e o resultado foi confirmado nesta sexta para a nova cepa.
O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, explicou que já havia suspeita de que a variante Ômicron estivesse presente em MS.
“O aumento de casos que temos registrado desde o início do ano em Mato Grosso do Sul pode estar associado à variante Ômicron. Por isso, nós pedimos que quem ainda não se vacinou, vacine-se! Conclua o seu esquema vacinal”, reiterou o secretário.
A infectologista Mariana Croda disse que, com a predominância da variante Ômicron no Reino Unido e na África do Sul, foi possível notar que o fator principal para se combater a doença é a vacinação, sobretudo, a imunização completa.
“As pessoas com a dose de reforço tinham muito menos chance de adoecimento do que as que tinham duas doses ou apenas uma dose contra a Covid-19 ou, ainda, a imunidade natural que é adquirida após a doença. A vacina é o que faz o diferencial, quem não tem esse esquema completo tende a ser o grupo de risco neste momento”, afirmou.
CASOS
O boletim epidemiológico divulgado nesta sexta-feira pela SES registrou mais 854 casos positivos para a Covid-19, além de três óbitos no Estado. De acordo com a secretaria, nos primeiros 14 dias deste ano, o Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso do Sul (Lacen-MS) já realizou a análise de 9.239 exames RT-PCR no Estado, sendo 2.152 detectáveis para Covid-19.
Reflexo do recente avanço da doença, a taxa de casos positivos neste período ficou em 23,29%. Apenas na sexta-feira, de 1.288 resultados liberados, 426 foram positivos para o coronavírus, o que elevou a taxa para 33%.
Para se ter ideia do avanço da pandemia em MS, durante todo o mês de dezembro, 6.367 exames RT-PCR foram realizados no Lacen-MS, sendo 609 positivos, uma taxa de 9,5%. Conforme a SES, é possível notar um aumento consecutivo no número de pessoas com Covid-19 no Estado.
No dia 5, foram analisados 735 exames, sendo 102 positivos, índice de 13,87%. No dia 8, foram feitos 1.093 exames, sendo 20% positivos para a doença.