A maioria da população ouvida por pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), a pedido do Correio do Estado, mostrou-se a favor da cobrança de um passaporte sanitário da Covid-19, ou passaporte da vacina, em Mato Grosso do Sul.
Dos entrevistados, 58,71% disseram ser favoráveis e 32,59% se disseram indiferentes à medida. Ontem, porém, o secretário de Infraestrutura do governo, Eduardo Riedel, que também é presidente do Programa de Saúde e Segurança na Economia (Prosseguir), afirmou que o Estado não deverá tomar nenhuma medida restritiva.
Foram entrevistadas 402 pessoas, das quais 50% são de Campo Grande e a outra metade do interior de Mato Grosso do Sul, nas cidades de: Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã, Corumbá, Naviraí, Aquidauana, Nova Andradina, Sidrolândia, Paranaíba, Maracaju, Coxim, Amambai, Rio Brilhante e São Gabriel do Oeste.
As entrevistas foram feitas entre os dias 13 e 15 de janeiro de 2022. O método utilizado é a amostragem aleatória simples. Houve cotas de cidade, sexo e idade. A margem de erro considerada para essa pesquisa é de 4,9 pontos porcentuais, para mais ou para menos. O intervalo de confiança é de 95%.
No recorte por município, dos entrevistados em Campo Grande, o porcentual das pessoas favoráveis à exigência do comprovante de vacina é ainda maior que o recorte estadual.
Conforme a pesquisa, 65,17% dos campo-grandenses se disseram a favor da medida. No interior, o porcentual ficou em 52,24%.
No caso das pessoas que se disseram indiferentes à aplicação da medida, no recorte por moradia, 26,87% dos moradores da Capital escolheram esta alternativa, contra 38,31% do interior.
Os contrários à medida são a minoria dos entrevistados para a pesquisa. Os dados mostram que apenas 8,71% da população é de fato contrária à implantação do passaporte. Nesta categoria, 7,96% dos ouvidos em Campo Grande disseram não concordar com o passaporte, enquanto no interior foram 9,45%.
Entre as pessoas que concordam com a exigência do documento está Laise Ferreira Vargas, 28 anos, que está grávida de 22 semanas. Ontem, ela foi até a Seleta para tomar a segunda dose da vacina.
“Eu tomei a primeira dose da AstraZeneca, hoje [quarta-feira], tomei a da Pfizer, estou feliz em estar me imunizando. Eu sou a favor do passaporte da vacina, acho que a medida incentivaria as pessoas a se vacinarem, isso daria mais segurança a todos”, disse.
ADOÇÃO
Em Mato Grosso do Sul, duas cidades já implantaram o passaporte da vacina. A primeira foi Chapadão do Sul, que aderiu a medida em agosto de 2021. No local, há exigência de ao menos uma dose para acesso a eventos, restaurantes, shows, academia e espaços de uso comum.
A segunda cidade a adotar o instrumento foi Nova Andradina, em novembro do ano passado.
A medida pede vacina para entrar em estabelecimentos comerciais e locais de uso coletivo, como academias, piscinas, estádios esportivos, teatros, salões de jogos, circos, shows e eventos de confraternizações, feiras e parques de diversões, entre outros.
Na Capital, o prefeito Marcos Trad (PSD) afirmou na semana passada que a medida não seria adotada, e, ontem, em coletiva de imprensa sobre a pandemia de Covid-19, o secretário Eduardo Riedel reafirmou que o passaporte segue deixado de lado em Mato Grosso do Sul.
Conforme o secretário e presidente do Prosseguir, não há possibilidade de o governo estadual impor medidas de restrições mais duras, mesmo com o aumento de casos de Covid-19 e influenza A, do subtipo H3N2.
O gestor afirmou que o monitoramento de casos é feito diariamente e, por conta do avanço da vacinação e sua ação de minimizar os efeitos da doença em quem a contrai, não é necessária a adoção de regras de biossegurança mais severas.
“Não está, no momento, prevista nenhum tipo de medida restritiva. Nós temos mantido a nossa capacidade de atendimento à saúde, sempre foi a maior preocupação durante a pandemia que pessoas tivessem acesso a uma condição, caso necessário fosse. Nós vamos continuar monitorando e conversando com a sociedade, no momento, isso não está previsto”, declarou Riedel em entrevista.
Ainda segundo o secretário, apesar do aumento da ocupação de leitos para Covid-19 em Mato Grosso do Sul, o número ainda não seria alarmante. A internação no Estado saltou de 43 pessoas no dia 31 de dezembro de 2021 para 204 ontem. Desse total, 60 estão em unidades de terapia intensiva (UTIs) e 144 em leitos clínicos.
“Um ponto que nos chama a atenção é a ocupação de leitos de UTI em Mato Grosso do Sul, nós vivemos um novo momento. A vacinação avançou muito bem em Mato Grosso do Sul, e isso faz toda a diferença para que nesse novo momento, com o avanço da Ômicron, a gente tenha a não ocupação de uma maneira tão agressiva nos leitos hospitalares”, disse o presidente do Prosseguir.
Entretanto, Riedel garante que se a situação se assemelhar àquela que aconteceu antes da vacinação, o governo repassará à sociedade as medidas que serão impostas, e ele garante que o sistema de saúde está preparado para receber e atender os pacientes que necessitarem.
“Nós estamos preparados para tomar, de maneira ágil, qualquer decisão que venha proteger a nossa população e evitar dano coletivo e a proteção da atividade econômica”, pontua.