Centenas de professores se reuniram, na manhã desta quarta-feira (2), em frente a Secretaria Estadual de Educação (SED) em protesto pedindo por reajuste no percentual do piso nacional e equiparação salarial entre concursados e convocados.
O grupo reivindicava uma reunião com a secretária de Educação, Maria Cecília Amendola da Motta, ou com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para debater sobre os pedidos.
Segundo a Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) o salário entre professores convocados e efetivos está defasado em aproximadamente 47,7%, sendo que os profissionais fazem o mesmo serviço.
Além disso, eles pedem o reajuste do piso nacional, que teve aumento de 33,23%, anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro no dia 26 de janeiro.
A professora de língua portuguesa Katiane Varela é concursada e também convocada e participa do protesto pela equiparação salarial, já que, segundo ela, as chances de concurso são remotas.
"Eu sou efetiva, concursada meio período, então na mesma escola no período da manhã eu ganho um salário e a tarde eu ganho metade do salário", explicou.
"A classe de professores é dívida entre professores efetivos e convocados. Então diversas vezes acontece do mesmo profissional ter dois salários diferentes trabalhando no mesmo lugar, tendo em vista que possui apenas um concurso de 20 horas", acrescentou.
"Aqui estamos buscando igualdade salarial porque todo mundo tem a mesma formação, então não é justo alguém que não tenha conseguido passar no concurso receba diferente", finalizou a professora.
Ana Maria Soares também é docente de língua portuguesa e alegou ser injusta a diferença salarial.
"Precisa de mais investimentos na educação e diminuir o salário do professor é muito prejudicial para a sociedade, porque além de injusto, afeta a paz na categoria e também desvaloriza o profissional", afirmou.
O pedagogo Éric Wiseley Aspérrimo Cosmo disse que o principal motivo que o levou a protestar é a "falta de respeito que o governo tem pela educação".
"A nossa educação é muitos desvalorizada. A gente quer ação social na escola, psicólogo na escola, queremos Melhoria da sala de aula. O professor precisa ter uma assistência, as famílias também, os alunos também", disse.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wilson Gimenes, afirmou que esta mobilização é a primeira de várias que ainda irão acontecer.
"A diferença salarial e grosseira, quase 50%, sendo que fazem a mesma função. O que a gente quer é dar recado para todos que é um ano eleitoral. Os deputados que votaram nessa diferença salarial, é hora de tirar eles nesse ano eleitoral. Chega desses falsos representantes dos trabalhadores", disse.
O presidente da Fetems, Jaime Teixeira, se reuniu na secretaria enquanto os profissionais permanecem em protesto. Não há ainda definição se as pautas serão atendidas ou qual a proposta da SED.
Piso nacional
O presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou, no dia 26 de janeiro, reajuste de 33,24% no piso salarial dos professores da educação básica.
A lei atual vincula o reajuste dos ganhos mínimos dos professores à variação do valor por aluno anual do Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação básica.
Com base nesse critério, vigente desde 2008, o reajuste para 2022 fica em 33,2% –passando dos atuais R$ 2.886,24 para R$ 3.845,34.
Para a Confederação Nacional de Municípios (CNM), a decisão deve provocar um impacto de R$ 35 bilhões nos cofres municipais e estaduais responsáveis pela folha de pagamento de cerca de 1,7 milhão de docentes no País.
Em Mato Grosso do Sul, prefeitos avaliam que a decisão pode comprometer o teto de gastos.
Questionado sobre o reajuste, o governo estadual afirmou, em nota, que a “Secretaria de Estado de Educação [SED] aguarda a publicação da medida provisória para avaliação e posterior manifestação”.