Custo alto, prazo de validade para agosto, distribuição no Sistema Único de Saúde (SUS) e restrições da AstraZeneca fizeram com que as clínicas particulares de Mato Grosso do Sul não aderissem à compra da vacina contra a Covid-19, liberada no fim de abril.
As vendas de imunizantes para instituições particulares só foram viabilizadas após o fim do Estado de Emergência Sanitária, assinado pelo ministro da saúde, Marcelo Queiroga, no dia 22 de abril.
A única vacina disponível para a compra atualmente é a AstraZeneca. Segundo a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), nenhuma outra fabricante sinalizou disponibilidade das doses para o setor privado.
Em Campo Grande, a clínica Imunitá não vai comprar as doses de vacina contra a Covid-19, pelo menos por enquanto. Segundo o proprietário do estabelecimento, Alberto Costa, os custos são altos e as redes de vacinação precisam de multidoses para atender a todos os interessados. Além disso, a AstraZeneca tem uma série de restrições que devem ser obedecidas.
De acordo com a ABCVAC, as diretrizes de aplicação das doses dos imunizantes no setor privado deverão obedecer às diretrizes preconizadas pelo Ministério da Saúde e órgãos competentes.
A Vaccini é outra grande rede que não tem interesse, no momento, em comprar as doses da AstraZeneca. Segundo a médica responsável pela instituição, Ana Carolina Nasser, o estabelecimento entende que o Ministério da Saúde está no controle da pandemia atualmente. Além disso, eles ainda não têm o controle dos dados de vacinação da população e o acesso ao sistema. Mesmo com a nova opção, as clínicas deverão registrar as aplicações das doses no programa de informações do governo federal, o ConectSUS, como já acontece com outras vacinas.
Entretanto, a médica vê uma possível disponibilidade em breve. “A liberação é extremamente válida, pois em um futuro próximo, assim como qualquer outra vacina, a rede privada será um apoio para rede pública e os pacientes vão poder escolher em qual serviço vão se vacinar”, comentou.
“Como é uma vacina disponível na rede pública, a procura está pequena. E é um imunizante que tem suas restrições, não podemos, por exemplo, aplicar em gestante, e é um pouco mais reatogênica que as outras. E é o panorama da maioria das clínicas particulares do País, pelo que temos acompanhado nos últimos dias”, acrescentou Alberto Costa, da Imunitá.
Ao Correio do Estado, a Unimed Campo Grande informou que não vai adquirir as doses particulares. Por meio de nota, a empresa diz que todas as vacinas contra a Covid-19 ministradas pela instituição foram fornecidas pela Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) e que seguirão o plano disponibilizado pelo município.
VALORES
Conforme a ABCVAC, o preço de venda da vacina na fábrica chega aos R$ 151, valor definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed). Para o consumidor, o preço da dose deve variar entre R$ 300 e R$ 350, aponta a ABCVAC. No entanto, o Correio do Estado levantou que alguns locais anunciaram a vacina por R$ 289.
A negociação deve ser realizada entre a clínica interessada e a fabricante do imunizante, de forma direta, sem a intervenção da associação.
PROCURA
No Estado, haverá disponibilidade de vacinas contra o coronavírus na rede particular nas cidades de Campo Grande e Dourados. A aplicação das doses em domicílio será feita aos interessados por meio de clínicas parceiras da empresa Vacina.net.
Conforme pesquisa da instituição privada, 62% das pessoas têm vontade de se vacinar contra a Covid-19 nas clínicas particulares. Os principais interessados estão na faixa etária de 26 a 44 anos.
No entanto, esta faixa etária ainda terá de aguardar, pois as clínicas seguirão as diretrizes do Ministério da Saúde, que ainda não prevê aplicação da quarta dose para pessoas abaixo dos 50 anos.
No Brasil, apenas São Paulo e Belo Horizonte já começaram a aplicar as doses em clínicas particulares. A ABCVAC informou que não tem dados a respeito de disponibilidade em outras capitais.
Vacinação na rede particular - Veja as regras para tomar doses da AstraZeneca fora do SUS
1 - As doses não serão disponibilizadas em livre demanda. Ou seja, atenderão às mesmas diretrizes do Ministério da Saúde, que rege o Sistema Único de Saúde (SUS).
2 - Pessoas acima de 18 anos estão aptas a tomar as primeiras e as segundas doses. A terceira dose está disponível para todos acima de 18 anos, após quatro meses da segunda dose da vacina, independentemente do esquema primário.
3 - A quarta dose está seguindo o Programa Nacional de Imunização (PNI) e apenas pessoas acima de 50 anos podem ser imunizadas ou aqueles que estão nos grupos prioritários.
4 - Grávidas, puérperas, crianças e adolescentes não estão previstos na vacinação em clínicas particulares, por conta das contraindicações da AstraZeneca.