Com o intuito de multiplicar a oferta de vacinas - principalmente nos países mais pobres - e desenvolver novas estratégias de imunização, o Instituto Sabin de vacinas e a Fiocruz do Mato Grosso do Sul divulgaram uma pesquisa que irá avaliar a possibilidade de fracionar as doses de imunizante aplicadas contra a Covid-19. Através dela, poderemos descobrir se doses menores são capazes de oferecer a mesma resposta imunológica enquanto diminui as reações adversas.
A Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) investiu US$ 6,3 milhões - o equivalente a R$32,7 milhões de reais - nos institutos para a realização do estudo.
A vice-presidente de Epidemiologia Aplicada do Instituto Sabin de vacinas Denise Garrett explica que “No desenvolvimento das vacinas, a dose é determinada logo nos estágios iniciais, equilibrando-se a eficácia com os possíveis efeitos colaterais, até chegar a uma dose eficaz com mínimo possível de efeitos colaterais (...) Com a pandemia, houve uma pressão muito grande por um imunizante que fosse eficaz. Estávamos numa situação em que não poderíamos correr o risco de falhar. Mas estamos num momento agora em que temos a oportunidade de otimizar essa dose.”
Dois países foram escolhidos para servir como base de pesquisa: Brasil e Paquistão. A escolha foi feita baseada em vacinas que estavam sendo aplicadas nos locais, disponibilidade de pacientes que ainda não possuem dose de reforço e possibilidade de parcerias no campo científico.
Em Campo Grande, a parceria foi fechada com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e com a Secretaria Municipal de Saúde.
A Pesquisa
O objetivo é imunizar 1.440 pessoas durante o período, com as vacinas: Pfizer (dose cheia, metade ou um terço), AstraZeneca (dose cheia ou meia dose) e CoronaVac (dose cheia).
Para a imunização, os pesquisadores, com auxílio de agentes comunitários, irão identificar e abordar pessoas que ainda não tomaram dose de reforço, principalmente aquelas que residem em áreas com menor cobertura vacinal.
O processo terá 4 etapas, a primeira é chamada de "inclusão'', momento em que a pessoa recebe as informações, adere à pesquisa, tem o sangue coletado e recebe a dose de reforço; 28 dias, três meses e seis meses depois o processo se repete. A equipe também disponibilizará atendimento médico caso o indivíduo contraia o vírus durante o período.
Julio Croda, pesquisador da Fiocruz Mato Grosso do Sul, explica que o estudo será feito de forma cega: "a maioria da equipe não saberá qual a vacina aplicada. E haverá uma unidade móvel no bairro com médico, enfermeiro e farmacêutica que vai fazer a manipulação da vacina, para estar próximo do paciente se ele tiver qualquer necessidade”