O conhecimento gerado em Mato Grosso do Sul nos últimos seis anos para preservar as onças-pintadas do Pantanal será levado para outros biomas brasileiros a partir deste mês de julho.
O projeto Felinos Pantaneiros, que atua desde 2016 em fazendas pantaneiras e em áreas de preservação ambiental da Serra do Amolar, também vai monitorar e acompanhar as onças-pintadas dos biomas da Caatinga e da Amazônia.
Desde que foi implantado nas fazendas e nos parques da Rede Amolar, área de 302,9 mil hectares que conta com a atuação do Instituto do Homem Pantaneiro (IHP) em ações de proteção, o projeto Felinos Pantaneiros levou à comunidade ribeirinha, aos produtores rurais e aos frequentadores da região ações de manejo que minimizam os problemas causados pela predação de gado por grandes felinos, além da predação de lavoura por porcos silvestres.
“Nosso objetivo é assegurar as melhores práticas e harmonizar a atuação dos setores da produção e da conservação”, explica o diretor-presidente do IHP, coronel Ângelo Rabelo.
Atualmente, além dos 302 mil hectares, o projeto Felino Pantaneiros também atua na fazenda BRPec, propriedade de 132 mil hectares no Pantanal de Miranda.
Lá, as ações de preservação consistem na distribuição de refletores que inibem a aproximação das onças-pintadas em cães de guarda das fazendas e também na instalação de cercas elétricas na fazenda, além, claro, da conscientização de trabalhadores rurais, gerentes das propriedades, entre outros integrantes da cadeia produtiva.
“Por causa das nossas ações em parceria com o ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade] e com o Cenap [Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos] vamos, no dia 28, atuar em um projeto na Serra da Capivara, na Caatinga, e também na Reserva Biológica do Gurupi, no Maranhão, já no Bioma Amazônico”, explica o médico-veterinário Diego Viana, que coordenada o projeto Felinos Pantaneiros, do IHP.
Nesses biomas, Diego e seus colegas veterinários do IHP atuarão na captura das onças e no acompanhamento de seus passos, seja por meio de rastreadores, seja por monitoramento visual.
Atualmente na Serra do Amolar, o IHP monitora duas onças-pintadas, o Guató e a Jou Jou. Esta última socorrida durante os incêndios de 2020.
Na Caatinga e na Amazônia, Diego Viana certamente atuará com felinos menores que os que vivem no Pantanal, até porque os que vivem aqui em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são maiores, com 150 quilos em média para os machos, que são maiores, enquanto as onças da Caatinga, pesam em média 80 quilos (exemplares machos).
CONVÍVIO
Diego Viana conta que depois que o diálogo com produtores rurais e comunidades ribeirinhas foi acentuado por meio do projeto Felinos Pantaneiros, a convivência com os felinos melhorou.
“Muitos mitos de que as onças preferem bezerros ou atacam animais domésticos por preferência caíram. Estes felinos sempre preferem os animais silvestres. É deles que eles se alimentam. E também muito raramente atacam humanos, a não ser em uma situação de defesa”, explica Viana, que acrescenta que o objetivo é acabar com notícias falsas, que só prejudicam as onças-pintadas.
“Há muitas notícias falsas. Dias atrás, nos disseram que uma onça atacou e matou uma família. Era mentira, até porque, em um caso desse, somos nós que fazemos o atendimento. Notícias como essa criam uma situação de alerta desnecessária na população”, disse.
PARCERIAS
No Pantanal de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, para o monitoramento das onças-pintadas, o IHP utiliza recursos da iniciativa privada para proteger os felinos da região.
Existem parcerias com a fazenda BRPec, propriedade do grupo BTG Pactual, e também, mais recentemente, com a General Motors, que está ajudando o projeto Felinos Pantaneiros financeiramente e também com apoio logístico.
Por causa da atuação dos veterinários, dos biólogos e dos ambientalistas do IHP e outros parceiros na preservação das onças, a presença do felino – que continua classificado como espécie ameaçada pelo Ministério do Meio Ambiente – permanece estável na região.
Na Serra do Amolar, que é um dos locais de forte atuação do projeto Felinos Pantaneiros, a densidade da onça-pintada é de 8,3 animais por 100 km², a segunda maior das Américas e, consequentemente, a segunda maior do mundo, uma vez que este felino, o jaguar ou a onça-pintada, é exclusivo dos três continentes ocidentais.
A região com maior densidade é Porto Jofre (MT), que também é acompanhada pelo IHP.
A estimativa mais recente – que é de cinco anos atrás – é de que 5 mil onças-pintadas habitam o Pantanal.
SAIBA
Em primeiro lugar, não saia correndo, porque a onça é mais rápida que você, e também não tente subir em uma árvore ou sair nadando, a onça é uma excelente nadadora e é um dos animais mais ágeis para subir em árvores. O recomendado é que o humano permaneça em pé, olhando a onça nos olhos, até que um dos dois se afaste lentamente.