Cidades

RECORDE NEGATIVO

Amazônia tem, de novo, mais de 8 mil km² de florestas derrubadas pelo desmatamento

Marca é o 3.º pior índice desde 2015, sendo que os outros dois piores também foram durante governo Bolsonaro

O desmatamento na Amazônia segue sua rota em 2022. Entre agosto do ano passado e julho deste ano, 8.590 km² de devastação da floresta foram registrados pelo Deter, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que mede o impacto em tempo real. 

Este é o terceiro índice mais alto da série histórica iniciada em 2015, todos ocorreram durante o governo de Jair Bolsonaro, cuja gestão na área ambiental é criticada no Brasil e no exterior por desmontar os órgãos de combate e fiscalização, sucessivos recordes negativos de desmate e ilegalidades como o garimpo clandestino.

Para se ter uma ideia do que representa o novo dado para a região, considerando-se apenas julho, foram 1.487 km² de vegetação suprimida, área equivalente à da cidade de São Paulo. O índice é similar ao registrado no ano passado (1.498 km²). 

Se o recorte for somente o primeiro semestre deste ano, o resultado não é mais animador. Foram 3.988 Km² de floresta que tombaram, o maior já registrado para esse período na Amazônia.

Os dados deste ano (8.590 km²) ficam pouco atrás dos de 2021, quando foram registrados 8.780 km² de desmatamento. Ainda assim, uma queda pouco expressiva. O sistema Deter foi criado em 2004 e seu objetivo é detectar o desmate enquanto ele acontece para orientar a fiscalização do Ibama. 

Os dados finais do desmatamento são observados por outro sistema do Inpe, o Prodes, mais acurado que o Deter, mas cujas estimativas só são divulgadas no fim do ano.

BR-319

De acordo com ambientalistas e especialistas, não apenas o desmonte dos órgãos de controle contribuem para mais um ano com valores elevados de desmate da Amazônia. 

A expectativa de asfaltamento da BR-319, rodovia que corta a maior porção intacta da floresta, acelerou esse processo. A pavimentação contrariou pareceres técnicos do próprio governo federal.

Outro problema, este apontado pelo MapBiomas: segundo dados da plataforma que reúne universidades, organizações ambientais e empresas de tecnologia, apenas 2,4% dos alertas de desmatamento emitidos pelos satélites corresponderam a uma ação em campo de autuação ou embargo de propriedade pelos órgãos ambientais federais de 2019 a 2021

Neste ano, pela primeira vez, o Estado do Amazonas passou Mato Grosso e assumiu o posto de segundo mais desmatado na Amazônia Legal. O Pará segue na liderança. Ao todo, foram 3.072 km² de alertas de desmatamento no Pará, 2.292 no Amazonas e 1.433 em Mato Grosso. Os municípios de Lábrea (AM) e Apuí (AM) ocupam as duas primeiras posições em alertas na região.

Anos eleitorais trazem um componente a mais de perigo para biomas já ameaçados, como o Estadão mostrou nesta semana. Especialistas apontam que, em anos de eleições, as ações de fiscalização e combate à ilegalidade podem sofrer um afrouxamento. 

Estudo sobre os impactos desse processo na Mata Atlântica mostram que o desmatamento é maior em Estados em anos de eleições federais e estaduais, quando há alinhamento estadual-federal. Ou seja, isso costuma ocorrer nas situações em que o partido do governador pertence à coligação presidencial em exercício.

Procurados, o Ministério do Meio Ambiente e o gabinete da Vice-Presidência da República, responsável pela coordenação do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL), ainda não se manifestaram.

 

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