Cidades

CAMPO GRANDE

Furtos de tampas de bueiros prejudicam a população

Subtração das bocas de lobo tem sido motivo de acidentes em Campo Grande; Secretaria de Infraestrutura diz que não há como lacrar grelhas para impedir roubo

Quem anda pela cidade já se deparou, mais de uma vez, com bueiros abertos. Agora, além dos furtos gerais, como os de fios de cobre – conforme publicado pelo Correio do Estado –, os subtratores estão ainda mais interessados nas grelhas das bocas de lobo.  

Na busca por materiais rentáveis, nem os guard rail localizados no entorno da Avenida Ernesto Geisel foram poupados. A ausência dos materiais nos locais de origem, além de ocasionar risco à saúde da população, pode causar acidentes.  

Foi o que aconteceu com o ciclista José Valmir de Pinho, de 62 anos, que morreu na madrugada do último domingo do mês de julho (31), após cair com a bicicleta em bueiro aberto na Avenida Ernesto Geisel com a Afonso Pena.  

Conforme apurado pelo Correio do Estado, a capital sul-mato-grossense conta com 80 mil bocas de lobo, espalhadas por todas as regiões da cidade. Em média, 100 tampas de bueiros são furtadas mensalmente em Campo Grande. O problema é antigo e parece não ter solução.

O secretário Rudi Fiorese, da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), informou que as grelhas das bocas de lobo não podem ser lacradas, como foi feito com as grades no entorno das árvores na Rua 14 de julho, para dificultar os furtos porque precisam ser de fácil acesso para as equipes de manutenção e limpeza.

“Ela [grelha da boca de lobo] não é solta, é fixada só de um lado, como uma dobradiça, o outro lado levanta para fazerem a limpeza”, comentou. De acordo com Fiorese, as tampas são feitas de ferro fundido, matéria-prima visada pelos ferros-velhos da cidade. Assim como os guard rail, feitos de tubo de aço.

“Não sei como eles quebram as grelhas, acho que com marreta. Quebraram os tubos de aço da avenida, na parte que está em obra. O caso de roubos e furtos é complicado. Eles vendem o material a preço de ferro-velho”, pontuou.

Para o titular da Sisep, a substituição do material utilizado nas tampas dos bueiros é inviável, em função do número de bocas de lobo na cidade.

RECEPTAÇÃO

Em maio, o titular da Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social (Sesdes) de Campo Grande, Valério Azambuja, evidenciou em entrevista ao Correio do Estado que o problema dos furtos se mantém justamente porque estabelecimentos legais e ilegais fazem a receptação dos bens públicos subtraídos.

“Identificamos mais de 115 locais de comércio de ferro-velho legalizados em Campo Grande e outros tantos ilegais. Estamos trabalhando para fazer uma regulamentação da pena pecuniária, começando já em R$ 20 mil, e ele só vai poder continuar funcionando se recolher para o município”.

O secretário acrescentou que comércios poderão ficar fechados de 10 dias a 60 dias, podendo até perderem o alvará de funcionamento, em caso de descumprimento e compra dos materiais.

Rudi Fiorese salientou que a polícia tem intensificado as fiscalizações, mas afirmou que o tema é complexo.

TAMPAS DE ESGOTO

Além do furto de fios de cobre, guard rail e bocas de lobo, a Capital também sofre com a subtração das tampas de bueiros. Em resposta ao Correio do Estado, a Águas Guariroba revelou que, de 2021 até o dia 1º, foram substituídos 446 tampões.

De acordo com a empresa, o custo para troca foi de R$ 305 mil. A quantia já inclui o gasto operacional com a mão de obra.

POLÍCIA

A assessoria da Polícia Civil revelou que a prática de furtos de grelhas das bocas de lobo sempre ocorreu e que não pode ser considerada uma tendência, apesar dos números.

“É mais um crime pontual contra o patrimônio púbico do que uma onda de crimes. A Polícia Civil realiza operações e verifica ferros-velhos. Em casos onde há constatação de receptação de bueiros e fios de cobre, os responsáveis são indiciados”, pontuou.  

O departamento ressaltou não haver nenhum registro da companhia de águas sobre esse tipo de furto. “Não há como investigar um crime se não se tem conhecimento do mesmo”, finalizou.

SAIBA

Em maio, foram apreendidos na Capital 976 quilos de fios, cabos e demais materiais de cobre furtados para venda ilegal do metal. Ao todo, 16 pessoas foram conduzidas para delegacias e seis mandados de prisão foram cumpridos.

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