Na manhã desta quarta-feira (12), a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por intermédio da 2ª Delegacia de Polícia de Ponta Porã, deflagrou a "Operação 4º Eixo", que tem como objetivo combater fraudes no Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS).
Os nove mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário foram cumpridos em Campo Grande, Dourados e Ponta Porã.
Divulgação: Polícia CivilEntre os investigados está o ex-diretor do Dentran de Ponta Porã, Renato de Oliveira Saad, que foi preso em flagrante por posse de munição de uso restrito. Além de Saad, também são alvos da investigação três despachantes.
Em Dourados foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Em um dos endereços, foram apreendidos diversos armamentos e documentos, mas não houve prisão em flagrante porque o proprietário do armamento não foi encontrado no local. Segundo a Polícia Civil, há suspeita de que o armamento seja ilegal, e o material apreendido ainda será investigado.
Já em Campo Grande, foi cumprido apenas um mandado de busca e apreensão, e diversos documentos que devem auxiliar nas investigações foram apreendidos.
A investigação teve início há cerca de dois anos, quando a Corregedoria de Trânsito do Detran-MS começou a notar os primeiros indícios de irregularidade, após suspeita de inserção de dados no sistema do Detran, em que os investigados tentavam dar um ar de legalidade ao documento do veículo que realizava modificação ilegal, em especial nos casos de inclusão do 4ª eixo nas carretas
Quando constatada a prática criminosa, todo o material coletado foi encaminhado à Polícia Judiciária, que abriu inquérito policial.
"Até o começo de 2022 não era permitido o acréscimo de 4ª eixo, e por isso os proprietários de caminhão modificavam a carreta, com intuito de aumentar a quantidade de carga, e faziam a modificação na documentação do veículo, inserindo no local de observação a modificação de 3º eixo para 4ª eixo, mas tudo de forma ilegal, sem realizar vistoria ou qualquer outro tipo de procedimento", explicou a delegada Elisangela Ferreira Cristaldo, titular da 2ª DP de Ponta Porã.
Após 2022, com a mudança legislativa, ainda ocorreram inserções ilegais no sistema do Detran, mas agora eram feitas as modificações nos documentos para 4º eixo sem realizar o processo para a modificação, que deveria ser vistoriado pelo órgão e ter assinatura de um engenheiro, além de outros procedimentos para assegurar a segurança do veículo.
Em nota, o Detran-MS reforçou que as ações da Polícia Civil nesta manhã são um desdobramento do trabalho iniciado pela Corregedoria de Trânsito do Detran-MS, e que os alvos já tiveram pedido de afastamento determinados pela justiça.
O diretor-presidente do órgão, Rudel Trindade, reafirmou que não compactua com as irregularidades praticadas pelos servidores, e que os envolvidos devem ser "punidos com o rigor da lei".
Confira nota completa:
Sobre a operação realizada nesta quarta-feira (12) pela Polícia Civil, o Detran-MS (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul) informa que é mais um desdobramento do Trabalho iniciado pela Corregedoria de Trânsito do Detran-MS e posteriormente repassado a Polícia Civil.
Neste caso, a base em Ponta Porã, e alvos em Campo Grande e Dourados, a operação cumpre mandados de busca e apreensão e pedidos de afastamento determinados pela justiça.
A investigação foi iniciada há cerca de dois anos pela Corregedoria. E assim que surgiram os primeiros indícios de irregularidade e constatada a prática criminosa, todo o material coletado foi encaminhado ao órgão competente, no caso a Polícia Judiciária, que abriu inquérito policial.
Mais uma vez o Diretor-Presidente do Detran-MS, Rudel Trindade, reafirma que não compactua com nenhum tipo de irregularidade praticada por servidores do órgão ou agente externo, e que os envolvidos devem ser punidos com o rigor da lei. Quanto aos servidores ativos do Departamento Estadual de Trânsito, além de responderem pelos atos no âmbito da investigação da Polícia Civil, serão submetidos a procedimentos administrativos.
A operação foi coordenada pela 2ª Delegacia de Polícia de Ponta Porã, com o apoio da Delegacia Regional de Ponta Porã, DRACCO (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), DEFRON Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira, 1ª Delegacia de Ponta Porã, Delegacia da Mulher de Ponta Porã, Delegacia de Polícia de Aral Moreira, 2ª Delegacia de Polícia de Dourados -MS e Perícia Criminal.