Menos de 24 horas depois de os estragos terem sido reparados, a chuva da tarde desta sexta-feira (22) reabriu as creteras no cruzamento da Rua Urupês com a Estrada EW1, no Jardim Noroeste, região leste de Campo Grande.
Na quarta-feira, em decorrência da chuva de cerca de 45 milímetros que caiu em pouco mais de uma hora, crateras surgiram neste cruzamento, deixando o local intransitável. No dia seguinte, porém, máquinas remanejadas pela prefeitura fecharam as crateras e restabeleceram o tráfego.
No começo da tarde desta sexta-feira, contudo, a chuva voltou a cair com força na mesma região da cidade e as voçorocas reapareceram, novamente deixando à mostra as manilhas para captação da água da chuva que foram enterradas ao longo de toda a Rua Urupês.
O problema é que as obras de drenagem estão inacabadas e enquanto isso as enxurradas literalmente acabam com essa e várias outras ruas do Noroeste, que também estão interditadas em alguns trechos.
Mas, ao contrário de anos anteriores, quando a terra era levada para as partes mais baixas ou até o córrego Pedregulho, agora a água e a areia estão sendo direcionados para um “piscinão” que o poder público abriu no fim da Rua Urupês.
Com essa medida, a enxurrada não chega mais à Estrada EW2, pela qual passam centenas de veículos diariamente indo ou voltado de das chácaras da região. No começo deste ano esta via chegou a ficar intransitável por contra de voçoroca que engoliu um trecho da estrada.
"Piscinão" para conter enxurrada virou local para diversão de crianças e moradores temem que contraiam doenças ou que se afoguem no localO problema, segundo Marinês Silvestini Maciel, que há 30 anos mora na região, é que esse “piscinão” de água barrenta virou local de diversão para a criançada da região. Ela teme que a meninada contraia doenças ou que aconteça algo muito mais grave. “Meu medo é que algum menino se afogue. Esse buraco é muito fundo. Deve ter três ou quatro metros de água ali.”
Além disso, reclama, as obras de drenagem ao longo da Rua Urupês, que começa nas imediações do complexo penitenciário e “morre” na Estrada EW2, deixaram a via praticamente intransitável agora no período de chuvas.
Ela mora a poucos metros da voçoroca que surgiu duas vezes nesta semana. “Está quase impossível chegar aqui. Ontem mesmo um carro ficou atolado durante horas aqui”, desabafou, mostrando os buracos que ainda estavam em frente de sua casa na manhã deste sábado (23).
Nem mesmo descarregando os botijões o moto-entregador conseguiu retirar a mato do meio do lamaçal da Estrada EW1, no Jardim NoroesteE não foi somente o carro que ficou atolado na frente da casa da dona Marinês. Na manhã deste sábado, a equipe do Correio do Estado literalmente resgatou um moto-entregador que ficou atolado em meio ao lamaçal da EW1.
Como não tinha água aparente, ele tentou driblar a cratera, mas acabou preso na lama. Com a roupa enlameada, só agradeceu a ajuda e saiu apressado em busca de uma rota alternativa para conseguir entregar o gás. “Isso aqui é literalmente o fim da picada”, brincou.
Nas quadras acima desta mesma Rua Urupês, buracos de mais de um metro de profundidade e de até três de largura surgiram vários. “Tudo foi arrumado na quinta-feira à tarde. Mas com a chuva de sexta-feira, reabriu tudo. Colocaram só areia e não adiantou nada”, reclama Marinês.
E para pirorar, esse estrago surgiu na véspera do feriadão de Natal. "Acho que a gente vai ficar ilhado aqui até a próxima semana. Duvido que apareça alguém aqui para fechar essas crateras durante o fim de semana", prevê Marinês.
VERBA ESTADUAL
Com investimentode R$ 10,9 milhões, a obra de drenagem na região está abrangendo 4,1 quilômetros. O projeto também prevê o asfaltamento da Rua Urupês, em um trecho de 1,6 quilômetro. O “piscinão” que agora virou atrativo para a criançada também faz parte deste investimento bancado pelo governo estadual.
Porém, para dar alívio aos moradores do Noroeste seria necessário multiplicar por pelo menos dez esse investimento. O bairro tem em torno de 97 quilômetros de estradas e apenas 11 são asfaltados em nenhuma rua existe drenagem.