Um mês depois que voltaram a ser instalados ao longo da MS-040, parte dos radares estão sendo novamente alvo de vândalos, conforme o Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran).
Desta vez, os vândalos atacaram equipamentos que ficam do quilômetro 80 até Santa Rita do Pardo. A equipe do Correio do Estado percorreu os 40 quilômetros iniciais da rodovia, que começa no anel viário da BR-163, próximo das Moreninhas, e constatou que nos seis primeiros locais eles seguem intactos, pelo menos aparentemente.
A previsão é de que os redutores de velocidade sejam instalados em 11 locais com alta incidência de atropelamento de antas. Desde o começo de 2015 até o fim do ano passado, pelo menos oito pessoas morreram nesta rodovia em decorrência de colisão com esta espécie de animal silvestre, que chega a ter perto de 300 quilos.
E por conta dos constantes acidentes, o Detran começou a instalar os redutores de velocidade em agosto do ano passado. Alguns dias depois, antes mesmo de serem ativados, a maior parte deles foi parcialmente derrubada.
Diante disso, todos foram recolhidos e no começo de dezembro voltaram a ser instalados. Esse trabalho ainda nem acabou e mais uma vez foram atacados.
Em nota, o Detran informou que “pela terceira vez os controladores de velocidade instalados pelo Detran na MS-040, dentro do programa Estrada Viva da Agesul, foram vandalizados por pessoas que não entendem a importância dos dispositivos para mitigar acidentes envolvendo antas e salvar vidas. Diante da situação, Detran e Agesul estudam novas estratégias para ampliar as ações do programa”.
Das oito mortes, três foram registradas somente em 2023. A mais recente aconteceu no dia 15 de dezembro, quando uma pessoa também sofreu ferimentos graves em decorrência do capotamento do veículo. Outras duas mortes ocorreram em maio do ano passado.
Mas somente uma pequena parte das colisões acabam em morte. “Dados do Programa Estrada Viva, da Agesul, mostram que em 2022 foram encontradas 20 carcaças de anta no trajeto. Em 2023, já são 23, no período de janeiro a 8 de dezembro”, conforme nota enviada pelo Detran em meados dezembro.
E não é somente nesta rodovia que vândalos estão atacando radares. Conforme policiais rodoviários que na manhã desta sexta-feira (19) participavam de blitz educativa na MS-040, pelo menos dois equipamentos da MS-080, que liga Campo Grande a Rochedo, também foram parcialmente destruídos há alguns dias.
MAIS DO QUE RADARES
Conforme Patricia Medici, doutora em Manejo de Biodiversidade e coordenadora da Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira (INCAB), desde o começo de 2015 até o fim do primeiro semestre de 2023 haviam sido encontradas 207 carcaças de antas à beira da estrada.
Mas o número de mortes é pelo menos 50% maior, acredita. Tem muitos animais que são levados embora pelas pessoas que atropelam, são removidos pelos gestores da rodovia e outros são atingidos, continuam andando e acabam morrendo longe da estrada, no meio das fazendas. Estas mortes acabam não sendo catalogadas, explica.
Os radares seriam uma medida a mais para tentar reduzir a mortandade. Na estrada já existe uma série de sinalizações, como placas e sinais sonoros no asfalto, alertando motoristas para que tenham cuidado e para que reduzam a velocidade.
Conforme Patrícia Médici, desde 2016 existe um projeto nas mãos do governo do Estado apontando o que deveria ser feito para mitigar o problema. No trecho existem pelo menos 50 passagens sob a rodovia, muitas delas feitas por fazendeiros que precisam levar o gado de um lado para outro.
O Instituto sugere que a Agesul instale tela reforçada ao longo de 500 metros de cada lado destas passagens subterrâneas e nos dois lados da pista. Além disso, que faça uma espécie de corredor em alguns locais para que as antas sejam conduzidas a utilizarem estas passagens.
RECONSTRUÇÃO
Pavimentada há apenas nove anos, a MS-040 deve passar por uma grande revitalização. A previsão do governo do Estado é desembolsar pelo menos R$ 415 milhões para depois entregar a rodovia à iniciativa privada.
Além da má qualidade de parte do pavimento, a estrada foi construída sem acostamento. “Além da restauração do pavimento, está incluso na elaboração do projeto, melhoria da drenagem e passagens de fauna, adequação da capacidade de tráfego e melhoria da segurança viária, com serviços como implementação de terceiras faixas, acostamentos, interseções e acessos, além da delimitação da faixa de domínio com a reconstrução de cercas convencionais e específicas para conduzir a fauna para os locais apropriados para travessia”, diz nota da Agesul sobre as mudanças que estão previstas.
A MS-040 serve como rota alternativa às rodovias federais 163 e 267 para chegar à divisa com São Paulo, passando por Bataguassu. Além de se livrarem do pedágio na BR-163, muitos caminhoneiros optam pela rodovia estadual porque encurta a distância em cerca de 30 quilômetros entre Campo Grande e o Estado vizinho.