Cidades

POLÊMICA

Bolsonaro exalta liberdade em dia de homenagem a Michelle e vídeos de embaixada

"Tem coisas que [a gente] só dá valor depois que perde", disse o ex-presidente em rápido discurso no Theatro Municipal

FOLHAPRESS

26/03/2024 - 07h07

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a falar sobre liberdade na noite desta segunda-feira (25), durante sessão de entrega do título de cidadã paulistana à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

Em meio à publicação de vídeos de Bolsonaro hospedado na embaixada da Hungria após ter tido o passaporte apreendido, o ex-presidente afirmou que a sociedade durante muito tempo não deu o devido valor à liberdade. "Tem coisas que [a gente] só dá valor depois que perde", disse.

O ex-presidente fez um discurso rápido, segundo ele para não "retirar o brilho" da fala de Michelle. Ele se referiu a ela como a melhor e mais bonita primeira-dama do Brasil.

A realização do evento no Theatro Municipal foi alvo de disputa judicial.

Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, parlamentares do PSOL acionaram a Justiça e o Ministério Público Eleitoral de São Paulo para barrar a cerimônia de entrega do título de cidadã paulistana à ex-primeira-dama.

Normalmente, essas cerimônias ocorrem na própria Câmara Municipal. A justificativa dada é que o espaço legislativo não comportaria o número de convidados. O Theatro Municipal tem capacidade para 1.523 pessoas.

Na sexta-feira (22) à noite, a 10ª Câmara de Direito Público proibiu a realização do evento no Theatro. O desembargador Martin Vargas definiu, monocraticamente, que a cerimônia deveria ocorrer na Câmara Municipal de São Paulo, sob pena de multa de R$ 50 mil caso a determinação não fosse cumprida.

Ele afirmou que havia "indícios contundentes" de que a transferência do evento para o Theatro Municipal violava "os princípios da administração pública".

A despeito da determinação da Justiça, o vereador Rinaldi Digilio (União Brasil), autor do projeto de lei que concedeu o título a Michelle, manteve a organização do evento nesta segunda, afirmando que ainda não havia sido notificado da decisão.

Durante a tarde, o Tribunal de Justiça de São Paulo informou que havia determinado o cumprimento imediato da ordem de intimação para impedir a realização de evento.

Digilio, então, disse que decidiu arcar, "por escolha pessoal e particular", com a quantia de R$ 100 mil pelo uso do Theatro Municipal para manter a homenagem no espaço.

Dias atrás, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendeu o fato de a prefeitura ter cedido o local para a homenagem a Michelle. Questionado, Nunes afirmou que o espaço já foi usado para uma série de outros eventos públicos e que a homenagem foi aprovada na Câmara Municipal.

Segundo ele, "não é salutar para a democracia" que a homenagem seja alvo de questionamento somente por se tratar da mulher de Bolsonaro. O ex-presidente declarou apoio ao emedebista na eleição municipal deste ano.

 

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