Cidades

Risco extremo

Risco à saúde: MS registra recorde de baixa umidade do ar, com 7%

Segundo dados do meteorologista Natálio Abrahão, quatro cidades, incluindo Campo Grande, registraram umidade relativa do ar abaixo de 10%, considerado índice de emergência

João Gabriel Vilalba

03/09/2024 - 18h13

Nesta terça-feira (3), várias cidades de Mato Grosso do Sul registraram índices extremos de umidade relativa do ar, sendo o recorde a cidade de Três Lagoas, onde a umidade chegou a 7%, prejudicial à saúde e com risco de morte. Segundo informações meteorológicas, o calor não dará trégua nos próximos dias, pois o estado de Mato Grosso do Sul está em uma bolha de calor, e a situação deve se agravar.

Segundo dados do meteorologista da Uniderp, Natálio Abrahão, quatro cidades de Mato Grosso do Sul registraram umidade relativa do ar abaixo de 10%, estabelecendo novos recordes.

  • Três Lagoas- 7% 
  • Água Clara- 8% 
  • Paranaíba- 8% 
  • Chapadão do Sul- 9% 

Outras sete cidades também registraram umidade relativa do ar abaixo de 12%.

  • Campo Grande-10%
  • Camapuã-10%
  • Ribas do Rio Pardo -10%
  • Sidrolândia -11%
  • Dourados -12%
  • Maracaju -12%
  • Aquidauana-12%

“Estamos em situação de emergência devido à umidade crítica, que representa risco de vida para idosos, gestantes e aviários. Por isso, precisamos ter muito cuidado e nos proteger, pois estamos enfrentando situações de risco extremo para a saúde humana”, relatou o meteorologista.

Risco

A baixa umidade relativa do ar pode causar ou agravar algumas doenças e trazer sintomas ao corpo humano.

O sistema respiratório é o mais afetado, pois, segundo médicos especialistas, o ar seco favorece o ressecamento das vias aéreas e a mucosa não consegue proteger o organismo de diversas infecções. Além disso, o período de queimadas deixa o ar com mais agentes particulados e poluição, que também causam alergias.

É comum o desencadeamento de crises de asma, sinusite e rinite.

O ar seco também mantém suspensos vírus e bactérias, que podem causar inflamações na garganta, gripes e resfriados, além de desencadear crises de asma, sinusite

Até pessoas que não tem doenças ou predisposições podem ser afetadas por sintomas como dor de cabeça, cansaço, coriza, sangramento no nariz e pressão na face.

A pele também sofre com ressecamento e podem surgir dermatites, crises de coceira e vermelhidão.

Nos olhos, os sintomas incluem ressecamento, inflamação, coceira, vermelhidão e dor, podendo ocorrer também conjuntivite alérgica.

Quando os índices estão abaixo de 10%, a situação é considerada de emergência, pois há riscos graves para a saúde, podendo levar à morte.

Entre os riscos, está o aumento de casos de acidente vascular cerebral (AVC), já que a falta de umidade deixa os brônquios mais fechados, o que atrapalha o fluxo sanguíneo em direção aos pulmões e força o bombeamento de sangue pelo coração.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o sangue fica mais espesso e torna mais fácil o entupimento dos vasos sanguíneos, o que pode causar o AVC.

Há também risco para pessoas com problemas cardíacos e hipertensos.

Situação deve piorar 

Segundo dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), a previsão para os próximos dias é de tempo firme e muito sol.

A previsão indica a continuidade do tempo firme em todos os municípios de Mato Grosso do Sul. Essa situação ocorre devido à atuação de um sistema de alta pressão atmosférica, que age como um bloqueio e inibe a formação de nuvens, favorecendo um clima quente e seco no Estado.

Ainda segundo informações meteorológicas, no período da tarde, a umidade relativa do ar deve variar entre 8% e 20%.

Segundo os dados meteorológicos, as condições previstas de tempo quente e seco tornam o ambiente propenso à ocorrência de incêndios florestais. Portanto, recomenda-se que a população não ateie fogo em nenhuma situação. 

Preocupados com a saúde humana, recomenda-se beber bastante líquido e umidificar os ambientes. 

  • Não praticar exercícios físicos durante as horas mais quentes do dia
  • Evitar exposição ao sol das 9h às 17h
  • Usar protetor solar
  • Beber muita água
  • Usar roupas finas e largas, de cores claras e tecidos leves (de algodão)
  • Não fazer refeições pesadas
  • proteger-se do sol com chapéus e óculos de proteção
  • Manter o ambiente arejado, com umidificador de ar, ventilador, toalhas molhadas, baldes cheios d’água e ar condicionado

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