Morto dentro de sua casa durante uma operação policial em Pedro Juan Caballerro em setembro do ano passado, o deputado paraguaio Eulálio “Lalo” Gomes tinha ligação com alguns dos principais traficantes da fronteira, os brasileiros Cabeça Branca e Jarvis Pavão, ambos presos atualmente. Além disso, era ligado ao clã comandado por Motinha, segundo informações da polícia Paraguaia.
A informação é do ABC Color, o principal jornal paraguaio em reportagem publicada nesta segunda-feira. A evidência desta ligação foram os contatos que o advogado de Cabeça Branca, Fábio Ricardo Mendes Figueiredo, fez com deputado Lalo Gomes e com seus familiares.
Este mesmo advogado, conforme o jornal paraguaio, representa os interesses de dois outros famosos da região de fronteira com Mato Grosso do Sul, Fahd Jamil Georges e Jarvis Chimenes Pavão.
Luiz Carlos da Rocha, que durante três décadas conseguiu se esconder da Polícia e que é apontado como o maior traficante da América Latina, está preso desde 2017, mas o contado de seu advogado com o deputado morto dentro de casa ocorreu em 2020, evidenciando que continua no controle dos negócios ilícitos.
No dia 6 de novembro daquele ano, o advogado enviou mensagem ao deputado dizendo que precisava falar com ele. No dia seguinte, mandou mensagens para a irmã do parlamentar, deixando claro que o advogado estava em busca de dinheiro que o deputado supostamente devia a Cabeça Branca.
Escreva a legenda aquiO deputado, porém, fugiu do encontro e repassou a responsabilidade ao filho, Alexandre Rodrigues Gomes, que atualmente controla os negócios do pai na fronteira entre o Brasil e o Paraguai e que tenta comprovar que seu pai não tinha elo com o crime organizado e que foi executado injustamente na operação policial de setembro do ano passado.
O encontro entre o advogado de Cabeça Branca e o filho de Lalo Gomes ocorreu em Ponta Porã, na Rua Deputado Aral Moreira, mas mesmo assim o advogado insistiu em se encontrar pessoalmente com Lalo Gomes.
Nas mensagens encontradas no celular do deputado apreendido em setembro do ano passado não foi possível saber se este encontro ocorreu e nem a quantidade de dinheiro que Cabeça Branca estava cobrando de dentro da cadeia.
A MORTE
Na semana passada, dia 5 de março, o Ministério Público do Paraguaio pediu o arquivamento da investigação sobre a operação que resultou na morte do deputado. As autoridades alegam que ele reagiu a tiros a uma tentativa de prisão.
Os familiares, por sua vez, alegam que ele foi executado pelos policiais e por integrantes do próprio Ministério Público, que agora estaria acobertando o assassinato.
De acordo com a polícia paraguaia, Lalo Gomes tinha boa relação com Jarvis Pavão, com o clã mota e com Cabeça Branca, apontados como os controladores do narcotráfico e do tráfico de armas na região de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.
O deputado tinha a intenção de eleger o filho, Alexandre Gomes, prefeito de Pedro Juan Caballero, e abrir caminho para se tornar o novo rei da fronteira, lugar supostamente vago desde a morte de Jorge Raffat, em 2016.