Utilizados por pesquisadores de diferentes instituições, equipamentos instalados próximos da área urbana de Corumbá para espantar e acompanhar onças-pintadas desapareceram, entre os dias 6 e 8 de agosto.
O sumiço dos instrumentos foi constatado na última sexta-feira (8), durante manutenção feita pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP). Eram dois repelentes luminosos e uma armadilha fotográfica, montados na região da Cacimba da Saúde, onde foram avistadas onças-pintadas desde março deste ano.
Pesquisadores e moradores da região afetadas montaram estratégias com o objetivo de entender e espantar o animal selvagem das proximidades urbanas. O Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário é o responsável por acompanhar os avistamentos e dar suporte aos residentes.
Este grupo é formado pelo Ibama, Polícia Militar Ambiental, Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, Defesa Civil de Corumbá, Jaguarte (pesquisador convidado Diego Viana) e Instituto Homem Pantaneiro.
Além do prejuízo financeiro estimado em R$ 6 mil, o desaparecimento dos equipamentos também gera um prejuízo de geração de dados técnicos para entender o comportamento da onça-pintada avistada, definição de estratégias de mitigação de possíveis conflitos entre seres humanos e a espécie, e também prejudica a atividade de afugentamento do animal das proximidades das casas.
Diante dos fatos, um boletim de ocorrência será registrado na Polícia Civil, que deverá conduzir uma investigação para saber qual o paradeiro dos dispositivos.
Dois ataques em 2025
Neste ano, dois ataques de onças-pintadas foram registrados. Em abril, o caseiro Jorge Avalo, de 62 anos, foi encontrado morto a partir de denúncia feita por um guia de pesca local que estranhou a ausência de Jorge Avalo no pesqueiro onde trabalhava. Foi então que a Polícia Militar Ambiental (PMA) iniciou as buscas.
Foram encontrados vestígios de sangue e pegadas de animal silvestre de grande porte nas proximidades do pesqueiro onde ocorreu o ataque.
Antes disso, o último ataque fatal do maior predador pantaneiro ocorreu em 24/6/2008, quando Luiz Alex Silva Lara, de 22 anos, foi arrastado e morto por uma onça-pintada no Pantanal de Mato Grosso. A vítima estava dormindo em uma barraca quando sofreu o ataque na localidade do Pacu Gordo, às margens do Rio Paraguai.
Na última quinta-feira (7), outro ataque de onça-pintada foi registrado no coração do Pantanal, com a vítima que tentou defender seu cachorro sendo socorrida próximo a uma área conhecida como Mirante da Capivara.
Conforme repassado pelo Corpo de Bombeiros, a vítima que conseguiu escapar do ataque do felino trata-se de um homem de 57 anos, localizado com uma série de ferimentos em região de barranco próximo ao Rio Paraguai.
Com lesão na testa e olho direito, apresentando um corte superficial no nariz e indicando sentir fortes dores na região do tórax, segundo relato do homem aos agentes, a cena de terror começou ainda na noite de quarta-feira (06).