A Polícia Militar Ambiental (PMA), em parceria com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), intensificou as ações de combate às queimadas ilegais no Estado por meio da Operação Focus, que já aplicou multas que somam mais de R$ 34 milhões desde o início de agosto.
A ofensiva segue até 30 de novembro — e, no caso do Pantanal, até o fim de dezembro, quando o período crítico de incêndios costuma se estender.
Coordenada pela Seção de Operações e Planejamento do Comando de Policiamento Militar Ambiental (CPAmb), a operação tem como foco prevenir e responsabilizar autores de queimadas irregulares. Para isso, as equipes intensificaram o monitoramento de áreas vulneráveis durante a estiagem, utilizando tecnologia de georreferenciamento e alertas emitidos pelo Imasul. Entre janeiro e julho, o sistema já havia detectado cerca de 500 focos de incêndio sem autorização ambiental.
Segundo o capitão André Leonel, chefe de operações da PMA, o diferencial da operação está na rapidez da resposta, com o objetivo de flagrar os responsáveis enquanto o fogo ainda está em curso. “Temos 26 subunidades que funcionam como postos avançados, garantindo um canal direto com o Imasul para que as equipes cheguem o mais rápido possível ao local”, explicou.

De 1º de agosto a 9 de outubro, a PMA realizou 120 vistorias, lavrou 30 autos de infração e autuou 9,4 mil hectares de áreas degradadas. Além das multas, as equipes apreenderam equipamentos, veículos e instrumentos usados nas queimadas, além de aplicar embargos e notificações aos infratores.
Um dos casos mais graves ocorreu em Bodoquena, em setembro, quando uma queimada controlada de folhas secas saiu do controle e se espalhou com o vento forte, atingindo 194 hectares — sendo 120 de vegetação nativa — e alcançando 22 propriedades vizinhas. O responsável foi multado em R$ 1,4 milhão, com base no Decreto Federal nº 6.514/2008, que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais.
A PMA reforça que o uso do fogo sem autorização é proibido e representa um risco elevado durante o período seco. A corporação orienta produtores rurais e a população em geral a adotarem práticas seguras de manejo e denunciarem atividades suspeitas. A meta, segundo a instituição, é reduzir os danos ambientais e preservar os ecossistemas de Mato Grosso do Sul, especialmente nas regiões do Cerrado e do Pantanal, que sofrem com os impactos das queimadas.