Nem mesmo a crise econômica, as metas não atingidas pela Prefeitura de Campo Grande e o cenário de "arrocho" foram suficientes para impedir que o Executivo ajustasse em 25% o contrato com uma empreiteira contratada para locação de máquinas.
Conforme exposto na edição desta quinta-feira (23) do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), sendo esse o segundo termo aditivo anotado, o contrato em questão foi firmado em 13 de dezembro de 2023 com a empresa JLC Ltda.
Em números absolutos, o contrato fica acrescido com o montante de R$865.802,58, atingindo o valor de R$ 4.329.012,90 ao todo na contratação firmada entre a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e a empresa que carrega as iniciais de Jorge Lopes Cáceres.
Segundo consta na cópia do contrato original, publicada no Portal da Transparência de Campo Grande, a empresa foi contratada para locação de máquinas pesadas, caminhões e veículos leves, além de demais equipamentos para execução dos serviços públicos locais.
Especificamente, os valores correspondem à locação de pás carregadeiras pelo valor inicial de pouco mais de 2,6 milhões de reais, mais o preço do aluguel de tratores por R$856.798,80, que somam uma contratação original de R$3.463.210,32.
Enquanto a ordem de serviços foi assinada ainda em 13 de dezembro de 2023, para o prazo de 12 meses consecutivos a contar dessa data, o primeiro termo aditivo foi assinado já em 18 de novembro de 2024.
Nessa ocasião houve a dilatação do prazo de vigência em mais 12 meses, ou seja, com isso, a próxima data de vencimento seria o dia 13 de dezembro deste ano. Menos de um ano depois acontece esse reajuste de cerca de 25% do valor do contrato.
Corte de gastos
Cerca de uma semana depois da publicação do decreto original, a prefeita Adriane Lopes anunciou sua reforma administrativa durante uma coletiva em 14 de março, apontando para o objetivo de economizar pelo menos R$140 milhões.
Já em junho - e longe da meta - Adriane renovou esse decreto para corte de gastos, prorrogando a medida de arrocho por mais três meses.
Toda essa movimentação impediu reajuste salarial linear aos servidores municipais, sendo que nesse primeiro prazo de três meses a prefeitura conseguiu economizar R$19 milhões na folha de pagamentos, apesar do aumento da ordem 27% no próprio salário e que beneficiou em torno de 500 integrantes da elite do funcionalismo municipal.
Desde abril, o salário da prefeita, que serve como teto para o serviço público municipal, passou de R$21,2 mil para R$ 26,9 mil. Em fevereiro de 2026 sobe para R$31,9 e um ano depois, para R$35,4 mil.
Enquanto isso, porém, a base do funcionalismo está há três anos sem reajuste e, com a renovação de decreto, a possibilidade de pôr fim ao congelamento acaba de vez.
Além da redução dos R$19 milhões na folha de pagamento, a administração municipal também reduziu em quase um milhão de reais os gastos com locação de imóveis, conforme afirmou a Prefeita em 18 de junho.
De acordo com ela, “mais de cinco imóveis” teriam sido devolvidos nestes três meses de vigência do decreto de arrocho de gastos.