Cidades

Operação Blindagem

Chefão do tráfico em MS é preso dentro de flat na área nobre de Campo Grande

Tiago Paixão, o Boy, estava no edifício Vertigo, no Jardim dos Estados, em Campo Grande; é a segunda prisão de suspeitos de tráfico no local em menos de 1 mês

Eduardo Miranda

07/11/2025 - 16h38

Apontado como traficante e condenado por assassinato, Tiago Paixão Almeida, também conhecido no mundo do crime pelo apelido de “Boy” está entre os principais alvos da Operação Blindagem, deflagrada por equipes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) na manhã desta sexta-feira (7). 

O mandado de prisão de Tiago, que é apontado como um dos chefões do tráfico na região do Tijuca, em Campo Grande, e ligado à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), foi cumprido no condomínio Vertigo, edifício mais alto de Campo Grande, local de dezenas de flats. 

É a segunda operação em menos de dois meses que apreendem suspeitos de crime no edifício, localizado em área nobre da Capital de Mato Grosso do Sul, e que é frequentemente usado para aluguel por temporada, em plataformas como a AirBnb.

No mês passado, o empresário paulista Darlan de Jesus, 41 anos, foi preso no mesmo edifício por policiais civis da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Na ocasião, a operação também mirava pessoas ligadas ao tráfico de drogas. 

Na Operação Blindagem, desencadeada pelo Gaeco, além de Tiago Paixão, também há policiais penais e militares do Exército entre os presos. Há pelo menos 35 investigados. 

A organização criminosa, com suposta ligação com o PCC, atuava no tráfico de drogas que entram em Mato Grosso do Sul pela fronteira com Paraguai e Bolívia para estados vizinhos. As suspeitas são, além do tráfico de drogas, de corrupção ativa e passiva, usura, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de capitais que atuava dentro de um presídio.

A estrutura era comandada de dentro do sistema prisional e contava com uma rede de colaboradores em Campo Grande, Aquidauana, Anastácio, Corumbá, Jardim, Sidrolândia, Ponta Porã e Bonito, além de integrantes nos estados de São Paulo e Santa Catarina.

Tráfico

De acordo com o MPMS, as investigações duraram mais de dois anos e revelaram que a organização criminosa atuava em diversas frentes, enviando drogas para cidades do interior do Mato Grosso do Sul e para os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Acre, Maranhão e Goiás, utilizando diferentes métodos. 

Um método de destaque era a utilização de caminhões com fundo falso para garantir a ocultação dos entorpecentes, ao passo que, no compartimento de carga, transportavam produtos lícitos do gênero alimentício, acompanhados de nota fiscal, visando a dificultar que órgãos de repressão descobrissem tal estratégia em eventual fiscalização nas estradas.

Encomenda

Além disso, o grupo realizava remessas por Sedex, utilizando os Correios, e também transportava drogas em veículos de passeio e utilitários, inclusive por meio de passageiros transportados em vans.

Também foram constatados vínculos da organização criminosa com o Primeiro Comando da Capital (PCC), que fornecia suporte por meio de membros de sua alta cúpula, para ampliar o tráfico e aplicar punições violentas a quem estivesse em débito com o grupo criminoso, além da identificação de práticas de extorsão mediante uso de arma de fogo, violência e restrição da liberdade de vítimas, justamente para a obtenção do pagamento de dívidas do tráfico de drogas.

Investigação

A investigação começou a partir da apreensão do telefone celular do líder da organização criminosa, que utilizava o aparelho no interior de uma cela de presídio no interior do Estado.

A partir de então, foi possível chegar à outra faceta do grupo criminoso, que é a corrupção de servidores públicos, que garantiam a ele o acesso a aparelhos celulares, informações sigilosas de sistemas restritos ao estado e, o mais importante, à permanência em presídios menores, no interior do Estado, de onde coordenava livremente as práticas ilícitas.

A operação deflagrada nesta manhã, teve o objetivo de cumprir 35 mandados de prisão preventiva e 41 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Aquidauana, Sidrolândia, Jardim, Bonito, Ponta Porã e Corumbá, além de Porto Belo (SC), Balneário Piçarras (SC), Itanhaém (SP) e Birigui (SP). Até o fechamento desta matéria, não havia informações de quantos mandados foram cumprido de fato.

Objetos e dinheiro apreendidos na Operação Blindagem /Gaeco

As diligências em Mato Grosso do Sul contaram com apoio operacional de equipes do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Especiais e Força Tática, todos da Polícia Militar, além da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário - (AGEPEN).

No Estado de São Paulo, o apoio operacional foi conduzido pela Polícia Civil e no Estado de Santa Catarina, pelo Gaeco e pela Polícia Militar. A Ordem dos Advogado do Brasil de Mato Grosso do Sul - (OAB/MS) também acompanhou os trabalhos. (Com Tamires Santana)

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