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Nota baixa de faculdades particulares de Medicina em MS "acende alerta", diz Conselho

O Conselho Federal de Medicina está avaliando uma resolução para impedir que acadêmicos formados em cursos que tiveram notas 1 e 2 atuem no mercado

Laura Brasil

21/01/2026 - 15h00

O Conselho Regional de Medicina (CRM-MS) recebeu com preocupação o desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), no qual duas universidades do Estado obtiveram conceito 2.

A divulgação do resultado ocorreu na segunda-feira (19), pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Segundo os dados, 67% dos estudantes que estão próximos de concluir o curso e ingressar no mercado de trabalho demonstraram possuir conhecimento satisfatório.

No entanto, 99 cursos de Medicina tiveram notas 1 ou 2 e, com isso, ficaram abaixo de 60% no critério de proficiência, que avalia o domínio dos conhecimentos básicos da área.

Segundo dados divulgados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a maioria dos cursos com desempenho insatisfatório pertence a instituições privadas em todo o país.

Em Mato Grosso do Sul, apresentaram conceito 2 (insuficiente) os cursos de Medicina da Anhanguera Uniderp, em Campo Grande, e da UniCesumar, em Corumbá.

A reportagem entrou em contato com o CRM-MS que, por meio de nota, informou ter recebido com preocupação o resultado do Enamed, tendo em vista a classificação atribuída aos cursos das universidades privadas.

“Desempenhos insatisfatórios, especialmente quando recorrentes, acendem um alerta para a necessidade de revisão dos projetos pedagógicos, da qualificação do corpo docente e da estrutura de ensino, sobretudo das atividades práticas, que são essenciais para a formação do médico”, destacou o CRM-MS.

Outro ponto levantado pelo Conselho é que uma formação ineficiente pode gerar prejuízos na atuação dos futuros profissionais, como erros de diagnóstico, condutas terapêuticas equivocadas e falhas éticas, comprometendo a segurança do paciente.

“A medicina exige preparo técnico sólido, raciocínio clínico apurado e compreensão ética. Quando esses pilares não estão bem estabelecidos, quem sofre é a população.”

Medidas

As universidades que não alcançaram boas notas podem sofrer sanções do Ministério da Educação (MEC). Além disso, o Conselho Federal de Medicina estuda uma resolução que pode impedir cerca de 13 mil estudantes formados em cursos com notas 1 e 2 de exercerem a profissão.

Por meio de nota, o CFM afirmou que o resultado do Enamed revela um cenário preocupante na formação médica no país.

O Conselho ressaltou que denuncia, há mais de uma década, os riscos da abertura desordenada de cursos de Medicina, sem o devido respeito a critérios de qualidade, em locais sem infraestrutura adequada e sem condições para que os estudantes coloquem em prática o aprendizado.

Com isso, o CFM reforçou a necessidade da aplicação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), no qual o estudante precisaria ser aprovado para obter o registro profissional, a exemplo do que ocorre com os profissionais do Direito.

“Assegurando que apenas médicos devidamente capacitados atuem, garantindo maior segurança à população brasileira”, informou o CFM.
 

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