Cidades

DESLIGAMENTOS

Ministério Público é acionado para apurar possível perseguição a servidoras da Prefeitura

Natali Pereira foi desligada da escola onde atuava, poucas horas depois de participar de um protesto, o qual reinvidicava melhorias na categoria

Após oito anos de atuação na Rede Municipal de Ensino (REME) de Campo Grande, Natali Pereira de Oliveira foi desligada da Secretaria de Educação (SEMED). O desligamento foi comunicado pela direção da Escola de Educação Infantil (EMEI) onde a servidora trabalhava, poucas horas depois de uma mobilização da categoria no plenário da Câmara Municipal, realizada na última terça-feira (3).

Natali é presidenta do Sindicato dos Servidores Contratados da Administração Pública da Rede Municipal de Campo Grande e participou, ao lado de mais de mil assistentes de educação infantil, de um ato para cobrar pautas urgentes da categoria.

O vereador Maicon Nogueira (PP) protocolou um ofício junto ao Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS) solicitando a apuração de possíveis práticas irregulares e discriminatórias no desligamento de servidoras públicas contratadas pelo Município de Campo Grande.

O documento, encaminhado à procuradora do Trabalho Dra. Cândice Gabriela Arosio, relata o caso de Natali e da médica Letícia Pereira Mella de Aquino, servidora temporária que foi desligada de sua função após expor publicamente as condições precárias da estrutura e do atendimento aos pacientes na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Coronel Antonino. 

Diante das denúncias, o vereador solicitou ao MPT-MS a instauração de procedimento investigatório para apurar os critérios, fundamentos e motivações administrativas que resultaram nos desligamentos, bem como eventual violação a direitos trabalhistas e constitucionais.

Reinvidicações e paralisação

Na manhã desta sexta-feira (6), a Câmara Municipal de Campo Grande realizou a audiência pública “Valorização das Assistentes de Educação Infantil”, reunindo profissionais da rede municipal, vereadores e representantes de órgãos de fiscalização para discutir valorização salarial, condições de trabalho e denúncias de assédio e perseguição contra profissionais da categoria. O debate ocorreu após a classe ameaçar uma paralisação na próxima segunda-feira (9).

Representando as assistentes, Natali Pereira reforçou que a categoria pede o básico para garantir o funcionamento das unidades.

“Não temos salário digno, muitas são mães solo e precisam compor renda com trabalhos no fim de semana. Nós estamos pedindo o mínimo, pois sem assistente a Emei não abre. E enfrentamos a superlotação nas salas de aula, o que sobrecarrega o trabalho da profissional e compromete o desenvolvimento da criança”, disse Natali.

Entre as reivindicações estão o reajuste salarial de R$ 1.900 para R$ 2.500, a concessão de vale-alimentação no valor de R$ 300 e melhores condições de trabalho para os profissionais da educação infantil.

Além das pautas salariais, a categoria também cobra:

  • o cumprimento de direitos básicos, como o abono de falta para acompanhamento de filhos em consultas médicas;
  • o respeito ao limite de alunos por sala de aula;
  • e a alteração da legislação que modificou regras do plano de saúde, impedindo a filiação de servidores contratados temporários.

Outro ponto de reivindicação é o enquadramento profissional. “Simplesmente nos colocaram como monitores de aluno. Nós não somos monitores, somos assistentes de educação infantil. Queremos respeito, reconhecimento e valorização”, reforçam os trabalhadores.

Atualmente, Campo Grande conta com 107 Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), cerca de 2.500 profissionais selecionadas para atuar como assistentes e aproximadamente 34 mil crianças matriculadas, além de uma fila de espera de cerca de 5 mil alunos por vaga.

Assédio em escolas públicas

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) quer que a Secretaria Municipal de Educação (Semed) dê andamento às mais de 600 denúncias de crimes e assédios ocorridos em escolas públicas de Campo Grande.

A recomendação, que insinua que o Município esteja desprezando estas denúncias, foi divulgado no diário oficial do MPMS nesta terça-feira (2). 

A publicação aponta a Ouvidoria com "irregularidades em sua operacionalização", e tira dela o seu papel de funcionalidade de atendimento por uma educação inclusiva, o que de acordo com o texto, compromete diretamente o acesso do canal de "escuta, reclamação e denúncia, essenciais à tutela dos direitos educacionais de crianças, adolescentes assim como dos pais".

De acordo com o documento, a consulta dos processos das denúncias pode ser feita por meio do Painel 'Resolveu', em que a Ouvidoria do Município está vinculada e deve ser atualizada diariamente.

Porém, no dia  28 de janeiro, o MPE acessou ao site com direcionamento para o canal de denúncias da Prefeitura de Campo Grande e verificou mais de 600 manifestações direcionadas a SEMED, com matérias sensíveis de crimes e assédios na educação, mas nenhuma possui registros de resposta, arquivamento ou mesmo encaminhamento para tomar alguma medida.

Segundo o texto, a situação foge da dinâmica de transparência da administração pública quanto ao que condiz com a funcionalidade e eficácia da Ouvidoria Municipal.

Assine o Correio do Estado

 

AFOGAMENTO

Bombeiros localizam corpo de adolescente de 15 anos no Rio Paraguai

Erick José da Silva Moraes de Arruda havia desaparecido na tarde de sexta-feira (6)

07/11/2026 12h00

Bombeiros realizaram buscas na sexta-feira e na manhã deste sábado

Bombeiros realizaram buscas na sexta-feira e na manhã deste sábado Reprodução / Diário Corumbaense

Continue Lendo...

Cidades

TJMS obriga prefeitura pagar transporte aéreo de bebê para tratamento pós-cirúrgico

Município teria negado custeio de transporte de avião, mesmo com recomendação médica em razão do tempo de vida da bebê, de 11 meses, e risco de complicações após cirurgia

07/11/2026 11h30

MPE garante transporte aéreo para bebê de 11 meses

MPE garante transporte aéreo para bebê de 11 meses Banco de Imagem

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).