Cidades

DISPENSA

Sejusp dispensa policiais vira-casacas de Operação Iscariotes

Edivaldo Quevedo já havia sido detido em 2024 por contrabando e Célio Rodrigues foi alvo de outras duas operações nos últimos 6 anos

Após ser alvo por três vezes, o agora ex-policia civil Célio Rodrigues Monteiro foi dispensado da suas atividades na Polícia Civil. O suspeito envolvido na Operação Iscariotes, deflagrada na última quarta-feira (18), já esteve envolvido em outras duas operações.

Por meio do Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira, o Delegado-Geral Lupersio Degerone Lucio dispensou o investigador Célio Rodrigues, que atuava em Sidrolândia, no interior de Mato Grosso do Sul.

Além dele, o outro investigador envolvido no esquema, Edivaldo Quevedo da Fonseca, também foi dispensado. Ele estava na reserva e já havia sido detido em dezembro de 2024 pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Na época, ele estava com o carro cheio de mercadorias do Paraguai sem nenhuma documentação.

Mesmo após a prisão, Edivaldo, que estava vinculado à 5ª Delegacia de Polícia Civil, recebeu liberdade em 2025, e assumiu o compromisso de comparecer à Justiça Federal, confirmar endereço fixo e informar o local de trabalho. Antes de ser dispensado ele recebia o salário de R$ 14,6 mil por mês.

No entanto, Célio já foi flagrado duas vezes em outras operações. A primeira foi em 2020, quando foi um dos alvos da terceira fase da Operação Omertà, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), por participação em lavagem de dinheiro.

Em 2023, a Justiça o absolveu, junto a Márcio Rios do crime de lavagem de dinheiro.

Então, durante a Operação Snow, foi alvo novamente de busca e apreensão do Gaeco em 2024. A investigação apurava um esquema de tráfico de cocaína com participação de agentes de segurança pública, e Célio teria sido flagrado em uma das conversas com traficantes. Entretanto, em nenhuma dessas operações o policial foi condenado.

Ainda neste ano, em janeiro, Célio recebeu progressão de carreira, e com o cargo de Investigador de Polícia judiciária ele atingiu o nível cinco da carreira. Até o mês passado, o salário dele era de R$ 14,1 mil.

Agora, em mais uma vez como alvo de investigação e de novo preso, o policial é suspeito de integrar organização criminosa que atua na prática de contrabando, descaminho, lavagem de capitais e outros crimes.

De acordo com a Polícia Federal, a investigação apurou que os policiais atuavam desde o “fornecimento e monitoramento de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais até o transporte físico das mercadorias, com aparente utilização da função pública para favorecer a atuação do grupo”.

“No curso da investigação, foram realizados diversos flagrantes, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais”, diz nota da Polícia Federal.

Operação Iscariotes

Conforme acompanhou o Correio do Estado, a Operação deflagrada na manhã da quarta-feira (18), que interditou o entorno do Camelódromo de Campo Grande, revelou a participação de agentes de segurança pública que facilitavam a entrada de mercadorias contrabandeadas no Estado.

A Operação Iscariotes é um desdobramento que ocorre simultaneamente em outras capitais e investiga crimes de descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva, violação de sigilo e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.

A ação ocorre após investigação que indicou a atuação estruturada de um grupo criminoso especializado em facilitar a entrada de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado por meio de um esquema de importação fraudulenta.

Ainda conforme o levantamento, o grupo trazia as mercadorias sem qualquer documentação ou regularização necessária para o controle aduaneiro.

Após a entrada irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e o restante seguia para outras unidades da federação, tendo como principal destino Minas Gerais (MG), em entregas fracionadas misturadas a outras cargas ilícitas.

O trabalho de inteligência revelou que o grupo utilizava veículos modificados com compartimentos ocultos para ludibriar fiscalizações e facilitar o transporte e a distribuição das mercadorias ilícitas.

Também foram identificadas diversas condutas voltadas à ocultação e à dissimulação da origem criminosa dos valores obtidos com a atividade ilegal.

Participam da ação a Polícia Federal e a Receita Federal, por intermédio da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul (Delefaz/MS), com apoio da Receita Federal do Brasil.

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