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Fim de filmagens retoma atendimento da Morada dos Baís em Campo Grande

Localizado na Avenida Afonso Pena, em pleno "coração" da capital do Mato Grosso do Sul, espaço mantém viva obra da campo-grandense pioneira Lídia Baís

Após servir de palco para as filmagens do longa-metragem "Lydia", a Morada dos Baís, localizada na Avenida Afonso Pena, retomou seus atendimentos ao público nesta semana em pleno "coração" da capital do Mato Grosso do Sul, mantendo viva a obra da artista pioneira campo-grandense e dessa família icônica na história local. 

Conforme o Executivo da Cidade Morena, esse espaço cultural voltará a receber visitantes de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h às 12h, aberto para turistas e moradores locais conhecerem de perto o interior dessa arquitetura imponente na região central.

Vale lembrar que recentemente, desde a segunda semana de maio, o espaço da Morada serviu como locação para as filmagens de "Lydia", um longa-metragem de ficção produzido pela Pólofilme e inspirado na obra literária "História de T. Lídia Baís" (1960), escrita pela própria artista sob o pseudônimo de Maria Tereza Trindade.

"Para atender às necessidades da produção, o prédio recebeu adequações cenográficas que recriaram ambientes da época retratada no longa-metragem, despertando a curiosidade de quem passava pela Avenida Afonso Pena", cita o Executivo da Capital em nota sobre a retomada dos atendimentos. 

Dirigido por Ricardo Câmara, com codireção de Mariana Villas-Bôas, o filme mergulha nas memórias, contradições, espiritualidade e processos criativos de Lídia Baís, uma mulher que rompeu padrões sociais no início do século 20 e construiu uma obra artística singular em um território ainda distante dos grandes centros culturais brasileiros.

Esse longa, cabe frisar, conta com recursos da Lei Paulo Gustavo, através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, e apoio institucional da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande, que cedeu a Morada dos Baís e o Museu José Antônio Pereira como locações.

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Nascida em Campo Grande em 1900, Lídia Baís cresceu em uma família tradicional sul-mato-grossense, mas escolheu um caminho distante daquele reservado às mulheres de sua época. Enquanto o destino esperado era o casamento e a vida doméstica, ela decidiu seguir pela arte.

Embora inspirado em fatos reais, "Lydia" não pretende seguir o caminho tradicional das cinebiografias lineares. A proposta narrativa abraça a subjetividade e a fragmentação das memórias.

Entre suas viagens ao Rio de Janeiro, Paris e Alemanha, Lídia circulou entre intelectuais e modernistas contemporâneos de seu tempo e importantes do século passado, convivendo Com: o pintor surrealista Ismael Nery, com o poeta modernista Murilo Mendes e com os irmãos pintores Henrique Bernardelli e Rodolfo Bernardelli, por exemplo. 

Apesar da proximidade com nomes hoje consagrados, Lídia permaneceu durante décadas à margem da história oficial da arte brasileira. Realizou apenas uma exposição em vida, em 1929, no Rio de Janeiro, e acabou transformando o espaço doméstico em território criativo.

Na casa da família, pintou murais, escreveu textos, compôs músicas e desenvolveu uma linguagem artística própria, atravessada pela espiritualidade, o surrealismo e o expressionismo. A Morada dos Baís, onde a artista viveu, transformou-se em personagem central da narrativa recente.

Segundo Mariana Villas-Bôas, o espaço foi apropriado de maneira simbólica e afetiva pela equipe. "As paredes descascadas, os afrescos antigos, os objetos, tudo isso traz uma camada de tempo muito importante para o filme", diz.

A codiretora destaca que muitos elementos aparentemente surrealistas presentes no cenário partem de relatos reais sobre o cotidiano da artista. "As gaiolas, os animais empalhados, os objetos espalhados, tudo isso existia. Parece ficção, mas vinha da forma como ela enxergava o mundo".

 

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