Cidades

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Prevenção ao El Niño inclui armazenamento de alimentos e brigadas indígenas em MS

Ministros estiveram em Campo Grande para anunciar medidas de prevenção a eventos climáticos extremos e ações de proteção a comunidades vulneráveis

O governo federal apresentou, nesta terça-feira (1°), ações de prevenção aos possíveis efeitos do El Niño em Mato Grosso do Sul. Durante agenda em Campo Grande, os ministros do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e o dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciaram medidas que incluem o reforço de estoques de alimentos e a estruturação de brigadas indígenas para enfrentar queimadas e outros eventos climáticos extremos.

O anúncio foi feito durante o evento Diálogos Regionais El Niño 2026/2027, voltado ao diálogo com organizações da sociedade civil e movimentos sociais sobre as ações do governo federal para a mitigação dos efeitos do fenômeno climático que, de acordo com especialistas, será um dos mais fortes já sentidos na história.

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, destacou que Campo Grande foi uma das cidades escolhidas para o debate presencial pelo fato de Mato Grosso do Sul estar em perspectiva de ser atingido pelos impactos do El Niño, especialciamente considerando os incêndios do Pantanal.

"Eu acompanhei aquele momento crítico dos incêndios do Pantanal e, para 2027, 2028 e 2029, o Observário do Clima aponta um risco muito grande e queremos integrar todos os esforços, queremos ter esse diálogo com a sociedade aqui, ordenado pela Secretaria Geral da Presidência, integrando vários ministérios e garantindo que a gente possa estar com o Mato Grosso do Sul mais preparado naquilo que a gente puder resolver antes", disse.

Entre as medidas citadas pelo ministro, está o armanezamento de alimentos, para garantir o abastecimento em casos extremos.

Dias citou como exemplo as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e impactou, entre outras coisas, na produção de arroz, fazendo o preço do grão subir consideravelmente.

No caso de Mato Grosso do Sul, ele destacou a produção de milho. 

"A Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] protege os produtores, comprando esse alimento, acompanhando agora, chegando no armazém toneladas de milho para que a gente pudesse aqui ter estoque. Lá na frente, se der algum problema, temos estoque de milho, de arroz, de outros produtos. De um lado, proteger o pequeno, do outro lado, proteger os consumidores, para não ter elevação no preço", explicou.

O ministro explica que o El Niño pode impactar de formas diferentes cada região, seja com chuvas intensas ou com irregularidades de chuva, seca, calor e baixa umidade.

Brigadas indígenas

Como o Estado tem histórico de incêndios, outra medida voltada à prevenção é a preparação das comunidades indígenas, quilombolas e periféricas para a adaptação climática, que está sendo feito em conjunto pelos Ministérios das Mulheres, dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, destacou que, especificamente nesta comunidade, para fazer frente às secas e queimafas, estão sendo estruturadas as brigadas indígenas junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

No Brasil, há 67 brigadas indígenas, sendo duas em Mato Grosso do Sul, uma na Aldeia Ipegue, em Aquidauana, e outra na Terra Indígena Kadiwéu, localizada na região do Pantanal sul-mato-grossense, que são as duas terras indígenas com o maior índice de queimadas no Estado.

"A partir de 2023, nós estruturamos essas brigadas dentro das terras indígenas, fizemos o treinamento, estruturamos com EPIs [equipamentos de proteção individual] e mais equipamentos, e as próprias comunidades indígenas estão se organizando para fazer frente a essas demandas junto às suas comunidades", disse.

"Tudo isso parte de um pressuposto básico, da ciência. Nós somos um governo que acreditamos na ciência, os índices científicos apontam para isso e a gente não pode esperar o impacto atingir as comunidades. Então, nós podemos dizer hoje que nós estamos preparados, tendo consciência dos impactos nas comunidades, nós estamos preparados para fazer esse enfrentamento", acrescentou.

O evento em Campo Grande integra uma série de sete encontros presenciais sobre o tema, realizados em
diferentes regiões do Brasil: Rio de Janeiro (20/08), Manaus (21/08), Fortaleza (27/08), Santarém (28/08), Campo Grande (01/09), Petrolina (03/09) e Porto Alegre (09/09).

Participam representantes de órgãos federais, como Casa Civil, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Ministério das Cidades (MCid), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ministério da Saúde (MS), Defesa Civil, entre outros.

Conforme reportagem do Correio do Estado, além das medidas anunciadas nesta terça-feira, o governo federal já anunciou anteriormente que, em razão do El Niño de alta intensidade que se aproxima, Campo Grande vai receber a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) a partir de novembro, programa que atua em eventos que demandam apoio especializado para responder a situações emergenciais que afetam a saúde da população.

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