Cidades

"Barattieri"

MPMS "volta ao inferno" e prende fraudadores de merenda escolar

Quatro pessoas foram presas em Água Clara na operação "Barattieri", nome dado na Divina Comédia a servidores públicos que usam a função pública para obter vantagens indevidas

O dono de um supermercado e três servidores ou ex-servidores públicos da prefeitura de Água Clara foram presos nesta segunda-feira (14) em uma operação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPMS) .

Batizada de Operação “Barattieri”, ela teve como objetivo o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão na cidade a cerca de 200 quilômetros ao leste de Campo Grande.

Foram detidos ex-secretária de Educação, Adriana Rosimeire Pastori Fini, as servidoras públicas Ana Carla Benette eJânia Alfaro Socorro; além de Humberto Marques, dono de um mercado.

As investigações, segundo o MPE, tiveram início a partir de provas descobertas na Operação Malebolge, revelaram que servidoras públicas do Município Água Clara mantinham um esquema criminoso paralelo com um empresário local, voltado ao desvio de recursos públicos destinados, especialmente, à aquisição de gêneros alimentícios para a merenda escolar.

Segundo apurado, as agentes públicas solicitavam vantagens indevidas ao empresário e, para viabilizar os pagamentos, promoviam a majoração das ordens de compra emitidas pelo Município, sendo que apenas parte dos produtos adquiridos eram efetivamente entregues.

Na operação Malebolge, desencadeada em 18 de fevereiro de 2025, a  Vigilância Sanitária interditou em Campo Grande uma câmara frigorífica de uma empresa fornecedora de alimentos a prefeituras do interior, devido a irregularidades na conservação de alimentos.

Em fevereiro do ano passado foram  cumprimento de 11 mandados de prisão preventiva e 39 mandados de busca e apreensão nos municípios de Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos.

O grupo, de acordo com os indícios levantados, se valia de servidores públicos corrompidos para fraudar licitações públicas, direcionando os certames para beneficiar empresas participantes do esquema. Os contratos fraudulentos ultrapassam a casa dos R$ 10 milhões.

O esquema envolvia também o pagamento de propina aos agentes públicos, que atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços e aceleravam os trâmites administrativos necessários aos pagamentos de notas fiscais decorrentes dos contratos firmados entre os empresários e o poder público.

DIVINA COMÉDIA

A operação desta segunda-feira (14), denominada de “Barattieri”, faz uma referência à Divina Comédia, obra clássica de Dante Alighieri. No Inferno descrito pelo autor, os “Barattieri” são aqueles que negociam o exercício de funções públicas em troca de vantagens indevidas.

A Divina Comédia é um longo poema épico e teológico escrito por Dante Alighieri no século XIV. A obra narra a viagem imaginária do próprio autor pelos três reinos do além-tumular: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. 

A primeira etapa deste investigação, em fevereriro do ano passado, utilizou o nome "Malebolge",  fazendo referência à mesma obra de Dante Alighieri, na qual os fraudadores e corruptos são punidos no inferno.

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