Cidades

Crime em Três Lagoas

Dois pegam 47 anos por tribunal do crime em MS

Vítima foi sequestrada em casa, mantida em cativeiro e executada em 2018; condenados também terão de indenizar família

Dois integrantes de uma organização criminosa foram condenados a 47 anos e 2 meses de prisão pela participação no assassinato de um jovem de 23 anos em um “tribunal do crime”, em Três Lagoas. A vítima foi sequestrada dentro de casa, mantida em cativeiro por horas e executada com um corte no pescoço. Depois, o corpo foi escondido em um eucaliptal às margens de uma rodovia.

Um dos réus recebeu pena de 26 anos e 8 meses de reclusão, enquanto a mulher apontada como integrante das deliberações da facção foi condenada a 20 anos e 6 meses, ambos em regime inicial fechado. Os dois também terão de pagar R$ 10 mil cada à família da vítima por danos morais.

O crime ocorreu em fevereiro de 2018, depois que a vítima foi acusada de manter relação sexual com uma adolescente. Segundo a denúncia, familiares da menina, que tinham ligação com integrantes da facção, acionaram o grupo para realizar o julgamento clandestino.

De acordo com o processo, 12 acusados participaram da organização do tribunal paralelo, com divisão de tarefas entre integrantes presos, comparsas que estavam em liberdade e familiares.

As decisões eram articuladas por meio de conferências telefônicas. A vítima acabou retirada de sua residência e mantida em cativeiro antes de ser assassinada. O corpo foi ocultado em uma área de eucaliptos e localizado dias depois.

A mulher condenada nesta etapa do processo foi apontada como responsável por apurar informações e participar das deliberações do grupo. Já o homem foi responsabilizado pela execução da vítima e pela ocultação do cadáver.

Penas

A maior condenação, de 26 anos e 8 meses, reúne 21 anos pelo homicídio qualificado, 4 anos e 6 meses por integrar organização criminosa armada e 1 ano, 2 meses e 11 dias-multa por ocultação de cadáver.

A segunda ré recebeu 16 anos pelo homicídio qualificado e 4 anos e 6 meses por integração à organização criminosa armada, além de 15 dias-multa.

Durante o julgamento, as defesas pediram a absolvição dos dois réus. Alternativamente, solicitaram o afastamento das qualificadoras e a redução das penas.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) defendeu a validade das provas e das perícias realizadas durante a investigação. O Tribunal do Júri rejeitou os pedidos das defesas e manteve as condenações.

Outros integrantes do grupo denunciados pelo crime ainda aguardam julgamento.

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