Cidades

Recuperação Asfáltica

Em meio a pedido de CPI do tapa-buraco, Prefeitura começa a recapear 20 km

Parceria com a Águas Guariroba prevê obras em seis vias de Campo Grande, enquanto Câmara Municipal articula CPI para investigar serviços de tapa-buraco.

Em meio à mobilização da Câmara Municipal para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar os serviços de tapa-buracos, a Prefeitura de Campo Grande iniciou um pacote de obras que prevê 20 quilômetros de recapeamento asfáltico em importantes vias da Capital.

A iniciativa, realizada em parceria com a concessionária Águas Guariroba, contempla ruas e avenidas que apresentam desgaste acentuado do pavimento e já não comportam apenas reparos pontuais.

O anúncio ocorre em um momento de crescente cobrança pela recuperação das ruas de Campo Grande, marcado por reclamações de moradores, questionamentos de vereadores sobre os gastos com manutenção viária e investigações relacionadas à execução de contratos públicos.

A primeira etapa dos trabalhos começou nesta semana e inclui a Avenida Primeiro de Maio, cuja entrega está prevista até sexta-feira (23). O pacote completo será executado em duas fases e também contempla a Rua Pedro Celestino, a Avenida Madri e as ruas Alagoas, Goiás e Paraíba.

Segundo a administração municipal, a intervenção pretende substituir pavimentos antigos por uma nova camada asfáltica, aproveitando a necessidade de modernização das redes de abastecimento de água instaladas sob as vias.

A diferença em relação à operação tapa-buraco está justamente na abrangência dos serviços. Enquanto a manutenção convencional consiste na recuperação de pontos específicos do pavimento, o recapeamento permite renovar a superfície de trechos mais extensos, alternativa indicada para locais em que o asfalto apresenta desgaste avançado.

Prefeitura reconhece desgaste do asfalto

A prefeita Adriane Lopes afirmou que o estado de conservação das vias contempladas exige intervenções mais amplas do que os serviços de manutenção realizados habitualmente pela administração municipal.

Segundo ela, o envelhecimento do asfalto compromete a eficácia dos reparos pontuais e torna necessária uma recuperação mais abrangente, especialmente em ruas e avenidas utilizadas diariamente por grande quantidade de veículos.

A avaliação da Prefeitura é que os trechos selecionados exercem papel importante na circulação urbana, tanto pelo fluxo de veículos quanto pelas conexões entre diferentes regiões de Campo Grande.

A recuperação dessas vias também busca reduzir a necessidade de intervenções frequentes em locais onde sucessivos remendos já não representam uma solução duradoura.

A administração municipal ainda não apresentou um cronograma individualizado para a conclusão de cada uma das seis vias, mas estabeleceu a execução em duas etapas, começando pelos serviços já iniciados na Avenida Primeiro de Maio.

Troca de tubulações permitirá renovar pavimento

A participação da Águas Guariroba está relacionada à necessidade de substituição e modernização de tubulações de abastecimento de água em trechos contemplados pelo projeto.

O diretor-executivo da concessionária, Clayton Bezerra, explicou que estudos técnicos identificaram a necessidade de intervenções na infraestrutura subterrânea e apontaram a recuperação integral do pavimento como a alternativa mais adequada.

A proposta permite que a substituição das tubulações seja acompanhada de melhorias na superfície das vias, reunindo duas intervenções de infraestrutura no mesmo conjunto de obras.

De acordo com o diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), Paulo Silva, a parceria está vinculada às obrigações de recomposição do pavimento pela concessionária após intervenções realizadas na rede de abastecimento.

Conforme a explicação apresentada pela agência, quando os serviços exigem cortes que atingem até metade da via, a concessionária assume a responsabilidade pela recomposição do pavimento nas condições previstas para a intervenção.

Nos trechos contemplados pelo pacote, a necessidade de substituição das tubulações levou à escolha pelo recapeamento.

A parceria permite que a execução das melhorias no sistema de abastecimento seja acompanhada pela recuperação da malha viária, evitando que a intervenção se limite ao fechamento das valas abertas durante os serviços.

O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, destacou que as obras integram o planejamento de recuperação do asfalto da Capital.

Segundo o titular da pasta, a Prefeitura também prevê novas frentes de recapeamento ainda neste semestre, com o objetivo de ampliar os serviços para outras regiões da cidade.

CPI coloca manutenção das ruas sob investigação

O início do pacote de recapeamento ocorre poucos dias depois de vereadores de Campo Grande reunirem as assinaturas necessárias para solicitar a instalação da CPI do Tapa-Buraco, que pretende investigar possíveis irregularidades em contratos, gastos públicos e a qualidade dos serviços de manutenção das ruas e avenidas da Capital.

A iniciativa ganhou força na sexta-feira (16), após uma reunião entre parlamentares. O requerimento, apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), prevê inicialmente 120 dias de investigação e ainda depende dos procedimentos regimentais para a formalização da comissão.

Entre os pontos que motivaram o pedido estão a quantidade de reclamações sobre buracos, a redução de recursos previstos para recuperação das vias e os questionamentos sobre a execução de serviços contratados pela administração municipal.

Conforme dados apresentados no requerimento, quase 9 mil das 24,6 mil indicações encaminhadas pelos vereadores à Prefeitura no primeiro semestre deste ano estavam relacionadas à necessidade de reparos no asfalto.

O documento também aponta que a previsão orçamentária para modernização e requalificação das vias urbanas caiu de mais de R$ 132 milhões, em 2025, para aproximadamente R$ 40 milhões neste ano, redução próxima de 70%.

O início das obras ocorre em meio à movimentação da Câmara Municipal para instalar a CPI do Tapa-Buraco, que pretende investigar possíveis irregularidades nos contratos e serviços de manutenção das ruas de Campo Grande.

O assunto voltou ao centro das discussões nesta terça-feira (20), quando um tumulto interrompeu a sessão em que o secretário municipal de Infraestrutura, André Moura Brandão, prestaria esclarecimentos aos vereadores.

A confusão começou após um servidor municipal quebrar uma maquete que representava um buraco no asfalto.

A proposta de CPI, apresentada pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), já reúne as assinaturas necessárias e aguarda parecer jurídico para sua instalação, com prazo inicial de 120 dias de investigação.

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