Sujeira, pichações, insegurança e presença constante de moradores de rua e usuários de drogas. Esses são alguns dos fatores que transformaram alguns pontos do centro comercial de Campo Grande, considerado abandonado, espantando clientes e fechando portas cada vez mais.
Há um ano trabalhando como chaveiro na rua 15 de Novembro, entre a rua 14 de Julho e a avenida Calógeras, Wellington Xavier, de 47 anos, já ouviu clientes falarem que tem medo da região e evitam frequentar sempre que podem.
“Muito cheiro de urina e sujeira por todo lado. De dia não vê muita gente, mas de noite começa o movimento deles [moradores de rua e usuários de drogas]. Estou há um ano aqui na região e dá medo. Muito cliente já falou que tem medo de vir”, disse.
A Polícia Militar e Guarda Municipal até passam pela região, mas mal descem da viatura, conforme o chaveiro. “É difícil ver polícia por aqui. Só passam dentro da viatura, mas nem descem. Aí não adianta”, completou.
Enquanto a reportagem do Portal Correio do Estado esteve no local na manhã de hoje (10), uma viatura da Guarda Municipal estacionou na praça em frente a Igreja Santo Antônio, mas permaneceram menos que cinco minutos no local.
Em dezembro de 2016, o Centro Integrado de Justiça (Cijus) foi inaugurado no prédio localizado na avenida Calógeras, entre as ruas Sete de Setembro e 26 de Agosto. A esperança dos comerciantes da região é que o local trouxesse mais tranquilidade e segurança à região, o que não aconteceu.
“A história de que o Cijus melhoraria a região não aconteceu. Continua do mesmo jeito. Se tem mais segurança e policiamento é lá dentro. Desde que estou aqui não mudou nada, só aumentou”, comentou o comerciante Miguel Barbosa, de 60 anos, dono de um bar em frente ao Centro.
OUTRO PONTO, MESMO PROBLEMA
Na outra ponta da Avenida Calógeras, entre a avenida Mato Grosso e a rua Antônio Maria Coelho, os poucos comerciantes que restaram na região sofrem com a presença de usuários de drogas e abandono do local.
Na esquina, o muro do Hotel Gaspar está inteiro pichado. Responsáveis pelo local contam que a história é sempre a mesma e não adianta mais pintar. O problema se agravou após o Carnaval, quando a região tinha as ruas interditadas para aglomeração de foliões.
Um pouco mais a frente, uma tapeçaria também é alvo dos pichadores. “Pintei essa porta e não durou dois dias. Já estava pichada novamente. Não temos como vencer”, comenta o tapeceiro Marcos Cassanoti, de 60 anos.
“Nos últimos seis meses piorou muito, estou aqui há dois anos e meio. Evito de ficar até tarde. Hoje que está escurecendo mais cedo, tem dia que às 16h30 já fecho. Se tenho muito serviço, ainda fico aqui dentro trabalhando, mas com a porta fechada. Dá medo. E isso afasta os clientes também. Só vem aqui quem já é meu cliente ou por indicação. Ninguém passa, vê a loja e para. O prédio está tão depredado que parece abandonado”, relata.
Em frente ao local, a Orla Ferroviária está sendo revitalizada pela Prefeitura de Campo Grande. Essa ação é uma esperança para quem vive da região. “Com a revitalização talvez resolva, mas desde que mantenham um posto policial no local. Se só passar viatura, não resolve nada. Já pensei várias vezes em me mudar, só não vou porque aqui o aluguel realmente compensa. Mas só compensa porque o ponto é aqui no meio disso tudo, ai tem que ser mais barato”, completa o tapeceiro.
Veículos do Consórcio Guaicurus permaneceram na garagem durante toda a segunda-feira na Capital - Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado


