Cidades

Folha de pagamento

Adriane Lopes dá aumento a professores para o próximo prefeito pagar

Conforme especialista, aumento contraria legislação federal e pode ser invalidado na Justiça, Tribunal de Contas por vincular dívida ao próximo gestor (a) do município

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Os aumentos salariais de servidores públicos precisam levar em conta a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). No entanto, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes pode ter violado a legislação ao conceder aos professores percentuais de reajustes até 2028.

A prefeitura conseguiu hoje (3), a aprovação do projeto de lei 11.139/23, que autoriza a repactuação do reajuste salarial dos professores da Rede Municipal de Ensino (Reme), entre os anos de 2025 e 2028.

O texto prevê reajustes de 12%, 14%, 15,79% e 10,39% nos meses de setembro de cada ano, além da reposição de 100% da correção anual do piso nos meses de maio. No entanto, o mandato de Adriane Lopes se encerra em 2024, deixando assim uma dívida futura.

Além disso, fica previsto que, em setembro de 2024, haverá a reposição de 30% da correção anual do piso e, em dezembro, outros 70%.

Ao Correio do Estado, um economista que preferiu não se identificar (direito garantido pelo sigilo de fonte), esclarece que a Prefeitura de Campo Grande, sob gestão de Adriane Lopes, só poderia pactuar reajustes a serem pagos ainda na vigência de seu mandato.

“A alteração da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) em 2020, diz que a remuneração dos professores do município não pode gerar aumento de despesa futuro. Não pode fazer conta para o outro prefeito pagar. Adriane Lopes poderia fazer dentro do mandato dela”, afirma o economista.

Veja o que diz a Lei:

Art. 21. É nulo de pleno direito:          (Redação dada pela Lei Complementar nº 173, de 2020)
I - o ato que provoque aumento da despesa com pessoal e não atenda:
a) às exigências dos arts. 16 e 17 desta Lei Complementar e o disposto no inciso XIII do caput do art. 37 e no § 1º do art. 169 da Constituição Federal; e        (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de 2020)
b) ao limite legal de comprometimento aplicado às despesas com pessoal inativo;        (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de 2020)
II - o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores ao final do mandato do titular de Poder ou órgão referido no art. 20;       (Redação dada pela Lei Complementar nº 173, de 2020)    
III - o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal que preveja parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final do mandato do titular de Poder ou órgão referido no art. 20;  (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de 2020)

Para o especialista, o reajuste anunciado pela prefeita além de ser eleitoreiro, é ilegal. “O inciso III é claríssimo e a prefeita Adriane Lopes fez reajuste até 2028, sendo que só o poderia até 2024”, pondera a respeito do mandato da prefeita que está prestes a se encerrar.

Apesar de ter sido aprovado pela Câmara Municipal de Campo Grande, nesta terça-feira (3), o aumento pode ser invalidado na Justiça, como pelo Tribunal de Contas, para não vincular dívida ao próximo gestor (a) do município.

 “O reajuste da prefeitura aos professores viola o art. 21, inciso III, da LRF.  É nulo porque o ato do executivo aumenta a despesa de pessoal com parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final do mandato da atual prefeita”, alerta.

Além disso, o economista ao analisar a situação financeira da Prefeitura de Campo Grande afirma que o caixa municipal está estourado devido a uma brecha na Lei Complementar 178/2020.

“A Prefeitura está estourada, mas isso porque a LC 178/2020 modificou a forma de contabilizar a despesa de pessoal, obrigando a apurar a despesa de pessoal pelo regime de competência (antes era regime de caixa). Isso implicou colocar uma folha a mais no balanço, estourando o limite de pessoal acima de 54%”, esclarece.

Em sua avaliação técnica, a gestora do município está fazendo tudo errado e uma das motivações ou ‘álibi’ legal para tal conduta é que a própria LC 178/2023 que não estabelece uma punição aos gestores.

“A LC 178 estabeleceu a não-punição dos gestores que estiverem nessa condição por aplicarem as regras da nova lei. No entanto, a prefeitura não pode piorar a situação atual dando reajustes adicionais para categorias específicas, exceto o dissídio coletivo anual”, finaliza o especialista.

Brecha na lei surgiu na pandemia

Brecha na lei pode eliminar a punição a prefeitos e prefeitas que deixarem o caixa municipal no vermelho. Um dispositivo inserido na Lei Complementar 173 (Lei de Socorro), criado por causa da pandemia de COVID-19, gera dúvidas no âmbito jurídico sobre a gestão das contas na transição do governo.

A Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe o gestor de, nos últimos oito meses do mandato, assumir despesas sem deixar caixa suficiente para bancá-las. Mas com a pandemia, o Congresso afastou essa regra da LRF e abriu brecha para uma série de interpretações. 

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LEVANTAMENTO

Autonomia financeira é prioridade para mulheres, aponta pesquisa

Mercado de trabalho permanece violento e desigual

07/03/2026 22h00

O levantamento confirma que o mundo do trabalho permanece desigual

O levantamento confirma que o mundo do trabalho permanece desigual Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Ter autonomia financeira para decidir sobre a própria vida está no topo das prioridades das mulheres ouvidas pela pesquisa Mulheres e Mercado de Trabalho, divulgada neste sábado (7).

O levantamento confirma que o mundo do trabalho permanece desigual e traz a percepção delas sobre práticas discriminatórias e violentas no ambiente profissional.

Realizada pela Consultoria Maya, com base no cadastro da plataforma de educação corporativa Koru, a pesquisa investigou a visão de 180 mulheres sobre trabalho e vida pessoal. Para isso, entrevistou diferentes perfis etários e etnorraciais, com exceção de indígenas.

Ao falar sobre ambições, a independência financeira foi apontada como prioridade por 37,3% delas. Em segundo lugar, estava a saúde mental e física (31%) e, em seguida, a realização profissional. Ter uma relação amorosa não é a meta nem de uma em cada dez mulheres consultadas.

"Estamos falando de ter um salário, de ter rendimento, de ter poder de decisão, não é de poder de compra", explicou a diretora da Consultoria Maya, Paola Carvalho.

A autonomia, destacou, permite à mulher sair de um relacionamento abusivo ou oferecer melhor condição de vida para a sua família.

"Autonomia financeira é condição para liberdade de escolha", frisou.

Violência e discriminação

Para muitas mulheres, o caminho para a autonomia passa pelo trabalho remunerado. No entanto, permanecem várias barreiras culturais ao acesso e à ascensão delas no mercado, apesar de terem melhor formação e currículo, segundo a visão das próprias. Entre os problemas, estão a discriminação e a violência.

Dentre as entrevistadas, 2,3% relatam ter sido preteridas em promoções, em geral, por conta da maternidade.

"Primeiro [vêm] os homens, claro, depois, mulheres sem filhos e, por último, mulheres com filhos", contou uma das mulheres ouvidas na pesquisa, que não foi identificada. "Vejo predileção em promover mulheres que não têm filhos em vez de mães", avaliou.

A violência psicológica também tem impacto na carreira. Mais de sete entre dez entrevistadas relataram ter sofrido com o problema.

Os casos incluem comentários sexistas que desvalorizam aptidões pelo fato de ser mulher , incluindo ofensas sobre a aparência delas, além de interrupções frequentes em reuniões, apropriações de ideias e questionamentos sobre a capacidade técnica.

"Meu coordenador me ofereceu um cargo acima do que eu estava e, quando aceitei, por três vezes, ele me chamou para conversar e questionar se eu achava que conseguiria", relatou uma das mulheres ouvidas.

"Em uma das vezes, ele teve a audácia de me pedir para conversar com o meu esposo sobre a minha decisão", completou outra entrevistada.

A violência no local de trabalho fez com que muitas pensassem em abrir mão do trabalho e, mesmo que muitas não tenham desistido, o problema mostra que a permanência delas no trabalho "ocorre apesar das adversidades, e não pelas condições plenamente equitativas", diz o texto.

A distribuição de cargos nas empresas evidencia o topo do problema. Segundo o levantamento, a maior parte das entrevistadas atua em posições operacionais e intermediárias, como coordenadora e gerente. Apenas 5,6% chegaram a postos na diretoria ou cargos chamados de "C-levels", que são os mais altos executivos.  

"A presença feminina diminui drasticamente à medida que os cargos se tornam mais estratégicos, revelando uma estrutura sexista por trás desse resultado", avaliou Paola.

Para mudar o quadro, a consultora sugere comprometimento, do estagiário ao CEO, com uma nova visão e atitudes profissionais no dia a dia.

"É preciso ter um olhar diferente para essas questões. Isso parte de ações individuais e institucionais", sugeriu. "Em 2026, ter esses resultados é chocante", concluiu Paola.

FUNCOC

Policiais federais de MS irão realizar nova mobilização por fundo contra o crime organizado

O sindicato anunciou que novo ato será feito na terça-feira (10), às 09h, em frente à Penitenciária Federal em Campo Grande

07/03/2026 18h30

Policiais federais de MS irão se mobilizar na próxima terça-feira (10) pela criação do FUNCOC

Policiais federais de MS irão se mobilizar na próxima terça-feira (10) pela criação do FUNCOC Ilustração / Polícia Federal

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O Sindicato dos Policiais Penais Federais em Mato Grosso do Sul (SINPPF-MS) anunciou que uma nova mobilização será feita para cobrar o governo federal pela criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Funcoc).

Em nota, a entidade afirmou que o ato inaugural será realizado na próxima terça-feira (10), às 09h, em frente à Penitenciária Federal em Campo Grande. “A iniciativa marca o início do Mobilização Nacional da Polícia Penal Federal, em momento relevante para o fortalecimento institucional das Polícias da União”, afirma

Ainda, o sindicato cita que a aprovação da PEC da Segurança abre caminho para que o Funcoc possa voltar às pautas das autoridades políticas.

“O momento institucional também se mostra oportuno diante da aprovação, pela Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública (PEC 18), que ainda seguirá para apreciação no Senado Federal. Pelo texto aprovado, vislumbra-se não apenas maior integração operacional entre as Polícias da União, como também ampliação de atribuições, o que reforça a necessidade de instrumentos adequados de financiamento para o enfrentamento às organizações criminosas”, avalia.

O sindicato reforçou que durante a mobilização serão afixadas faixas em frente à unidade prisional e que os encaminhamentos futuros da mobilização serão definidos pela Federação Nacional dos Policiais Penais Federais (FENAPPF), de acordo com o andamento das negociações junto ao governo federal.

O Funcoc é um Projeto de Lei que propõe a criação de um fundo permanente destinado a direcionar recursos provenientes da apreensão e do confisco de bens do crime organizado para o fortalecimento da Polícia Federal. Em suma, o dinheiro "arrecadado" com as atividades criminosas seriam usados pelas forças federais para combater o próprio crime organizado.

PEC da Segurança

Citado pelo sindicato na nota enviada à imprensa, a PEC da Segurança foi aprovada na Câmara dos Deputados na noite da última quarta-feira (4), com 461 votos a favor e apenas 14 contra. Agora, precisará passar por dois turnos de votação no Senado. 

Os deputados federais de Mato Grosso do Sul, Beto Pereira (PSDB), Camila Jara (PT), Dagoberto Nogueira (PSDB), Luiz Ovando (PP), Geraldo Resende (PSDB), Marcos Pollon (PL), Rodolfo Nogueira (PL) e Vander Loubet (PT), votaram, por unanimidade, a favor da PEC da Segurança Pública. 

A proposta foi elaborada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e encaminhada ao Congresso Nacional em abril de 2025. Após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), a matéria passou por análise em comissão especial e foi votada diretamente no Plenário da Câmara. A próxima etapa é a apreciação pelo Senado Federal.

O objetivo da PEC é promover a integração dos órgãos de segurança e garantir mais recursos para o setor.  Enviada ao Congresso pelo governo Lula ainda em abril de 2025, ficou por quase um ano em discussão na Câmara dos Deputados e foi aprovada com alterações no texto original. 

Entre os principais pontos do texto aprovado pelos deputados estão: mudanças na estrutura e nas competências de órgãos de segurança; regras mais rígidas para o enfrentamento ao crime organizado; e novos mecanismos de financiamento para a área.

O texto alterado foi apresentado pelo relator e deputado Mendonça Filho (União-PE), que ajustou trechos da proposta original para acomodar demandas de estados e municípios.

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