Cidades

GOLPE

Advogada fingia perder processos e ficava com indenizações de clientes

Pelo menos duas pessoas foram vítimas de golpe pela advogada, que se apropriou de mais de R$ 40 mil que deveriam ter sido pagos em processos ganhos pelos clientes

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Uma advogada de Dourados é alvo de processos judiciais, acusada de aplicar golpes em clientes e ficar com dinheiro ganho por eles em processos, se apropriando de mais de R$ 42 mil. 

Os casos foram denunciados na Polícia Civil e também foram impetradas ações na Justiça, que já tentou intimar a advogada por diversas vezes, mas ela não é encontrada nos endereços.

Em um dos casos, uma esteticista de 42 anos contratou a advogada para entrar em uma ação de rescisão contratual contra uma imobiliária, por descumprimento de contrato.

No fim do processo, a advogada chamou a cliente e informou que perdeu a causa e que a mulher teria uma dívida de R$ 23 mil a pagar para a empresa.

A esteticista, desconfiada, procurou uma nova defensora, que checou o processo e constatou que a primeira advogada não só havia ganho o processo, como havia sacado o valor de R$ 19.755,82 em duas oportunidades, referente a condenação da imobiliária por descumprimento de contrato, e R$ 2.270,48 referente a um caução que a vítima havia depositado no início do processo.

Com as informações, a vítima procurou novamente a advogada para que ela justificasse o valor sacado. A mulher, então, apresentou um cálculo e disse que iria repassar apenas R$ 7.519,24 à vítima e que a diferença, de mais de R$ 13 mil, pois 60% seriam referentes a honorários e que ela estaria respaldada por contrato.

O contrato, no entanto, não tinha previsão de honorários no êxito, sendo apenas o valor de R$ 3,5 mil, que foi pago pela esteticista, de forma parcelada, na propositura da demanda.

A cliente questionou e a advogada disse que havia um segundo contrato e que enviaria toda a documentação.

Após nove meses, ela enviou um contrato supostamente assinado pela cliente, que nega ter conhecimento de assinar o documento. Além disso, foi enviado documento digitalizado, mas a mulher se negou a encaminhar ou apresentar o original, levantando a suspeita de que ela copiou a assinatura feita pela vítima no contrato original.

“Caso a autora não tivesse procurado outro profissional para saber a verdade dos fatos, a ré jamais teria pago qualquer valor, pois no primeiro momento informou que o processo havia sido perdido”, diz a petição.

No processo, a atual advogada da vítima pede a condenação da acusada pede:

  • Declaração de nulidade do contrato de honorários supostamente assinado pela esteticista
  • Indenização pelos danos materiais no valor de R$ 32.797,19, corrigidos e com juros de mora de 1%
  • Indenização por danos extrapatrimoniais levando em conta tanto o caráter reparatório quanto a função punitiva e educativa do dano moral no valor de R$ 30 mil, corrigido com juros de 1% ao mês

Indenização por danos morais pela apropriação da verba por quase um ano, no valor de R$ 30 mil.

A Justiça marcou audiência, incluindo de conciliação entre as partes, mas a advogada não foi encontrada pelo oficial de justiça em diversas ocasiões em que tentou intimá-la.

Outro caso

Em outro caso, três empresários, proprietários e sócios de uma empresa de mídia e marketing, contrataram a advogada para propor uma ação de obrigação de fazer com indenização de danos materiais e morais contra o Facebook.

O pedido foi julgado procedente e o Facebook foi condenado a indenizar os empresários em R$ 10 mil cada um por danos morais, além de pagar as custas processuais.

O processo transitou em julgado, mas a advogada omitiu e mentiu informações para os clientes, como por exemplo, apresentando um valor inferior ao devido.

Além disso, ao entrarem em contato com Eveline para questionar sobre o pagamento, ela informou que o valor ainda não tinha sido pago.

Após passado meses da decisão, os empresários estranharam a demora e procuraram o cartório da Vara, em busca de informações, e foram surpreendidos pela informação de que os autos estavam arquivados e que o valor já havia sido sacado.

Eles descobriram que o dinheiro foi debitado em conta da advogada e que ela nunca repassou o valor, além de, posteriormente, alegar que teria retido mais de R$ 8 mil por supostos honorários advocatícios, sendo que o valor previsto em contrato era de R$ 2.042,92.

Diante dos fatos, também foi registrado boletim de ocorrência na Polícia Civil e impetrada ação na Justiça, visando a indenização pelo prejuízo, que hoje chega ao montante de R$ 26.311,74 de dano material, além de R$ 15 mil a título de dano moral.

Assim como no caso da esteticista, juiz da 1ª Vara do Juizado Especial Cível e Criminal marcou audiência de conciliação e outras audiências, que foram canceladas pois a advogada não foi encontrada para intimação em nenhum dos vários endereços informados.

Os processos seguem em andamento.

A advogada entrou em contato com o Correio do Estado e o espaço segue aberto para manifestação.

Infraestrutura

Governo autoriza desapropriações de terras para acesso à megafábrica da Arauco

Medida do Estado de MS atinge propriedades rurais em Inocência, incluindo terras da própria Arauco, para viabilizar obras de acesso pela MS-377.

20/10/2026 16h16

Obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, avançam enquanto governo autoriza desapropriações para acesso pela MS-377.

Obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, avançam enquanto governo autoriza desapropriações para acesso pela MS-377. Foto: Divulgação/Arauco.

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O Governo de Mato Grosso do Sul autorizou a desapropriação de áreas rurais no município de Inocência para viabilizar obras de implantação e pavimentação da rodovia MS-377, que dará acesso ao Projeto Sucuriú, da multinacional Arauco. Entre as propriedades atingidas pelas medidas está uma fazenda pertencente à própria empresa de celulose, responsável pelo empreendimento industrial na região.

As autorizações constam de quatro decretos assinados pelo governador Eduardo Riedel (PP) na segunda-feira (19) e publicados no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (20).

Os atos declaram de utilidade pública cinco áreas pertencentes a quatro imóveis rurais e permitem que o Estado conduza os procedimentos de desapropriação por meio de acordos administrativos ou ações judiciais.

A medida representa mais uma etapa administrativa para a execução da infraestrutura rodoviária destinada a atender a região do complexo industrial.

Além da autorização para desapropriar os terrenos, o governo abriu a possibilidade de solicitar a posse urgente das áreas, mecanismo previsto na legislação federal para situações de interesse público.

O trecho contemplado pelos decretos compreende a ligação entre o limite dos municípios de Três Lagoas e Inocência, na ponte sobre o Rio Sucuriú, e o entroncamento das rodovias MS-112 e MS-316, incluindo o acesso ao Projeto Sucuriú.

A intervenção é destinada à implantação e à pavimentação asfáltica da MS-377. A adequação desse corredor rodoviário está diretamente relacionada à estrutura de acesso ao empreendimento da Arauco, embora os decretos não detalhem quais etapas da obra serão executadas inicialmente.

Terras da própria Arauco estão entre as áreas atingidas

Um dos pontos que chamam a atenção nas publicações é a inclusão de uma propriedade registrada em nome da Arauco Celulose do Brasil S.A. entre os imóveis declarados de utilidade pública.

Conforme o Decreto Estadual nº 78, duas parcelas da Fazenda Bela Ideia - Parte 1, localizada em Inocência, poderão ser desapropriadas para a implantação da rodovia. As áreas possuem aproximadamente 3,1 hectares e 0,2 hectare, totalizando 3,3 hectares, equivalentes a cerca de 33 mil metros quadrados.

O imóvel está registrado sob a matrícula nº 9.695 no Serviço Registral de Imóveis da Comarca de Inocência. A declaração de utilidade pública também alcança as benfeitorias existentes nas parcelas descritas pelo governo.

A inclusão de terrenos pertencentes à própria companhia demonstra que a execução do acesso rodoviário envolve áreas sob diferentes titularidades, inclusive da empresa beneficiada pela ligação viária.

Outras três propriedades aparecem nos decretos publicados nesta terça-feira.

O Decreto nº 79 autoriza a desapropriação de aproximadamente 0,24 hectare da Fazenda São João, registrada em nome da Falcão MS SPE S.A. Já o Decreto nº 80 contempla cerca de 1,9 hectare da Fazenda Portinho, vinculada a proprietários particulares.

Por fim, o Decreto nº 81 declara de utilidade pública uma parcela de aproximadamente 0,27 hectare da Fazenda São Francisco, também localizada em Inocência.

Todos os imóveis estão relacionados ao mesmo projeto rodoviário e foram identificados por matrículas imobiliárias, levantamentos de coordenadas geográficas e memoriais descritivos que delimitam as parcelas destinadas à intervenção.

Governo poderá solicitar posse urgente dos imóveis

Os quatro decretos autorizam a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul) a adotar as providências necessárias à efetivação das desapropriações, em articulação com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

Obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, avançam enquanto governo autoriza desapropriações para acesso pela MS-377.Complexo industrial da Arauco, em Inocência, contará com ligação rodoviária contemplada pelas obras previstas na MS-377. Foto: Divulgação/Arauco.

 

O procedimento poderá ocorrer de forma amigável, mediante negociação com os proprietários, ou judicialmente, caso não seja possível chegar a um acordo.

As normas também permitem que o Estado invoque caráter de urgência para solicitar a imissão imediata na posse dos terrenos, conforme o artigo 15 do Decreto-Lei Federal nº 3.365, de 1941, que regulamenta as desapropriações por utilidade pública.

Na prática, esse instrumento possibilita ao poder público buscar a posse das áreas antes da conclusão definitiva de todas as etapas do processo, desde que sejam cumpridos os requisitos legais, incluindo as condições aplicáveis à indenização.

A autorização, entretanto, não significa que o governo já tenha assumido a posse das propriedades ou concluído o pagamento de indenizações. Os decretos estabelecem a base legal para o início ou prosseguimento dessas providências administrativas e judiciais.

As despesas decorrentes das medidas serão custeadas por recursos vinculados à execução de obras rodoviárias, conforme a classificação orçamentária indicada nos atos oficiais.

Obras fazem parte do acesso ao Projeto Sucuriú

A infraestrutura rodoviária integra as etapas de implantação do Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência. A pavimentação da MS-377 permitirá melhorar o acesso ao complexo industrial e fortalecer a ligação entre propriedades rurais, municípios vizinhos e importantes rodovias da região.

Com os decretos em vigor desde esta terça-feira (20), o Governo do Estado poderá avançar nos procedimentos de desapropriação das áreas necessárias à execução das obras.

A Agesul, em conjunto com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), ficará responsável pelas providências administrativas e judiciais.

Os recursos para as desapropriações estão vinculados ao orçamento estadual destinado à infraestrutura rodoviária. Os decretos, entretanto, não especificam os valores das indenizações nem o prazo de conclusão das intervenções na MS-377.

Com a publicação dos decretos, em vigor desde esta terça-feira, o governo passa a contar com autorização formal para avançar nos procedimentos de obtenção das áreas necessárias à intervenção.

A medida integra a preparação do corredor rodoviário que atenderá ao Projeto Sucuriú e à circulação na região de Inocência.

Megafábrica da Arauco já alcança 81% de conclusão

A construção da megafábrica de celulose da Arauco, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, já alcançou 81% de execução e entrou em uma das fases mais intensas de implantação.

Obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, avançam enquanto governo autoriza desapropriações para acesso pela MS-377.Estruturas da megafábrica da Arauco durante a construção do Projeto Sucuriú, um dos maiores empreendimentos industriais privados do País. Foto: Divulgação/Arauco.

 

Com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 25 bilhões, o empreendimento está entre os maiores projetos industriais privados em construção no Brasil.

O avanço das obras reforça a importância da infraestrutura rodoviária para garantir o acesso ao complexo industrial e atender à movimentação de trabalhadores, equipamentos e cargas na região.

Segundo a companhia, os trabalhos seguem dentro do planejamento estabelecido, e a previsão de entrada em operação da unidade permanece para o último trimestre de 2027, entre outubro e dezembro.

 

Serviço

MS entra em sistema nacional de busca de imóveis por CPF

Plataforma permite consultar registros imobiliários de todo o Estado em uma única pesquisa on-line, disponível também para buscas por CNPJ

20/10/2026 16h05

Movimentação em cartório de Campo Grande

Movimentação em cartório de Campo Grande Arquivo/Correio do Estado

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Mato Grosso do Sul passou a integrar um sistema nacional que permite consultar registros de imóveis vinculados a CPF ou CNPJ em uma única pesquisa on-line. Lançada neste mês, a Pesquisa Nacional de Bens reúne informações dos cartórios de Registro de Imóveis dos 26 estados e do Distrito Federal.

Disponível na plataforma RI Digital, o serviço funciona 24 horas por dia e apresenta o primeiro resultado em menos de um minuto, segundo a Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso do Sul (Anoreg/MS).

A ferramenta amplia o alcance de um serviço anterior, restrito a dez unidades da Federação, que acumulou mais de 4,3 milhões de consultas desde 2021. Desse total, 1,14 milhão ocorreu em 2025 e mais de 800 mil nos primeiros oito meses de 2026.

Um resultado positivo não significa necessariamente que a pessoa consultada seja a atual proprietária do imóvel. O CPF ou CNPJ pode aparecer na matrícula como proprietário, locatário, fiador ou titular de outro direito, inclusive em registros antigos.

Para confirmar a natureza do vínculo, é possível solicitar uma certidão digital ou recorrer à Pesquisa Qualificada, modalidade que aprofunda a busca e acumulou 8,8 milhões de consultas desde 2021. Somadas às pesquisas anteriores, as duas modalidades ultrapassam 13 milhões de consultas no período.

Se algum cartório estiver temporariamente indisponível, o sistema realiza novas tentativas automáticas a cada 20 minutos, por até três vezes, para tentar completar a consulta em até uma hora.

Como consultar

  • Acesse ridigital.org.br.
  • Localize a opção Pesquisa Nacional de Bens e siga as instruções para informar o CPF ou CNPJ.
  • Escolha entre pesquisar em todo o Brasil ou selecionar estados específicos.
  • Informe a finalidade da consulta e confira as condições e o valor antes de concluir o pedido.
  • Consulte o resultado.
  • Se precisar confirmar o vínculo com o imóvel, solicite uma certidão digital ou faça uma Pesquisa Qualificada.

A plataforma informa quais unidades estão com os acervos indisponíveis antes do pagamento. A ampliação nacional foi viabilizada pela digitalização e organização dos dados dos cartórios, processo que continua em andamento.

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