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Aena vai à Justiça para expulsar inadimplentes do Aeroporto de Campo Grande

Concessionária quer despejo de permissionários do aeroporto e empresa de logística

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Depois de um ano na administração do Aeroporto Internacional de Campo Grande, a Aena, concessionária do local, decidiu varrer do sítio aeroportuário empresas permissionadas pela Infraero que não estavam honrando os compromissos assumidos.

A estatal espanhola que administra, além de Campo Grande, aeroportos do interior de MS, como os de Ponta Porã e Corumbá, e ainda tem a gestão do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ingressou nos últimos meses com dois pedidos de reintegração de posse para expulsar das dependências sob sua concessão a empresa que operava o principal estacionamento do local, a GJ de Souza Júnior Serviços ME.

A Aena também quer a expulsão de uma área de 116 mil m² de uma empresa de logística, a Liv Cargo, que ocupa uma área do outro lado da Avenida Duque de Caxias, mas que pertence à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e também está sob concessão da Aena.

O estacionamento

Desde o início do ano, a Aena Brasil e a GJ de Souza Júnior Serviços travam uma batalha judicial pelo estacionamento do Aeroporto Internacional de Campo Grande, um dos espaços mais nobres do local.

A concessionária, estatal espanhola que passou a ser responsável pela gestão do aeroporto da capital de Mato Grosso do Sul em 2023, tem em mãos uma liminar concedida no mês passado para que a empresa que ocupa o estacionamento desde 2020 seja despejada. Desde o dia 23 de outubro, obteve autorização do juiz Thiago Nagasawa Tanaka para realizar o despejo à força, com reforço policial e ordem de arrombamento.

Em primeira instância, o magistrado da 2ª Vara Cível de Campo Grande, Thiago Nagasawa Tanaka, não acatou os pedidos de reconsideração da liminar com base nos argumentos apresentados e manteve a ordem de despejo.

Nota enviada pela Aena ontem, contudo, indica que o despejo à força talvez não seja mais necessário.

A administradora do Aeroporto Internacional de Campo Grande entregou a gestão do estacionamento para a Estapar, empresa que mais administra estacionamentos no Brasil e que deve estrear na capital de Mato Grosso do Sul gerenciando o estacionamento do principal aeródromo da cidade.

“O estacionamento do Aeroporto de Campo Grande receberá investimentos para aumentar a comodidade e segurança dos usuários, com a criação de 50 vagas cobertas para carros e motos, além de uma área dedicada exclusivamente a caminhonetes, com vagas maiores para esse tipo de veículo”, informou a Aena.

 

A concessionária também prevê a instalação de equipamentos de controle automatizado, novas câmeras de monitoramento, câmeras que farão a leitura das placas dos automóveis, além de estações de pagamento automático e via aplicativo.

“Está programada, ainda, a reforma da estrutura de sinalização horizontal, piso, iluminação e cercamento do estacionamento. A previsão é que os serviços sejam concluídos até meados de 2025”, informou a concessionária. A estatal espanhola, que é a maior administradora de aeroportos do Brasil, também informou que a Estapar implementará o agendamento online do estacionamento.

“A Aena está focada em melhorar a experiência do passageiro que utiliza o Aeroporto de Campo Grande, desde o momento da chegada até o embarque para o voo. Nos próximos meses, haverá muitas outras novidades para os nossos clientes na capital sul-mato-grossense”, afirma Juan Jose Sanchez Guinoza, diretor comercial da Aena.

A disputa

A concessionária do aeroporto alega que o permissionário do estacionamento deve mais de R$ 2,1 milhões, montante que corresponde às outorgas em atraso (a maioria nunca foi paga) e ao percentual de 40% sobre o faturamento que deveria ter sido repassado à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e, agora, à Aena.

Por outro lado, a empresa que administra o estacionamento em frente ao terminal de embarque e desembarque do Aeroporto Internacional de Campo Grande recorre a uma ação revisional, em que solicita a revisão do contrato de concessão firmado com a Infraero em 2020, alegando que ele foi praticamente descumprido. A empresa também afirma que, mesmo após mais de quatro anos da chegada do novo coronavírus, ainda sofre os impactos da pandemia.

A empresa de logística

No processo em que pede o despejo da Liv Cargo, a Aena Brasil ainda não obteve uma decisão favorável. No entanto, existe uma decisão da Justiça Federal, em favor da Infraero, antiga administradora do local, para despejar a antiga permissionária.

Terreno ocupado pela Liv Cargo/Gerson Oliveira

O contrato de permissão da Liv Cargo deixou de vigorar em 31 de março de 2023. Desde então, apesar das sucessivas tentativas de despejo, a empresa de logística continua ocupando uma das áreas do sítio aeroportuário, localizada na Avenida Wilson Paes de Barros, 178, na Vila Eliane.

A Aena, na peça processual em que pede a reintegração de posse, alega que a área nem sequer tem sido usada para logística, tendo recebido um circo no local em meados deste ano. Há até uma foto de um elefante no local.

Investimentos

Desde que assumiu um bloco de 11 aeroportos nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pará, a Aena promete investimentos de mais de R$ 4 bilhões.

Para Campo Grande, estão previstas obras estruturais no terminal de embarque, com a construção de mais um piso exclusivamente para embarque, cujo acesso às aeronaves será feito por meio das pontes de embarque, também conhecidas como “fingers” no Brasil e “jet bridges” em países de língua inglesa. As obras estavam programadas para começar no segundo semestre deste ano, mas agora a concessionária espanhola - uma empresa estatal daquele país europeu - adiou o início dos trabalhos para 2025.

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unanimidade

TRF3 anula condenação de Edson Giroto, cunhado e ex-mulher na Lama Asfáltica

Desembargador determina que processo retorne para nova análise em primeiro grau, denúncia continua válida

06/08/2026 15h30

 Ex-secretário estadual de Obras Públicas e ex-deputado federal Edson Giroto teve condenação por lavagem de dinheiro anulada

Ex-secretário estadual de Obras Públicas e ex-deputado federal Edson Giroto teve condenação por lavagem de dinheiro anulada Foto: Arquivo / Correio do Estado

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A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) anulou, por unanimidade, a condenação do ex-secretário estadual de Obras Edson Giroto, do cunhado dele, Flávio Henrique Garcia Scrocchio, e da ex-mulher dele, Rachel Rosana de Jesus Portela Giroto, por lavagem de dinheiro. 

A decisão, relatada pelo desembargador federal Paulo Gustavo Guedes Fontes e assinada eletronicamente em 4 de agosto, anula tanto a sentença de 2019 quanto o acórdão de 2021 que a confirmou e mandou repetir toda a instrução em primeira instância. 

O motivo é a suspeição, já reconhecida em definitivo pela Justiça, do juiz federal que conduziu o processo e sentenciou os três réus. O caso integra a Operação Lama Asfáltica, que apura desvios de recursos públicos em Mato Grosso do Sul e tem entre os investigados o ex-governador André Puccinelli.

Fazenda Encantado do Rio Verde

O processo, que tramita desde 2016 na Justiça Federal de Campo Grande, apura a compra da fazenda Encantado do Rio Verde, negociada em 2015 por R$ 7,63 milhões com o produtor Arino Fonseca Marques. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o comprador de fato do imóvel foi Edson Giroto, então secretário de Estado de Obras Públicas e Transportes do governo André Puccinelli, mas o negócio foi formalizado em nome do cunhado dele, Flávio Scrocchio, usado como testa de ferro.

Giroto ocupou a Secretaria de Obras do Estado nos governos Puccinelli entre 2007 e 2010 e novamente em 2013 e 2014, período em que supervisionava a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul). Antes disso, também foi secretário de Obras da Prefeitura de Campo Grande, nos dois mandatos de Puccinelli como prefeito, entre 1997 e 2004.

Segundo a acusação e a sentença de primeiro grau, o dinheiro usado na compra da fazenda teria origem em propina paga a Giroto por empresas contratadas pela Agesul, em especial a Proteco Construções e a Ase Participações, do empresário João Alberto Krampe Amorim, apontado como operador de repasses a agentes públicos ligados à Lama Asfáltica. 

O MPF listou como crimes antecedentes da lavagem fraudes e superfaturamento em obras públicas: a duplicação da Avenida Lúdio Coelho, em Campo Grande; a pavimentação da rodovia MS-430; obras na MS-040 e na BR-359; a conservação de estradas não pavimentadas; o esgotamento sanitário de Dourados; e contratos apontados como fictícios de locação de máquinas com a Proteco.

O pagamento da fazenda, segundo os autos, foi feito em quatro parcelas: R$ 1,5 milhão dado em pagamento com um imóvel de Rachel Giroto na Rua Ingazeira, em Campo Grande, onde funcionava um salão de beleza dela; e outras três parcelas, de R$ 2 milhões, R$ 1 milhão e R$ 3 milhões, pagas por transferências em nome de Flávio Scrocchio.

Provas PF

A sentença e o acórdão de 2021 se apoiaram em relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU), laudo da Polícia Federal, dados da Receita Federal e interceptações telefônicas para sustentar que a empresa Terrasat Engenharia e Agrimensura, formalmente de Flávio Scrocchio, era, na prática, controlada por Edson Giroto, e que por ela passou dinheiro de origem ilícita depois usado na compra da fazenda.

Entre os elementos citados pelos magistrados estão e-mails de funcionários da Terrasat enviados à secretária de Giroto; um rascunho de alteração societária da empresa encontrado na casa dele; a presença pessoal de Giroto nas negociações com o vendedor Arino Fonseca Marques, segundo depoimento do próprio produtor; e a administração das fazendas em nome de Flávio por Osvaldo de Rossi Junior, o "Junião", que fora secretário parlamentar de Giroto quando ele era deputado federal.

A Polícia Federal também identificou, em laudo pericial, mais de R$ 100 milhões em contratos de locação de máquinas entre a Proteco e outras empresas contratadas pela Agesul, inclusive a JBS, que não atua no setor de construção, sem qualquer reajuste entre 2010 e 2015, período em que o setor teve alta acumulada superior a 40%. 

Segundo a investigação, esses contratos serviam para a Proteco arrecadar propina de outras empreiteiras e repassá-la a agentes públicos. Em 2014, porém, os pagamentos correram no sentido inverso: a própria Proteco pagou cerca de R$ 1,5 milhão à Terrasat por locações, valor que a acusação interpretou como propina a Giroto.

Interceptações telefônicas juntadas ao processo registram conversas de Edson Giroto com João Amorim e com um engenheiro da Proteco sobre encontros e cobranças ligados às obras da Agesul.

A condenação e o recurso de 2021

A 3ª Vara Federal de Campo Grande condenou os três réus em 14 de março de 2019 pelo crime de lavagem de dinheiro: Edson Giroto a 9 anos, 10 meses e 3 dias de reclusão, em regime fechado; Flávio Scrocchio a 7 anos, 1 mês e 15 dias, também em regime fechado; e Rachel Giroto a 5 anos e 2 meses, em regime semiaberto. 

O juiz também decretou o perdimento, em favor da União, da fazenda Encantado do Rio Verde e do imóvel da Rua Ingazeira, além de sequestro de bens para reparação de danos no mesmo valor da fazenda.

Em 15 de março de 2021, a 5ª Turma do TRF3, por maioria, manteve a condenação, mas reduziu as penas: 5 anos e 3 meses de reclusão para Edson Giroto, em regime semiaberto; 4 anos para Flávio Scrocchio, em regime aberto, substituídos por prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária de 50 salários mínimos; e 3 anos e 6 meses para Rachel Giroto, também em regime aberto, substituídos por prestação de serviços e prestação pecuniária de 20 salários mínimos. 

A Turma também afastou a reparação de danos, por entender que o Ministério Público não a havia pedido de forma autônoma na denúncia, e excluiu o perdimento do imóvel da Rua Ingazeira, por falta de provas de má-fé de Arino Fonseca Marques na negociação. Já o perdimento da fazenda Encantado do Rio Verde foi mantido.

Suspeição do juiz

O processo ficou suspenso a partir de junho de 2023, à espera do desfecho de uma exceção de suspeição movida contra o juiz federal Bruno Cezar da Cunha Teixeira, responsável pela 3ª Vara Federal de Campo Grande e por vários processos da Lama Asfáltica, entre eles o que condenou Giroto, Scrocchio e Rachel Giroto em 2019. 

A 5ª Turma do TRF3 também havia reconhecido, em outro processo, que o magistrado adotara "postura inquisitorial e acusatória" nas audiências, colhendo ele mesmo elementos de acusação em papel que caberia ao Ministério Público, o que comprometeria sua imparcialidade. 

A decisão declarou nulos os atos praticados pelo juiz a partir do recebimento da denúncia em cada processo sob sua condução, com efeitos estendidos às demais ações da operação.

O MPF recorreu ao Superior Tribunal de Justiça, mas o recurso foi negado em decisão monocrática do ministro Carlos Pires Brandão, e um agravo posterior não foi conhecido, tornando definitiva a suspeição do magistrado.

Decisão desta semana

Com a suspeição confirmada, as defesas de Giroto e de Scrocchio pediram a nulidade de todos os atos do processo a partir do recebimento da denúncia. O relator, desembargador Paulo Fontes, o mesmo que relatou o acórdão de 2021, decidiu que, como a denúncia neste caso foi recebida por um juiz diferente do que depois foi declarado suspeito, esse ato específico permanece válido. 

Mas toda a instrução seguinte, testemunhas ouvidas, interrogatórios, e a própria sentença condenatória de 2019, assinada pelo juiz suspeito, foi anulada. Como consequência, o acórdão de 2021 desta mesma 5ª Turma, que havia julgado os recursos contra aquela sentença, também caiu.

A Turma determinou o retorno do processo à 3ª Vara Federal de Campo Grande, agora sob outro juiz, para que sejam repetidos os interrogatórios e a oitiva de testemunhas, com nova sentença ao final. 

Determinou ainda o levantamento das medidas cautelares pessoais e patrimoniais hoje em vigor contra os três réus, sem prejuízo de o novo juízo reavaliar, de forma fundamentada, a necessidade de impor outras.

Evento

Congresso estadual debate os desafios e o futuro do Direito das Famílias e Sucessões

Evento será realizado em Campo Grande nos dias 12 e 13 de agosto

06/08/2026 15h15

Evento será realizado no Bioparque do Pantanal

Evento será realizado no Bioparque do Pantanal Gerson Oliviera

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Campo Grande recebe, nos dias 12 e 13 de agosto, o V Congresso Estadual de Direito das Famílias e Sucessões do Instituto Brasileiro de Direito de Família – Seccional Mato Grosso do Sul (IBDFAM/MS), que neste ano traz como tema "Entre o Presente e o Futuro". O evento reunirá especialistas de diferentes regiões do país para discutir temas relacionados ao Direito das Famílias e das Sucessões, área que acompanha as transformações da sociedade e influencia diretamente a vida das pessoas.

A programação começa na quarta-feira (12), às 18h30, no Auditório do Bioparque Pantanal, com a solenidade de abertura. Em seguida, às 19h30, o jurista Eduardo Cambi ministra a palestra de abertura sobre "Lawfare de Gênero no Direito das Famílias".

Na quinta-feira (13), das 8h30 às 18h30, o congresso contará com cinco painéis temáticos abordando assuntos como inventário extrajudicial, governança conjugal, planejamento sucessório, guarda compartilhada, tutela antecipada nas ações de família, coordenação de parentalidade, holding rural e fraudes na partilha de bens.

O congresso é voltado a advogados, magistrados, membros do Ministério Público, defensores públicos, professores, estudantes de Direito e demais profissionais interessados em acompanhar as discussões sobre os desafios contemporâneos das relações familiares e sucessórias.

A cerimônia de abertura será realizada no Auditório do Bioparque Pantanal, localizado na Avenida Afonso Pena, nº 6.277, Chácara Cachoeira, em Campo Grande. A confirmação de presença pode ser feita pelo telefone (67) 99635-1249. 

 

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