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Agências de trânsito e de regulação têm dados divergentes sobre as gratuidades

Enquanto Agereg diz que as viagens gratuitas quase duplicaram, Agetran mostra que alta foi menor

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Uma grande divergência de dados foi identificada entre a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg). A diferença – considerável, por sinal – é em relação aos dados sobre o transporte coletivo de Campo Grande.

Enquanto a autarquia responsável por gerir o contrato de concessão aponta um aumento de 87,6% na quantidade de viagens gratuitas, a municipalidade destinada ao transporte e ao trânsito viu aumento de apenas 14,7% entre 2022 e 2023 nas viagens com o benefício.

Os dados de ambas as agências foram solicitados pelo Correio do Estado por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). O mecanismo foi utilizado em função das contradições e das dificuldades de acesso aos dados relativos ao Consórcio Guaicurus.

Como já reportado pelo Correio do Estado, os dados da Agereg indicam um crescimento extremo entre 2022 
e 2023. Conforme a autarquia, em planilha enviada à equipe de reportagem, uma tabela mostra que, em 2022, foram registradas 4.766.650 viagens gratuitas no transporte coletivo de Campo Grande, enquanto no ano passado esse benefício foi concedido em 8.942.414 viagens.

Já a Agetran, que é por onde os beneficiários fazem o cadastro para receber o passe livre, em 2022, foram registradas 3.613.824 viagens gratuitas com o passe do estudante (tanto da rede de ensino municipal e estadual quanto das escolas particulares e das universidades). No caso dos idosos e das pessoas com deficiência (PCDs), o número foi de 4.143.041. Com isso, o total de viagens gratuidades no período foi de 7.756.865.

No ano passado, a autarquia registrou um aumento relativamente normal, com 4.215.328 viagens com o passe do estudante e 4.684.118 entre idosos e PCDs, o que totaliza 8.899.446 passagens gratuitas.

Segundo fontes da agência de trânsito, a diferença entre a Agereg e a Agetran, no caso de 2023, que é de apenas 43.968 passageiros, pode ser explicada pelas outras pessoas que também têm o direito à gratuidade em Campo Grande, como presidentes de bairro e de associações beneficentes, entre outros, os quais não constam na tabela.

Porém, as fontes não souberam informar o motivo da Agereg “esquecer” quase 3 milhões de viagens relativas a 2022, em que está a maior discrepância entre os dados.

SUBSÍDIO

O problema no “sumiço” dessas quase três milhões de viagens gratuitas pode ser refletido em um aumento desproporcional na concessão do subsídio referente às gratuidades.

Isso porque, desde 2022, a Prefeitura de Campo Grande e o governo do Estado destinam um valor ao Consórcio Guaicurus para as gratuidades do passe do estudante aos alunos da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande (Reme) e da Rede Estadual de Ensino (REE), respectivamente, além do passe livre para PCDs.

Um crescimento como o indicado pela Agereg, em que praticamente dobraram as viagens gratuitas, poderia refletir no aumento do valor desses repasses, que têm teto mensal de R$ 1,3 milhão no caso do município e de R$ 1 milhão para o Estado.

Só no ano passado, quando o Consórcio Guaicurus recebeu também parcelas referentes aos idosos por parte do governo federal, o benefício chegou a aproximadamente R$ 30 milhões.

TCE-MS

O aumento exorbitante apresentado pela Agereg e noticiado com exclusividade pelo Correio do Estado na semana passada chamou atenção do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), que deve encaminhar pedido de esclarecimento sobre os dados para a autarquia municipal.

O pedido de explicações, conforme apurado pela reportagem com fontes do Tribunal, deve ser encaminhado ainda nesta semana ao diretor-presidente da Agereg, Odilon de Oliveira. Resta saber agora qual das duas autarquias da Prefeitura de Campo Grande têm os dados corretos sobre as gratuidades.

SAIBA

Enquanto as autarquias da Prefeitura de Campo Grande não se entendem sobre as gratuidades do transporte coletivo urbano, a gestão do município ainda não definiu qual será a nova tarifa pública do ônibus. A promessa era de que no início deste mês haveria o reajuste. Porém, até a noite de ontem, o novo valor ainda segue sem divulgação.

Saúde

Mais de 21 mil crianças já receberam vacina contra pneumonia em MS

Pneumo 20 passou a fazer parte do calendário infantil em 2026 e protege contra 20 sorotipos da bactéria pneumococo

15/09/2026 18h00

Reprodução/Agência Brasil-Tomaz Silva

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Mais de 21,7 mil crianças menores de 5 anos já receberam a vacina Pneumo 20 em Mato Grosso do Sul desde o início da estratégia de vacinação, em junho. O imunizante passou a integrar o Calendário Nacional de Vacinação em 2026 e amplia a proteção contra doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, entre elas pneumonia e meningite.

No Brasil, mais de 1 milhão de crianças dessa faixa etária já foram vacinadas desde o início da estratégia. A Pneumo 20 protege contra 20 sorotipos do pneumococo e também oferece proteção contra otite média, que pode provocar complicações, inclusive perda auditiva.

A vacinação contra o pneumococo é voltada principalmente à prevenção das formas graves da doença, que podem evoluir para complicações e levar à internação, especialmente entre crianças pequenas.

Entre 2023 e 2025, foram registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica no Brasil, com 1,4 mil mortes. A taxa de letalidade no período foi de 30%. Entre crianças menores de 5 anos, foram 589 casos e 187 óbitos.

Esquema de vacinação

A substituição da Pneumo 10 pela Pneumo 20 ocorre de forma gradual, enquanto os estoques da vacina anterior ainda são utilizados na rede pública. Por isso, o esquema infantil passa temporariamente pela combinação dos dois imunizantes.

Para crianças que estão iniciando a vacinação, a orientação é receber a Pneumo 20 aos 2 meses, a Pneumo 10 aos 4 meses e o reforço da Pneumo 20 aos 12 meses. O intervalo mínimo entre a segunda dose e o reforço é de 60 dias.

Crianças que já completaram o esquema com a Pneumo 10 não precisam receber uma dose adicional da Pneumo 20. Já aquelas que iniciaram a vacinação com Pneumo 13 ou Pneumo 15 na rede privada podem completar o esquema com a Pneumo 20 pelo SUS, respeitando os intervalos recomendados.

Após o fim dos estoques da Pneumo 10, todas as doses do esquema infantil passarão a ser feitas com a Pneumo 20.

Pais e responsáveis devem conferir a situação vacinal das crianças na caderneta de vacinação e procurar uma unidade de saúde caso haja alguma dose pendente. O histórico também pode ser consultado pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.

greve

Impasse sobre plano de saúde trava acordo e agências da Caixa seguem fechadas em MS

Greve começou no dia 10 de setembro e permanece por tempo indeterminado; nova rodada de negociação está prevista para esta quarta

15/09/2026 17h44

Greve dos funcionários da Caixa continua por tempo indeterminado

Greve dos funcionários da Caixa continua por tempo indeterminado Foto: Eduardo Miranda / Correio do Estado

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Funcionários da Caixa Econômica Federal seguem em greve pelo sexto dia, com todas as agências de Mato Grosso do Sul fechadas, assim como ocorre a nível nacional. As negociações não resultaram em acordo devido a um impasse relacionado ao plano de saúde.

A presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região, Neide Maria Rodrigues, explicou que a reivindicação da categoria era de reajuste salarial pela inflação, mais 5% de ganho real, além do plano de saúde no esquema 70/30, em que o banco paga 70% e os trabalhadores arcam com o restante.

A contraproposta da Caixa foi de reajuste no índice da inflação, mais 0,6%.

Segundo Neide, o reajuste por si só não é um problema para os bancários, mas a falta de proposta com relação ao plano de saúde travou a negociação, com a contraproposta rejeita na última sexta-feira (11).

A proposta apresentada pela instituição previa mudanças no modelo de custeio e nas regras de coparticipação no Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários.

"O que pega é o plano de saúde, queremos manutenção e não diferenciação para aposentados e diferenciação de idade", disse, explicando que os valores aumentam conforme a idade dos beneficiários.

Neide disse ainda que os bancários do Banco do Brasil aceitaram a proposta de reajuste, permanecendo apenas os da Caixa em negociação, que deve ser retomada nesta quarta-feira (16).

"O Banco do Brasil, a rede privada, já aceitaram o acordo, já fizeram a assinatura do acordo coletivo e estão ok, até porque não há a discussão do plano de saúde, diferente do acordo da Caixa", explicou.

Até então, sem acordo, a greve segue por tempo indeterminado. A paralisação teve início na última quinta-feira (10).

"Esperamos que amanhã tenha uma negociação que contemple os anseios da categoria, que é principalmente o plano de saúde", concluiu a presidente do sindicato.

Judicialização

Na sexta-feira, antes da votação, a Caixa afirmou que a proposta era final e indicou que poderia recorrer à Justiça do Trabalho caso fosse rejeitada.

O banco deve avaliar o ingresso de um dissídio coletivo, instrumento utilizado para que a Justiça do Trabalho estabeleça condições para solucionar o impasse entre empregados e instituição.

Apesar da rejeição, a Caixa afirmou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos trabalhadores e que pretende buscar um entendimento.

A paralisação começou na quinta-feira (10), depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta anterior para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Entre os principais pontos oferecidos pela Caixa estavam:

  • prêmio de R$ 3 mil por empregado;
  • pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do prêmio;
  • aumento de 6,5% para 8% do limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa;
  • antecipação da parcela da Caixa referente à 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030;
  • pagamento de valores relativos ao PAMS a partir de 2027;
  • R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027;
  • criação de grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência do plano e novas fontes de financiamento.

As mudanças no plano de saúde concentraram a maior parte das divergências. Entre as regras propostas estavam:

  • contribuição dos empregados de 2,3% a 4,1% sobre o salário-base, conforme a faixa etária;
  • cobrança de R$ 480 a R$ 660 por dependente, de acordo com a idade;
  • aumento do teto anual de coparticipação de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil por grupo familiar;
  • limite de 9% para o grupo familiar;
  • criação de um piso de R$ 50 por beneficiário;
  • cobrança de 13 mensalidades;
  • aumento de R$ 75 para R$ 150 no valor da consulta em pronto-socorro, fora do teto;
  • isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina;
  • recadastramento anual obrigatório.

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