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Frentistas, benzeno e aposentadoria especial: quando o documento não pode valer mais que a realidade

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Quem entra em um posto de combustível provavelmente já se acostumou com aquele cheiro característico da gasolina. Para o consumidor, são alguns minutos entre o abastecimento e o pagamento. Para o frentista, entretanto, aquele é o ambiente de trabalho durante horas, dias e anos.

Essa diferença de perspectiva é fundamental quando discutimos aposentadoria especial.

Como advogada previdenciarista, acompanho há muitos anos trabalhadores que chegam ao momento da aposentadoria acreditando que bastará demonstrar onde trabalharam e qual profissão exerceram. Como professora, procuro sempre chamar atenção para uma distinção essencial: no Direito Previdenciário, uma coisa é aquilo que aconteceu no mundo do trabalho; outra é a forma como conseguimos provar essa realidade perante o INSS.

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Recuperação judicial: quando é hora de pedir?

10/09/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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O Brasil fechou 2025 com o maior número de empresas em recuperação judicial da série histórica: 2.466 CNPJ’s envolvidos em 977 processos, com o setor agropecuário liderando os pedidos (743 empresas, 30,1% do total). E o alerta para os próximos meses já está aceso: em janeiro de 2026 havia 8,7 milhões de CNPJ’s negativados, com dívida média superior a R$ 23 mil e cerca de sete restrições por cadastro e, historicamente, o aumento da inadimplência antecede os pedidos de recuperação.

Atrás de cada um desses números existe um empresário que passou meses fazendo a mesma pergunta que ouço quase toda semana no escritório: quando eu devo entrar com o pedido de recuperação judicial?

A resposta honesta começa por uma constatação incômoda. Na esmagadora maioria dos casos, quando o empresário finalmente decide procurar ajuda, ele já passou do ponto ideal. O empresário brasileiro é resiliente por formação, acredita que a próxima safra, o próximo contrato, a próxima temporada resolvem. E, enquanto acredita, faz o que parece mais natural: rola dívida. Troca dívida barata por dívida cara, antecipa recebível, toma capital de giro para pagar empréstimo antigo, dá em garantia o que ainda estava livre.

Quando bate à porta do advogado, boa parte do patrimônio já foi comprometida e, patrimônio comprometido em garantia costuma ficar fora da recuperação.

Existem sinais objetivos de que a hora chegou. Anote-os:

  1. a empresa está pagando dívida com dívida, e não com resultado operacional; 
  2. as garantias livres acabaram; 
  3. começaram os bloqueios judiciais de conta e as penhoras sobre o faturamento;
  4. fornecedores estratégicos cortaram o prazo ou exigem pagamento à vista; 
  5. o custo financeiro mensal já supera a margem do negócio. 

Se dois ou três desses sinais estão presentes ao mesmo tempo, o problema deixou de ser de fluxo de caixa e passou a ser de estrutura de dívida. Recuperação judicial serve exatamente para isso: reestruturar dívida de um negócio que ainda é viável. Ela não ressuscita empresa que já morreu, nem conserta negócio que dá prejuízo operacional, nesses casos, o processo apenas adia o inevitável e consome recursos.

A lei também impõe requisitos. Em regra, é preciso exercer a atividade há mais de dois anos e não ter obtido concessão de recuperação nos últimos cinco anos. Para o produtor rural há uma exigência específica: o Superior Tribunal de Justiça, no Tema 1.145, firmou que ele pode pedir recuperação judicial desde que esteja inscrito na Junta Comercial no momento em que formaliza o pedido, independentemente do tempo de registro, bastando comprovar o exercício empresarial da atividade rural por mais de dois anos. É um detalhe que decide o processo já na porta de entrada.

E chegamos ao coração do instituto: o stay period.

Deferido o processamento da recuperação, o juiz determina a suspensão das execuções contra o devedor por 180 dias, prorrogáveis, em caráter excepcional, por igual período uma única vez, desde que o empresário não tenha dado causa à demora. Na prática, é um período de blindagem: as execuções param, os leilões param, os bloqueios de conta cessam, e a empresa volta a respirar com o caixa que era drenado todo mês por penhoras.

Duas advertências que quase nunca aparecem nas conversas de balcão. Primeira: o stay não alcança todo mundo. Avalistas, fiadores e sócios que assinaram garantia pessoal continuam podendo ser executados, e as execuções fiscais seguem seu curso, ainda que atos de constrição sobre bens essenciais possam ser submetidos ao juízo da recuperação. Segunda: o stay não é férias. São seis meses de trabalho pesado, apresentação do plano, negociação com bancos, formação de maioria nas classes de credores. Quem usa o prazo para descansar chega à assembleia sem plano viável e com a falência no horizonte.

O empresário que enxerga o stay period pelo que ele realmente é, uma janela curta e negociada de fôlego, costuma sair do processo com sua empresa ativa. Quem o enxerga como uma pausa mágica, não, e inevitavelmente acaba com o judiciário convertendo a Recuperação Judicial num processo de falência.

Este tema é bastante complexo e deve ser tratado de modo muito responsável, pois há diversas empresas pedindo recuperação judicial de modo equivocado, o que acarreta num aumento de suas dívidas, ao invés de conseguir salvar o caixa. 

O primeiro passo para uma recuperação judicial exitosa é saber a hora certa de fazer o pedido judicialmente, que foi o que quis tratar neste artigo. No próximo artigo o foco será outro, quais dívidas entram e quais ficam de fora da recuperação judicial, e por que o deságio concedido pelos credores costuma pagar a conta.

Leandro Amaral Provenzano – OAB/MS 13.035, sócio do escritório Provenzano Advogados.

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Toda empresa precisa pensar como uma marca presente em vários canais

08/09/2026 00h03

COLUNISTA ARTHUR MAXIMILIANO

COLUNISTA ARTHUR MAXIMILIANO

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Durante muito tempo, muitas empresas trataram marketing como uma escolha de canal.

Ou investiam em tráfego pago, ou produziam conteúdo. Ou apostavam nas redes sociais, ou buscavam aparecer em portais e veículos de imprensa. Em alguns casos, toda a estratégia ficava concentrada em uma única plataforma.

Esse modelo está ficando cada vez mais limitado.

Hoje, uma marca precisa pensar em presença.

O consumidor pode conhecer uma empresa no Instagram, pesquisar depois no Google, encontrar uma matéria em um portal, acessar o site, assistir a um vídeo, ler avaliações, perguntar sobre a empresa em uma ferramenta de inteligência artificial e só então entrar em contato pelo WhatsApp.

A decisão deixou de acontecer em um único lugar.

Por isso, crescer exige aprender a atuar em vários canais de forma coerente.

Isso não significa estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Significa entender quais pontos de contato realmente fazem parte da jornada do seu público e construir presença nesses ambientes.

O tráfego pago continua tendo um papel importante. Ele permite acelerar alcance, testar ofertas, gerar oportunidades e colocar uma mensagem diante de públicos específicos.

Mas mídia paga funciona ainda melhor quando encontra uma marca que já possui presença.

Quando o consumidor vê um anúncio e depois pesquisa a empresa, o que encontra?

Um site atualizado?

Conteúdo relevante?

Matérias e menções em veículos?

Avaliações?

Redes sociais consistentes?

Uma marca reconhecível?

Essa construção influencia a confiança.

E confiança influencia decisão.

É por isso que tráfego pago, conteúdo próprio e mídia externa não deveriam ser tratados como concorrentes. Eles cumprem funções diferentes dentro da mesma estratégia.

O anúncio compra distribuição.

O conteúdo próprio constrói relacionamento.

O site organiza autoridade e informação.

Google ajuda na descoberta.

Redes sociais mantêm frequência e proximidade.

Jornais, portais e blogs ampliam reputação, contexto e alcance em ambientes que a própria empresa não controla.

Cada canal adiciona uma camada.

O erro está em acreditar que um deles, sozinho, será responsável por todo o crescimento.

A inteligência artificial acelerou ainda mais essa transformação. Hoje, empresas conseguem produzir textos, vídeos, análises e campanhas em uma velocidade muito maior. Isso ampliou enormemente a quantidade de conteúdo disponível.

Como consequência, simplesmente publicar deixou de ser suficiente.

A empresa precisa ser reconhecível.

Precisa ter uma linha de comunicação.

Precisa defender ideias.

Precisa aparecer de maneira consistente em diferentes ambientes sem parecer uma marca diferente em cada um deles.

É aí que o conceito de marca ganha força.

Uma empresa presente em vários canais não é aquela que repete a mesma propaganda em todos eles.
É aquela que mantém a mesma essência enquanto adapta a linguagem ao contexto.

Uma matéria em um jornal não deve ser tratada como um anúncio de Instagram. Um vídeo curto possui outra função. Um artigo no blog permite aprofundamento. Uma campanha paga pode trabalhar conversão. Um evento gera relacionamento. Um podcast cria contexto e autoridade.

A força está justamente na combinação.

Esse também é um dos motivos pelos quais empresas precisam começar a pensar cada vez mais como produtoras de conhecimento e comunicação.

Uma indústria possui conhecimento sobre seu mercado.

Uma clínica possui conhecimento sobre saúde.

Uma empresa de tecnologia possui conhecimento sobre inovação.

Um escritório possui conhecimento sobre sua especialidade.

Transformar esse repertório em conteúdo permite que a marca esteja presente antes mesmo do momento da venda.

Mas conteúdo próprio não elimina a importância de ambientes externos.

Pelo contrário.

Quando uma empresa aparece apenas nos próprios canais, ela está sempre falando sobre si mesma dentro de espaços que controla.

A presença em jornais, portais, eventos, podcasts, associações e outros ambientes adiciona novas formas de distribuição e construção de reputação.

No marketing atual, o desafio não é escolher entre mídia própria, mídia paga ou mídia conquistada.
É fazer com que elas trabalhem juntas.

A empresa pode publicar um estudo no próprio site, transformar as principais ideias em vídeos, impulsionar alguns conteúdos, discutir o tema em um podcast e contribuir com um artigo para um veículo de comunicação.

Uma mesma ideia passa a circular por diferentes ambientes.

E cada contato reforça o anterior.

Esse é o ponto central: frequência isolada não constrói necessariamente presença. Presença surge quando diferentes canais começam a reforçar a mesma percepção de marca.

Por isso, antes de perguntar qual é a melhor rede social ou quanto investir em tráfego pago, talvez o empresário devesse responder outra pergunta: em quais lugares meu cliente precisa encontrar minha empresa para confiar nela?

A resposta provavelmente envolverá mais de um canal.

O crescimento digital tende a pertencer cada vez menos às empresas que dependem de uma única plataforma e cada vez mais às marcas capazes de construir um ecossistema de presença.

Não é abandonar jornal pelo Instagram.

Não é substituir o site pelo TikTok.

Não é trocar conteúdo por tráfego pago.

É conectar tudo isso.

Porque o consumidor já transita entre vários canais.

As empresas precisam aprender a fazer o mesmo.

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