Cidades

ENTREVISTA

"Além do abastecimento, a empresa visa fazer gestão na área dos aterros sanitários"

O diretor-presidente da Sanesul, Walter Benedito Carneiro Junior, afirmou que o órgão já monitora licitações deste segmento fora de MS para se candidatar

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A Empresa de Saneamento Básico de Mato Grosso do Sul (Sanesul) pode ampliar sua atuação e extravasar os limites do Estado nos negócios. Isso porque, segundo o diretor-presidente da entidade, Walter Benedito Carneiro Junior, em entrevista ao Correio do Estado, o órgão tem planos de fazer gestão e operação também na área dos aterros sanitários.

Perfil - Walter Benedito Carneiro Junior

Advogado, formado em 2000, Carneiro também é bacharel em Publicidade e Marketing. 

Filho do ex-deputado estadual, trabalhou na Câmara dos Deputados antes de ser chefe de gabinete do vice-governador Murilo Zauith, entre 2007 e 2010, e secretário de Fazenda de Dourados. Em janeiro de 2019, assumiu o comando da Sanesul.

“Além do abastecimento de água tratada e do esgotamento sanitário, a empresa visa expandir seus negócios. A ideia é fazer gestão e operação na área dos aterros sanitários”, declarou Carneiro. “Nosso projeto e nossa percepção é começar a monitorar os leilões e as licitações de novas concessões fora de Mato Grosso do Sul, para podermos demonstrar para o Brasil o trabalho que nós fazemos no setor de saneamento”, completou.

De acordo com o diretor, já existe um estudo sobre o tema referendado pelo Conselho de Administração da Sanesul. 

“Não podemos ainda falar em números, o importante é que tenhamos essa percepção de expandir nossos negócios, tudo dentro de uma estratégia de planejamento e de estudos que nos dê segurança jurídica e tranquilidade naquilo de melhor que vamos proporcionar para o bem-estar da população”, afirmou o diretor.

Recentemente, a Sanesul assinou uma parceria público-privada para concluir a universalização do esgotamento em Mato Grosso do Sul. Na entrevista, o diretor-presidente da instituição também detalha como está essa questão.

O saneamento básico é um serviço essencial que por anos foi negligenciado. Como avalia a evolução do setor nessas duas últimas décadas?

O saneamento básico é um direito previsto em lei. 

Cabe a todo agente público responsável o dever de cumprir a legislação e encontrar maneiras práticas de proporcionar à população serviços de qualidade, investindo em obras de infraestrutura que resultem em mais saúde e na melhoria da qualidade de vida das pessoas, sobretudo preservando o meio ambiente. Infelizmente, para muitos brasileiros, essa ainda é uma realidade muito distante. 

No caso da Sanesul, temos feito a entrega de muitas obras. A companhia opera serviço público de abastecimento de água e coleta e destinação de esgoto em 125 localidades [68 dos 79 municípios e 57 distritos]. 

Por exemplo, 2021 foi um ano de muitas entregas, incluindo Estações de Tratamento de Esgoto, ligações de rede de esgoto em residências, entre outros importantes investimentos.  

Sobre a evolução do setor, eu costumo dizer que o saneamento hoje é a ‘cereja do bolo’ dos mercados de capitais. Está todo mundo de olho no saneamento, porque a lei mudou, o governo federal não tem política de investimento para o saneamento e já deixou muito clara a regra: ele quer o dinheiro privado para fazer com que o saneamento avance no Brasil, e a nossa companhia vem se reinventando. 

Trouxemos para o nosso negócio um parceiro privado para investir R$ 3,8 bilhões e para fazer a operação do nosso sistema por 30 anos.

 

MS deve ser um dos primeiros a universalizar o esgotamento sanitário nos 68 municípios atendidos no Estado. Em que estágio está essa universalização?

A universalização do esgotamento sanitário caminha a passos largos em Mato Grosso do Sul. Nós recebemos essa incumbência do nosso governador, Reinaldo Azambuja, e do secretário Eduardo Riedel a partir da contratação da nossa PPP [parceria público-privada].  

A Sanesul já atingiu a universalização do fornecimento da água tratada em todas as localidades operadas. 

Agora, com a PPP, o compromisso é manter a boa gestão dos recursos hídricos e aumentar progressivamente o índice de cobertura de esgotamento sanitário de MS. 

A Rota do Saneamento, que é um programa criado pela Sanesul em 2021, já percorreu 44 municípios, fazendo entregas de obras e anunciando novos investimentos, alguns em andamento e outros em processo licitatório. 

Hoje, a área de cobertura do esgoto é de 55%, e a nossa prioridade é chegar aos 90%, se antecipando, assim, ao Marco Legal do Saneamento, o que levará Mato Grosso do Sul a ser o primeiro estado do País a atingir essa meta.

 

Em fevereiro, a contratação da PPP completa um ano. O modelo vem evoluindo conforme o esperado? Alguma cidade já está com o esgoto universalizado a partir da parceria? Para quando se espera a próxima (ou primeira) obra?

A determinação do governador Reinaldo Azambuja e do secretário Riedel é que os municípios de Mato Grosso do Sul sejam tratados de maneira igualitária, de modo que todos foram contemplados no projeto de universalização.

Neste primeiro momento, existe um grande número de obras de esgotamento sanitário que são de responsabilidade da Sanesul, e quase um terço dos municípios operados por nós já estão bem próximos da universalização, entre eles Bonito, Bodoquena, Porto Murtinho, Anaurilândia e vários outros.

A partir de fevereiro, devemos retomar o cronograma de entrega de obras, visitando em torno de 20 outros municípios. 

O contrato entre a Sanesul e a Ambiental MS Pantanal é de 30 anos, neste primeiro ano a contratada assumiu a operação e a manutenção do sistema de esgotamento sanitário e, a partir de 2022, começa a validar os projetos executivos para cada município, onde os investimentos serão executados já a partir deste segundo semestre. 

Após esse período inicial de transição, devemos ter resultados satisfatórios, visando concretizar este que é o sonho dos moradores de cada cidade, ter mais saúde e melhor qualidade de vida.

 

A Sanesul recentemente cogitou investir fora de MS. Como isso vai funcionar? Já tem alguma licitação em vista ou em estudo?

Hoje, a Sanesul é uma empresa consolidada do ponto de vista econômico-financeira, e está em uma nova fase da sua história, com novos desafios e planejando atuar além das suas fronteiras, expandindo seus negócios na área de saneamento básico. 

Além do abastecimento de água tratada e do esgotamento sanitário, a empresa visa expandir seus negócios. A ideia é fazer gestão e operação na área dos aterros sanitários.

 A Sanesul é uma parceria que todo mundo quer, em razão dos números e dos fatores econômicos positivos destacados pela mídia nacional, baseada no fato de se colocar entre as melhores no ranking do País. 

Nosso projeto e nossa percepção é começar a monitorar os leilões e as licitações de novas concessões fora de Mato Grosso do Sul, para podermos demonstrar para o Brasil o trabalho que nós fazemos no setor de saneamento.

 

O quanto esse nicho de gestão de resíduos sólidos e aterros sanitários deve acrescentar em receita (mesmo que em porcentagem)? Já há cidades que a Sanesul colocou no radar? Quais?

A proposta de atuar na área de aterros sanitários fora do Estado é peça integrante do planejamento estratégico da concessionária. 

Vamos atuar não só nos serviços de água e esgoto, existe dentro do plano de negócios da empresa um estudo já referendado pelo nosso Conselho de Administração. 

Ainda incipiente no País, o setor de aterros sanitários é uma obra de engenharia projetada sob critérios técnicos, visando garantir a disposição correta dos resíduos sólidos urbanos que não puderam ser reciclados, de modo que os descartes não causem danos à saúde pública ou ao meio ambiente. 

Não podemos ainda falar em números, o importante é que tenhamos essa percepção de expandir nossos negócios, tudo dentro de uma estratégia de planejamento e de estudos que nos dê segurança jurídica e tranquilidade naquilo de melhor que vamos proporcionar para o bem-estar da população.

 

Qual a liquidez atual da empresa? Em quanto giram hoje as finanças da Sanesul para possibilitar esse próximo passo?

Nossa empresa tem liquidez consolidada, com números muito favoráveis. 

Quando você tem um Ebitda [sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização] de mais de 30% e um balanço que apresenta lucro líquido acima de 15% de sua receita, o mercado passa a respeitar e a abrir novas oportunidades de inovação no nosso plano de negócios. 

Outra questão que gostaria de ressaltar é que a Sanesul trouxe também várias inovações na área de contratos de performance, começando por Dourados, onde já está implantado, e o próximo passo é adotar essa prática em Ponta Porã, ainda este mês, e em Corumbá, no primeiro trimestre deste ano. 

O que é esse contrato de performance? É você trazer o privado para fazer investimento no seu sistema de água, garantindo melhor gestão, mais eficiência, combate a perdas, eficiência energética, setorização e macromedição, para ter melhores resultados. 

Então, você enfrenta a gestão, traz a expertise de quem está no setor há muito tempo, também com inovações, e isso reflete diretamente no fluxo de caixa da empresa. Nossos bons números poderão ser conhecidos agora em abril, quando da publicação de nosso balanço.

Falando de política, seu nome se tornou um dos mais evidentes desse governo, por gerir uma empresa fortalecida. Pretende disputar algum cargo nas próximas eleições?

É uma honra presidir o Conselho Diretor da Sanesul, que, junto com o Conselho de Administração e a força de trabalho de mais de 1.400 colaboradores, vem desenvolvendo um trabalho que muda a vida dos sul-mato-grossenses. 

No ano passado, a Sanesul foi indicada pela revista IstoÉ Dinheiro e pelo jornal Valor Econômico como integrante de uma lista privilegiada das melhores empresas do Brasil, ficando em primeiro lugar no quesito investimento sustentável.  

Acredito que todo agente público bem avaliado pelo seu trabalho desenvolvido, pela atribuição que recebeu das autoridades, sempre vai ser lembrado pelas lideranças políticas, e até por segmentos da sociedade, para disputar cargos eletivos, visando defender seu Estado e representar seu povo.  

Realmente, o meu nome está sendo lembrado. Eu tenho dito que ninguém é candidato de si mesmo, para dizer que é candidato por ego pessoal. Entendo que essa condição faz parte de um contexto, de uma articulação político-partidária consolidada, dentro de um conjunto de forças que defenda uma bandeira de luta, de grandes projetos de interesse da população, sobretudo, visando o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.

Estamos trabalhando na construção de uma candidatura forte, que defenda o legado do governador Reinaldo Azambuja e do vice Murilo Zauith, e temos na figura do secretário Eduardo Riedel o nosso pré-candidato a governador. Já me coloquei à disposição dos protagonistas dessa construção para continuar caminhando por MS, defendendo o legado deste grande governo municipalista que tenho muita honra em participar e defender.  

Sou douradense, e fico muito triste quando vejo que a região perdeu muito sua participação na ocupação de mandatos estaduais e federais. Já chegamos a ter três deputados federais na mesma legislatura, hoje não temos nenhum.

SISTEMA PRISIONAL

Greve nacional pode afetar presídios federais e restringir visitas a partir de segunda

Com estado de greve aprovado, policiais penais federais ameaçam paralisar atividades e reduzir serviços essenciais em todo o país

02/04/2026 12h30

A medida é considerada um indicativo de paralisação iminente e pode resultar na interrupção de atividades em unidades prisionais de todo o país

A medida é considerada um indicativo de paralisação iminente e pode resultar na interrupção de atividades em unidades prisionais de todo o país Gerson Oliveira

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O sistema penitenciário federal pode sofrer impactos diretos já a partir da próxima segunda-feira (6), com a possibilidade de paralisação nacional dos policiais penais federais. A categoria aprovou, por unanimidade, o estado de greve durante assembleia geral realizada nesta semana, elevando o nível de pressão sobre o Governo Federal.

A medida é considerada um indicativo de paralisação iminente e pode resultar na interrupção de atividades em unidades prisionais de todo o país, especialmente diante da falta de avanços nas negociações com o Ministério da Justiça.

De acordo com a deliberação, a mobilização prevê a paralisação total dos setores considerados não essenciais e a suspensão de até 50% das atividades essenciais. Com isso, a rotina dentro dos presídios federais deve sofrer alterações significativas.

Segundo informações iniciais, entre as mudanças previstas está a redução pela metade do tempo de banho de sol dos internos. As visitas familiares e os atendimentos por advogados também devem ser limitados, com restrição a apenas um agendamento por horário. Já os serviços de saúde, como atendimentos médicos e odontológicos, serão mantidos apenas em casos de urgência e emergência.

O movimento ocorre em meio à insatisfação da categoria com a condução do Governo Federal em relação à criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC). Considerado estratégico pelos servidores, o fundo é visto como essencial para garantir investimentos em estrutura, capacitação e valorização profissional.

A crise se intensificou após a exclusão inicial da Polícia Penal Federal das discussões sobre o fundo, o que gerou forte reação interna. Mesmo após uma reunião realizada nesta quarta-feira (1º) no Ministério da Justiça, com participação de representantes da categoria e de outras forças de segurança, não houve avanço nas tratativas.

Segundo lideranças sindicais, o estado de greve funciona como um “alerta máximo” e pode evoluir para uma paralisação mais ampla caso o governo não apresente propostas concretas nos próximos dias.

“O governo só abriu diálogo após pressão intensa, mas segue sem solução. Não aceitaremos tratamento desigual. O estado de greve é um recado claro: ou há ação imediata, ou o sistema pode parar”, afirmou Renan Fonseca, presidente do SINPPF-MS.

A equipe do Correio do Estado entrou em contato com a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para pronunciamento. 

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FERIADÃO

Semana Santa: 255 mil veículos vão trafegar pela BR-163/MS

Maior fluxo está previsto para esta quinta-feira (2), com estimativa de 65,6 mil veículos

02/04/2026 12h00

BR-163, em Campo Grande

BR-163, em Campo Grande MARCELO VICTOR

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Movimento será intenso, nesta Semana Santa, nas estradas que cortam Mato Grosso do Sul.

Quem tem disponibilidade e oportunidade, não perde a chance de curtir o feriadão em outra cidade.

De acordo com a concessionária que administra a rodovia, Motiva Pantanal, a estimativa é que 255,2 mil veículos trafeguem, entre quinta-feira (2) e segunda-feira (6), pelos 845,4 quilômetros da BR-163/MS.

O maior fluxo está previsto para esta quinta-feira (2), com estimativa de 65,6 mil veículos.

Na sexta-feira (3), o horário de pico será entre 8h-10h, com média de 3,6 mil veículos por hora e 44 mil veículos ao longo do dia.

No sábado (4), 37,8 mil veículos são esperados ao longo do dia.

No domingo (5), 52,7 mil automóveis passarão pela rodovia.

Na segunda-feira (6), o horário de pico será entre 14h-17h, com estimativa de 4,2 mil veículos por hora e 54,4 mil veículos circulando pela rodovia ao longo do dia.

Durante os cinco dias de movimento intenso na BR-163, a Motiva Pantanal disponibiliza socorro médico, socorro mecânico, sanitários e água potável 24 horas.

"Mais de 80 viaturas estão à disposição dos usuários, entre elas, ambulâncias-resgate (05 delas unidades móveis de suporte avançado), guinchos pesados, guinchos leves, inspeções de tráfego, caminhões de combate a incêndio e viaturas para apreensão de animais à disposição dos clientes da rodovia", informou a concessionária por meio de nota.

A BR-163 é a rodovia que corta o sul-norte de Mato Grosso do Sul. Possui 845,4 quilômetros de extensão e cruza 21 cidades, sendo elas:

  • Mundo Novo
  • Eldorado
  • Itaquiraí
  • Naviraí
  • Juti
  • Caarapó
  • Dourados
  • Douradina
  • Rio Brilhante
  • Nova Alvorada do Sul
  • Campo Grande
  • Jaraguari
  • Bandeirantes
  • Camapuã
  • São Gabriel do Oeste
  • Rio Verde de Mato Grosso
  • Coxim
  • Sonora
  • Pedro Gomes

ORIENTAÇÕES

  • Se for pegar estrada neste feriado, fique atento as recomendações:
  • Não dirija caso consuma bebida alcoólica
  • Não dirija cansado ou com sono
  • Use cinto de segurança
  • Respeite a sinalização
  • Respeite o limite de velocidade da via
  • Porte documentos oficiais com fotos, como RG, CPF, documento do carro, etc
  • Realize revisão do carro: pneus, limpadores de para-brisa, freios, nível de óleo, bateria, lâmpadas, lanterna e extintor

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