Cidades

CASTELO DE AREIA

André Patrola vence licitação de R$ 5,1 milhões em Corumbá

Principal alvo da operação Cascalhos de Areia, em junho do ano passado em Campo Grnade, ele vai fornecer máquinas

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Pouco mais de um ano depois da eclosão da operação Cascalhos de Areia, os empreiteiros e os órgãos públicos envolvidos seguem como se nada tivesse acontecido. Mais uma prova disso é que o empresário André Luiz dos Santos, o André Patrola, venceu licitação para aluguel de máquinas pesadas e equipamentos para a prefeitura de Corumbá que lhe garantirá faturamento anual de até R$ 5,1 milhões. 

O aviso com o resultado da licitação foi publicado nesta quarta-feira no diário oficial do Governo do Estado e caso a prefeitura utilize todas as máquinas previstas no edital, o empreiteiro terá direito a receber exatos R$ 5.134.489,68. 

Apesar da repercussão à época, a operação do Ministério Público Estadual não surtiu efeitos práticos ou reais até agora e por isso os envolvidos continuam com o direito de participar de licitações tanto em Campo Grande quanto no interior do Estado. 

Em 15 de junho do ano passado, ao cumprir 19 mandados de busca e apreensão, o MPE informou que havia suspeitas de fraude em contratos de mais de R$ 300 milhões para aluguel de máquinas e cascalhamentos de ruas com a prefeitura de Campo Grande e por isso fez uma devassa na empresa de André Patrola e de outros empreiteiros, que na realidade seriam "laranjas" de Patrola. 

Denúncias anônimas feitas por servidores públicos apontavam que, mesmo sem fazer a manutenção de ruas ou sem cederem as máquinas, o município pagava religiosamente pelos serviços. 

Além da empresa do próprio André Luiz dos Santos, uma das empresas alvo da operação pertencia a Adir Paulino Fernandes, de 67 anos, um homem que no dia da operação se identificou como vendedor de queijos residente em uma chácara no município de Terenos.

Ele declarou ter faturamento mensal da ordem de R$ 2,5 mil, apesar de ser dono de uma empresa com contratos superiores a R$ 200 milhões com a prefeitura de Campo Grande. 

Este queijeiro, por sua vez, é sogro de Edcarlos Jesus Silva, dono das empresas Engenex e  MS Brasil Comércio e Serviços, que continuam fazendo negócios milionários com a prefeitura de Campo Grande. 

Conforme revelou o MPE em junho do ano passado, Edcarlos não tinha maquinários e mesmo assim fechava contratos com a administração municipal, dando a entender que ele, assim como o sogro, eram “laranjas” de André Patrola. 

FATURAMENTOS MILIONÁRIOS

E apesar dos indícios apontados pelo MPE, as empresas de Edcarlos Jesus continuaram faturando milhões com a administração municipal. Em 13 de dezembro ano passado, por exemplo, a MS Brasil assinou contrato, válido por um ano, de R$ 13.389.556,80 para locação de máquinas. 

Em fevereiro deste ano, renovou outro contrato para faturar cerca de R$ 4,6 milhões por ano. Em publicação do Diogrande do dia 9 de fevereiro, revelou que um contrato firmado em junho de 2022 sofreu seu terceiro termo aditivo e teve o prazo de validade prorrogado até 15 de fevereiro de 2025.

Além disso, Edcarlos também tem contratos milionários com a prefeitura para manutenção de ruas sem asfalto. Dois deles foram renovados em janeiro. Pelo primeiro, a Engenex vai receber R$ 4.309.906,11 por ano para manutenção de ruas da região do Lagoa.

O outro contrato com Edcarlos prevê a manutenção das ruas da região do Imbirussu e o desembolso anual da prefeitura está previsto em R$ 2.913.987,96. Ambos foram reajustados em 25% em setembro do ano passado, já depois da eclosão do escândalo da operação do MPE.

Os dois contratos foram assinados inicialmente em julho de 2018, pelo período de doze meses, sob a administração de Marcos Trad Filho. Naquela época, o proprietário legal era Mohamed Dib Rahim, mas em maio de 2021 a empresa Engenex passou para o controle de Edcarlos. 

Na semana passada, dia 21 de junho, saiu publicação no Diogrande garantindo novo contrato para locação de máquinas e equipamentos. Com este contrato ele vai faturar pouco mais de R$ 1,96 milhão por ano.

INDENIZAÇÃO

E se não bastassem os pagamento regulares feitos pela prefeitura da Capital, no dia 12 de junho, às vésperas do primeiro aniversário da Cascalhos de Areia, Edcarlos (leia-se Patrola), foi contemplado com uma indenização de R$ 7,2 por supostos serviços que não teriam sido pagos em anos anteriores. 

Em nota, a prefeitura informou na semana passada que um “contrato com a empresa tinha prazo de 5 anos e venceu em agosto de 2023. No encerramento do contrato sempre tem que ser feito o levantamento do valor pago e para verificar se há saldo a pagar. Esse montante corresponde aos reajustes do contrato, que ocorrem a cada ano, e não foram pagos durante a vigência do contrato".

Porém, uma varredura nas edições do Diogrande dos últimos dois anos revela que nenhuma destas indeninzações consideradas de rotina teve valor próximo. A maior delas foi da ordem de R$ 450 mil, paga pela Semed. Outras empreiteiras receberam pagamentos sempre inferiores a R$ 200 mil.

A nota informou ainda que, por não terem restrições no Judiciário ou no Tribunal de Contas, as empresas envolvidas na Cascalhos de Areia podem continuar prestando serviços e participando de licitações. 


 

ULTIMA RATIO

Advogado dispensado por Vorcaro defende ex-desembargador de MS

O criminalista Pierpaolo Bottini, considerado um dos mais caros do país, defende Sideni Soncine Pimentel, que é investigado pela PF por suposta venda de sentenças judiciais

18/03/2026 11h30

Depois de ser afastado do cargo em outubro de 2024, Sideni Soncine Pimentel pediou aposentadoria em outubro do ano seguinte

Depois de ser afastado do cargo em outubro de 2024, Sideni Soncine Pimentel pediou aposentadoria em outubro do ano seguinte

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Apontado como um dos mais caros do país e dispensado na última sexta-feira da equipe de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, o advogado Pierpaolo Bottini é um dos defensores do desembargador aposentado Sideni Soncine Pimentel. Em outubro de 2024, quando ainda estava na ativa, o magistrado foi alvo da operação Ultima Ratio e para se defender contratou o renomado criminalista. 

Ele foi desligado da equipe de defesa do ex-dono do Banco Master porque Vorcaro estaria disposto a fazer delação premiada. E, caso realmente faça esta delação, o advogado enfrentaria atrito com outros clientes, já que seu escritório defende pessoas cujos interesses poderiam ser afetados (delatados) por Vorcaro, gerando uma incompatibilidade ética para a continuidade da defesa.

Pierpaolo Bottini foi contratado pela família de Sideni Soncini logo depois que o desembargador foi afastado do cargo, em 24 de outubro de 2024. Dois filhos de Pimentel também foram alvos da Polícia Federal, que aponstou a existência de um suposto esquema de venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ele é especializado em ações judiciais que apontam lavagem de dinheiro.

Em abril do ano passado, depois que o ministro Cristiano Zanin, do STF, manteve o afastamento do Sideni Pimentel, o advogado Pierpaolo chegou a divulgar uma nota dizendo que "a defesa apresentou um extenso parecer técnico contábil no qual aponta a origem de todas as receitas do desembargador, todas explicadas e lícitas. O desembargador prestou depoimento na Polícia Federal e esclareceu todos os fatos, não havendo motivo para continuidade de seu afastamento", afirmou à época.

Pelo fato de não conseguir voltar ao cargo, Sideni Pimentel acabou pedindo aposentadoria em outubro do ano passado. Ele estava com 73 anos e poderia permanecer durante mais dois anos na magistratura, já que a aposentadoria compulsória por idade ocorre somente aos 75 anos. 

Mas, apesar da aposentadoria, no mês seguinte o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou, por unanimidade, Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ex-magistrado. E, caso seja condenado, sua aposentadoria deixa de ter o status de voluntária e pass a ser compulsória. 

A operação Ultima Ratio também teve como alvo outros quatro desembargadores da ativa, dois aposentados, um conselheiro do Tribunal de Contas e um juiz de primeira instância. Um dos desembargadores voltou ao cargo e outros três seguem afastados. Contra estes três também foi instaurado Processo Administrativo no CNJ. 

Embora não exista um preço fixo para contratação de um escritório renomado semelhante ao do criminalista Pierpaolo Bottini, um jurista com experiência na atuação em tribunais superiores consultado pelo Correio do Estado acredita que uma contratação deste porte não tenha custado menos de R$ 1 milhão à família Pimentel. "Mas, possívelmente o valor final será bem superior a isso", opinou o advogado que preferiu manter o anonimato. 

 

 

DIÁRIO OFICIAL

Barradas, emendas de vereadores somam mais de R$ 200 milhões em Campo Grande

Parte vetada da LOA 2026 revela corte de propostas que incluem hospital de R$ 100 milhões, obras de infraestrutura e projetos sociais

18/03/2026 11h00

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final.

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final. Gerson Oliveira/Correio do Estado

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As emendas apresentadas por vereadores à Lei Orçamentária de 2026 e barradas pela Prefeitura de Campo Grande somam aproximadamente R$ 216 milhões, conforme levantamento com base na parte vetada da Lei nº 7.565/2025 - Lei Orçamentária Anual (LOA), publicada nesta quarta-feira (18) no Diário Oficial do Município.

Entre as propostas rejeitadas está a de maior valor individual: uma emenda de R$ 100 milhões da vereadora Luiza Ribeiro, que previa a implantação de um complexo hospitalar na Capital.

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final.

Na área de infraestrutura, que concentra a maior parte dos recursos barrados, aparecem propostas como a destinação de R$ 10 milhões, também de Luiza Ribeiro, para obras de pavimentação e drenagem no Bairro Parque do Lageado. Já o vereador Maicon Nogueira teve vetadas emendas de R$ 3 milhões para pavimentação no Bairro Nossa Senhora Aparecida e outros R$ 3 milhões para intervenções no Bairro Bom Retiro.

O presidente da Casa, Epaminondas Neto (Papy), também teve barradas propostas relevantes, como R$ 5 milhões para pavimentação no Residencial Oliveira I e II e R$ 3 milhões para obras em vias do transporte coletivo no Bairro Riviera Park.

Na mesma linha, o vereador Ronilço Guerreiro teve rejeitada emenda de R$ 5 milhões para pavimentação e drenagem no Bairro Bosque da Saúde, enquanto o vereador Landmark propôs R$ 4,5 milhões para implantação asfáltica no Residencial Betaville, igualmente vetados.

Na saúde, os cortes também atingem projetos expressivos. O vereador Jean Ferreira teve barradas duas emendas de R$ 6 milhões cada para implantação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) nos bairros Parque do Lageado e Vila Nasser. Já o vereador Junior Coringa propôs R$ 2 milhões para criação de um centro especializado no atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista, que também não foi incluído no orçamento.

Ainda na área, Luiza Ribeiro teve vetada uma emenda de R$ 7,6 milhões voltada à ampliação de castrações de cães e gatos, enquanto Ronilço Guerreiro propôs R$ 200 mil para equipar unidades dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

As emendas barradas também atingem ações sociais e culturais. Jean Ferreira, por exemplo, teve rejeitada proposta de R$ 600 mil para manutenção de uma casa de acolhimento à população LGBTQIA+ e outra de R$ 700 mil para implantação de restaurantes populares. Na cultura, o mesmo vereador sugeriu R$ 1,4 milhão para repasses a escolas de samba.

Mesmo propostas de menor valor, mas com impacto direto nos bairros, ficaram de fora. É o caso de emendas do vereador Beto Avelar, como R$ 4 milhões para recapeamento da Avenida Madri e R$ 700 mil para asfalto na Rua Aquidaban, além de iniciativas de requalificação de praças apresentadas pelo vereador Carlão, na faixa de R$ 150 mil cada.

Embora aprovadas pela Câmara, as propostas podem ser vetadas quando consideradas incompatíveis com o planejamento financeiro ou com as diretrizes da administração municipal. Na prática, isso significa que os recursos previstos nessas ações não serão executados em 2026, após a manutenção dos vetos.

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