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Anvisa nega uso de Sputnik V e frustra plano de compra de MS

Equipe técnica da Agência se reuniu ontem para decidir sobre pedido de aplicação emergencial da vacina

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Mato Grosso do Sul teve os planos para a compra de cerca de 2 milhões de doses da vacina Sputnik V, contra Covid-19, frustrados ontem, depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou a importação e o uso emergencial do imunizante em ação interposta pelo Maranhão, ao qual o estado se manifestou como parte interessada.

Integrantes da Anvisa se reuniram no início da noite de ontem para analisar o pedido feito pelo Maranhão e referendado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. 

A equipe técnica da Agência, porém, recomendou negar o pedido de importação da vacina russa.

De acordo com o diretor da Agência, Alex Campos, que foi o relator do processo de importação da vacina Sputnik V na reunião da Diretoria da autarquia, a Anvisa não pode “admitir que um medicamento, uma vacina, principalmente, seja administrada em indivíduos saudáveis, e que isso pode ocasionar risco à saúde”.

Explicando que a autarquia busca que a vacina “atenda os parâmetros mínimos”.

Últimas notícias

A gerente-geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária da Autarquia, Suzie Marie Gomes, apresentou sua conclusão técnica na qual afirmou que os ensaios clínicos sobre a qualidade da vacina apresentados “não permitem garantir que o produto, objeto do pedido de importação, é seguro para a população brasileira”.

Emendando que esta área técnica “não recomenda a autorização da importação da vacina Sputnik V, até que sejam apresentados dados para sanar as falhas identificadas”.

Ao concluir seu voto, Campos afirmou que as informações apresentadas estão em desacordo com a legislação brasileira sobre a utilização de medicamentos, por isso recomendou que não seja autorizada a importação e a distribuição da vacina Sputnik V. 

Ele destacou que o relatório está avaliando o pedido da importação da vacina e que o órgão está aberto para receber e apreciar outros pedidos de importação do imunizante.

Após a apresentação dos argumentos, a Agência votou por não aprovar, neste momento, a importação do imunizante russo. 

Com isso, o Brasil segue apenas com três vacinas aprovadas para uso no País, a Coronavac, do Instituto Butantan e da farmacêutica Sinovac, a da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – feito pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica Astrazeneca – e a da Pfizer. Este último, apesar de autorizado, ainda não é aplicado no País.

PLANOS

Mato Grosso do Sul tinha esperança de que a compra do imunizante fosse aprovada e, assim, o Estado poderia acelerar a compra das doses. 

Segundo o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, a negociação mais adiantada era feita pelo Consórcio Brasil Central, formada por sete estados: Mato Grosso, Distrito Federal, Goiás, Rondônia, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso do Sul.

A expectativa era de que a assinatura da compra fosse feita esta semana.

“Estamos com muita expectativa e ansiedade. Nós temos avançado no entendimento com a farmacêutica e esperamos conseguir em breve a compra de 28 milhões de doses por meio de Consórcio Brasil Central para alguns estados”, declarou Resende.

Para o secretário, quando a compra da vacina for concretizada, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) será prejudicado. Mas ele salienta que a demora na chegada de novas doses fizeram os estados perderem a “paciência”.

“Isso [importação] será a derrocada do PNI, mas a demora tem sido demais e nos traz angústia. E se ocorrer a aprovação, vamos fazer avançar o processo de compra para obter essas doses”, avaliou.

O Estado, além do Consórcio Brasil Central, tem uma carta de intenção de compra com a farmacêutica União Química, que é quem produz o imunizante no Brasil. Caso haja algum problema para que a compra seja efetivada junto ao grupo de estados, Mato Grosso do Sul pode firmar a aquisição por vias próprias.

“Vamos comprar onde for mais vantajoso para o Estado, seja direto do fabricante, seja por meio da farmacêutica brasileira”, completou Resende.

ESPERANÇA

Apesar da decisão de ontem da Agência, o ministro Ricardo Lewandowski determinou que a Anvisa deve se manifestar, nos próximos 30 dias, sobre a possibilidade de a Bahia importar a vacina Sputnik V. 

A decisão segue os moldes das proferidas nos processos de outros quatro estados que fizeram pedido semelhante (Ceará, Amapá, Piauí e Maranhão).  

Essa determinação do STF também impacta Mato Grosso do Sul, já que o Estado consta como terceiro interessado nessa decisão. 

Na prática, caso a Agência reforme a decisão dela, daqui a 30 dias, sobre a importação da vacina, o Estado poderá, enfim, confirmar a compra do imunizante russo.

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CLIMA

Após chuva de 11mm Campo Grande tem sensação de 5 graus

Frente fria derrubou as temperaturas em Mato Grosso do Sul; Estado pode registrar mínimas próximas de 0°C e geada nos próximos dias

23/06/2026 09h30

 Após a passagem da frente fria, Campo Grande registrou sensação térmica de 5,2°C e deve seguir com temperaturas baixas ao longo da semana

Após a passagem da frente fria, Campo Grande registrou sensação térmica de 5,2°C e deve seguir com temperaturas baixas ao longo da semana Gerson Oliveira

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A chegada de uma intensa massa de ar polar derrubou as temperaturas em Mato Grosso do Sul e colocou o Estado sob alerta para a onda de frio mais forte de 2026 até o momento. Após registrar 10,9 milímetros de chuva nas últimas 24 horas, Campo Grande amanheceu nesta terça-feira (23) com temperatura mínima de 11,1°C e sensação térmica de apenas 5,2°C.

A queda nas temperaturas foi observada em diversas regiões de Mato Grosso do Sul. Segundo dados do meteorologista Natálio Abrahão, Sete Quedas registrou a menor temperatura do Estado, com 7,4°C. Em Ponta Porã, os termômetros marcaram 7,5°C, enquanto Aral Moreira teve mínima de 7,9°C. Dourados registrou 9,4°C e Caarapó, 9,3°C.

O avanço da massa de ar frio ocorre após a passagem de uma frente fria que provocou chuva em diversas cidades sul-mato-grossenses. Os maiores acumulados foram registrados em Paranaíba (16,4 milímetros), Cassilândia (13,2 mm), Campo Grande (10,9 mm), Chapadão do Sul (9,4 mm) e Três Lagoas (8,4 mm).

Segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), a mudança nas condições atmosféricas é resultado da atuação de uma frente fria associada a uma massa de ar polar. O sistema também conta com a influência de uma área de baixa pressão atmosférica entre Paraguai e Bolívia e de um cavado pré-frontal, fatores que contribuíram para o desenvolvimento de instabilidades sobre o Estado.

Geada com quase 0°C

A previsão indica que os efeitos do frio devem se intensificar nos próximos dias. Conforme o Cemtec, esta poderá ser a onda de frio mais intensa registrada em Mato Grosso do Sul em 2026 até o momento, com potencial para provocar as menores temperaturas do ano.

O órgão alerta para a possibilidade de mínimas entre 0°C e 2°C em áreas da região sul do Estado entre quarta-feira (24) e quinta-feira (25). O cenário aumenta o potencial para formação de geadas, especialmente em municípios próximos à fronteira com o Paraguai.

As projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) reforçam esse cenário. Em Iguatemi, por exemplo, a previsão é de mínima de 4°C na quarta-feira e de 3°C na quinta-feira, com indicação de geada nas primeiras horas da manhã. Em Amambai, os termômetros também devem atingir 4°C e 3°C nos mesmos dias.

Em Ponta Porã, a mínima prevista para quinta-feira é de 3°C, enquanto Dourados pode registrar 4°C. As temperaturas colocam a região sul entre as áreas com maior probabilidade de geada nesta semana.

Na Capital

Enquanto isso, Campo Grande deverá continuar enfrentando dias típicos de inverno. Nesta segunda-feira (23), a máxima prevista é de apenas 15°C, mesmo durante o período da tarde. O céu deve permanecer com muitas nuvens e há previsão de pancadas de chuva ao longo do dia.

Na quarta-feira (24), a temperatura na Capital deve variar entre 10°C e 16°C. Já na quinta-feira (25), a mínima prevista é de 9°C, com máxima de 20°C. A tendência é de elevação gradual das temperaturas a partir de sexta-feira (26), quando os termômetros podem alcançar 25°C durante a tarde.

Mesmo com a melhora gradual das máximas, as manhãs continuarão frias em praticamente todo o Estado. Segundo os meteorologistas, o avanço da massa polar favorece ainda a ocorrência do fenômeno conhecido como “mínima invertida”, quando a menor temperatura do dia é registrada durante a tarde ou à noite, e não ao amanhecer, como normalmente ocorre.

Além do frio, a combinação entre umidade elevada e resfriamento do ar pode provocar formação de neblina e nevoeiro em diferentes regiões, principalmente durante as primeiras horas da manhã.

A previsão também mantém condições para chuva em parte de Mato Grosso do Sul nos próximos dias. Conforme o Cemtec, a quarta-feira ainda pode ter pancadas e tempestades isoladas nas regiões centro, norte, pantaneira e nordeste do Estado. Já na quinta-feira, a possibilidade de chuva fica concentrada principalmente no norte e nordeste, enquanto as demais áreas devem ter predomínio de tempo firme.

Os ventos continuam soprando do quadrante sul, com velocidades entre 30 km/h e 50 km/h. Em alguns momentos, as rajadas podem superar os 50 km/h, aumentando a sensação de frio, especialmente durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã.

Caso as previsões se confirmem, Mato Grosso do Sul poderá registrar entre quarta e quinta-feira as menores temperaturas de 2026, principalmente na região sul, onde o risco de geada é considerado elevado pelos meteorologistas.

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JUSTIÇA

Justiça anula júri que beneficiou homem que esfaqueou mulher com duas facas

Após quebrar cabo de faca agredindo a vítima e buscar outro facão para continuar as agressões, primeiro júri entendeu que não houve intenção de matar; novo julgamento será marcado

23/06/2026 09h15

mpe ms

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPE) anulou decisão de júri que beneficiou homem acusado de feminicídio. O caso primeiramente apontado como feminicídio foi rebaixado a lesão corporal pelo Tribunal do Júri de Ribas do Rio Pardo, cidade onde ocorreu o crime.

Em janeiro de 2022, o homem, a vítima e a filha dela estavam bebendo juntos na casa em que moravam, quando em determinado momento da noite iniciou-se uma discussão entre criminoso e vítima. O caso então tornou-se mais agressivo, em que o homem passou a agredir a vítima com uma faca.

Enquanto a mulher já estava machucada, o cabo da faca quebrou, e então o homem buscou um facão para continuar as agressões. Ele ainda ameaçou de morte os filhos da mulher, afirmando que também os mataria.

A vítima conseguiu ser socorrida e submetida a atendimento médico, mas morreu semanas depois, em fevereiro, enquanto ainda estava internada. O parecer médico apontou que a morte foi devido as complicações e ferimentos sofridos.

No Tribunal, o MPE denunciou o homem por crime de feminicídio e ameaça, e durante a sessão foi defendido essa acusação. Porém, os jurados reconheceram que o homem era o culpado das agressões, mas que não houve intenção de matar, mesmo após as ameaças de "também matar os filhos".

O crime então foi desclassificado para lesão corporal seguida de morte, e fixaram a pena em 8 anos de reclusão em regime fechado e o pagamento de R$ 30 mil como indenização aos familiares da vítima.

Sem concordar com a decisão, o MPE interpôs recurso, apontando que a decisão do Conselho de Sentença não era compatível diante das provas apresentadas, que indicavam a firme intenção do homem em matar a mulher. 

O Promotor de Justiça George Zarour Cezar fez então um requerimento para anular o julgamento e realizar novo júri para o caso.

A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), por unanimidade, reconheceu o requerimento do MPE entendendo que o Conselho de Sentença decidiu contrariamente às provas apresentadas e determinou um novo julgamento que ainda deve ser marcado.

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