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Apesar de repasses públicos, crise na Santa Casa continua

Hospital continua superlotado, pagamento de PJs e empresas fornecedoras de insumos está atraso e procedimentos hospitalares estão suspensos

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Hospital Santa Casa de Campo Grande, maior hospital de Mato Grosso do Sul, recebeu repasses milionários do Governo e Prefeitura, mas, ainda segue em crise financeira.

Em 24 de março de 2025, o hospital alegou níveis críticos de superlotação e que não admitiria novos pacientes, pressionando o poder público municipal e estadual.

A Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) repassa R$ 5 milhões mensais à instituição. Diante da pressão, na semana passada, anunciou que acrescentará mais R$ 1 milhão por mês. Com isso, o repasse mensal da Prefeitura à Santa Casa será de R$ 6 milhões.

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), repassa R$ 9 milhões mensais à instituição. Com a pressão, cedeu mais R$ 25 milhões, que será pago em três parcelas até o mês de junho, com a primeira paga até 20 de abril.

Porém, mesmo com os novos repasses, a Santa Casa continua em crise:

  • Hospital está superlotado: hoje, terça-feira, 8 de abril de 2025, a ala verde tem capacidade para 7 pacientes, mas há 45 pessoas / ala vermelha tem capacidade para 6 pacientes, mas há 19 pessoas / existem 118 pacientes internados na ortopedia, sendo que 50 aguardam pela primeira cirurgia
  • Pagamentos de médicos PJ (pessoa jurídica) e de empresas fornecedoras de insumos estão atrasados. Vale ressaltar que o pagamento de CLT (Consolidação Leis do Trabalho), como enfermeiros, técnicos de enfermagem e limpeza estão em dia
  • Estão suspensos atendimentos ambulatoriais, cirurgias eletivas e transplantes renais das especialidades de ortopedia, cirurgia cardíaca e urologia. Os atendimentos de urgência e emergência funcionam normalmente
  • O hospital possui pacientes residentes, que são aqueles que ficam meses e meses internados, mais de 90 dias aguardando por procedimentos ou cirurgias que a instituição não pode arcar financeiramente. A média de pacientes residentes, em 2024, é de 4

Conforme noticiado pelo Correio do Estado, o déficit mensal da instituição era de R$ 13,2 milhões, em dados apresentados pela instituição ao Ministério Público Estadual.

Conforme balanço de 2024, a Santa Casa alega faturamento de R$ 383,5 milhões, mas teve custos que somaram R$ 542,4 milhões.

De acordo com a diretoria da instituição, as soluções para o problema financeiro do hospital seriam:

  • Receber mais repasses financeiros do poder público – Sistema Único de Saúde (SUS) é subfinanciado, ou seja, o sistema não cobre toda a despesa de procedimentos
  • Reajustar a tabela SUS de repasses – tabela não é reajustada desde 2007 e os valores se tornaram ultrapassados
  • Rota de saída para paciente internado há muitos meses – hospitais precisam realocar pacientes internados há muito tempo
  • Expandir a linha privada (planos de saúde) para auxiliar a fonte de receita da instituição, subsidiar a ala SUS e amenizar o impacto financeiro que o hospital vem passando

De acordo com o diretor técnico da Santa Casa, William Lemos e diretora-presidente, Alir Terra, para sair da crise, o hospital precisa de dinheiro, financiamento e rota de saída de pacientes.

Coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (8) no Armazém Santa Casa. Foto: Marcelo Victor

“É necessário que haja um equilíbrio em relação à questão dessa tabela. A tabela foi aprovada em 2007, ela foi publicada em 2008, e de lá para cá, ela não teve um reajuste. Com relação às tabelas que nós recebemos que hoje dá uma quantidade de 2,6 tabelas, nós precisaríamos ter uma contratualização que chegasse a 4 tabelas pelos nossos cálculos. Nós precisamos de mais recursos. Esses recursos, por nossa parte, eles estão sendo viabilizados por meio de outros braços de negócio, como escola de saúde, como plano de saúde, como atendimento no particular, os regulados, que são via Unimed, e os não regulados, que são via CASSEMS e todos os outros planos de saúde. Essa é uma forma que nós temos de ajudar mais que essa área SUS seja mais atendida, com mais qualidade”, alegou a diretora-presidente durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (8) no Armazém Santa Casa.

“Nós tivemos em 2024 uma média de 4 pacientes residentes (pacientes que ficam mais de 90 dias no hospital), esses 4 pacientes deram um montante de 400 mil reais gastos pela santa casa, eles poderiam ter sido destinados para outra instituição. Nós precisamos de uma retaguarda para que esses pacientes não precisem ficar com um senhor com tumor cerebral de mais de 150 dias no hospital para alta”, pontuou o diretor técnico.

HOSPITAL SANTA CASA

Hospital Santa Casa de Campo Grande é o maior, mais importante e principal hospital de Mato Grosso do Sul.

Está localizado no quadrilátero das ruas 13 de Maio, Mato Grosso, Rui Barbosa e Eduardo Santos Pereira.

Atende 90% Sistema Único de Saúde (SUS) e 10% privado (planos de saúde: Santas Casa Saúde, Caixa, Correios, lojas macônicas, Cassems, Unimed, entre outros planos privados).

A entrada é da ala privada é pela avenida 13 de Maio e da ala SUS pela avenida Eduardo Santos Pereira.

Dos pacientes atendidos, 69% são de Campo Grande, 30% do interior e 1% de outros estados/países.

A Santa Casa de Campo Grande foi fundada em 1917. A construção do hospital começou em 1924 e foi concluída em 1928.

Atualmente, conta com a estrutura de:

  • Pronto Atendimento Adulto, Pediátrico e Obstétrico (SUS e convênio/particular)
  • 3 salas de estabilização (adulto, pediátrico e obstétrico)
  • 704 leitos operacionais, sendo 615 destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e 86 destinados aos convênios e particulares
  • 14 leitos Hospital DIA
  • 80 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Tipo III Adulto (SUS e convênio/particular)
  • 14 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Tipo III Pediátrica (SUS e convênio/particular)
  • 18 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Tipo III Neonatal (SUS e convênio/particular)
  • 11 leitos Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Convencional (UCINCo) 
  • 04 leitos Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (UCINCa)

Doação de órgãos

Cirurgia de captação de órgãos em Dourados vai beneficiar três pessoas em MS e na região Sul

A última cirurgia nessa categoria realizada na hospital aconteceu em outubro de 2023

19/02/2026 17h00

Procedimento foi realizado no Hospital Universitário de Dourados no dia 4 de fevereiro

Procedimento foi realizado no Hospital Universitário de Dourados no dia 4 de fevereiro Divulgação/Governo Federal

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O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (UH-UFGD) realizou no início do mês de fevereiro uma cirurgia de captação de órgãos para transplante. A doadora, de 44 anos teve morte encefálica. A doação deve beneficiar três pacientes que irão receber o fígado e os rins doados. 

O procedimento foi realizado no dia 4 de fevereiro. 

A psicóloga hospitalar Larissa Beatriz Andreatta, que atua na Unidade de Terapia Intensiva do hospital explicou que a paciente estava internada na unidade de tratamento em estado grave desde o dia 27 de janeiro. Com a morte cerebral, a família foi acolhida e informada sobre a possibilidade da doação. 

Para a psicóloga, a Equipe Hospitalar de Doação de Transplante (e-DOT) acompanha todo o processo até a cirurgia, além de esclarecer dúvidas, capacitar profissionais do hospital e de outras instituições de saúde, além de promover ações de conscientização sobre o tema. 

“A Equipe é formada por profissionais que atuam no apoio para identificação e diagnóstico de potenciais doadores, notificação dos casos e acolhimento das famílias para a autorização”, explicou. 

Neste caso específico, a família aceitou a doação, pois a paciente já havia manifestado, em vida, o desejo de ser doadora. Mas, de acordo com a coordenadora da e-DOT no HU-UFGD/Ebserh, a enfermeira assistencial Ely Bueno da Silva Bispo, nem sempre é assim. 

“Ainda encontramos dificuldades, pois é um assunto pouco discutido em casa. Algumas famílias recusam a doação por desconhecer qual seria o desejo do paciente, por isso é fundamental avisar a família sobre o desejo de ser doador”, relatou.

Ely explicou que o processo tem a participação de vários profissionais, especialmente na captação dos órgãos. 

Tem a atuação Das equipes assistenciais das UTIs, das e-DOTs, do pessoal da Organização de Procura de Órgãos, que é um órgão executivo do Sistema Nacional de Transplantes, das equipes assistenciais que fazem a cirurgia de captação e muitos outros profissionais. Há uma logística muito grande para este trabalho”, resumiu.

Procedimento foi realizado no Hospital Universitário de Dourados no dia 4 de fevereiro

A cirurgia de captação durou cerca de três horas e foi feita por uma equipe de Campo Grande formada pelo médico-cirurgião Gustavo Rapassi, um instrumentador cirúrgico e um residente em Medicina, com o suporte dos profissionais e da estrutura hospitalar do HU-UFGD/Ebserh.

O fígado da paciente foi destinado a um paciente da Capital que já estava na espera a bastante tempo, e os rins foram disponibilizados pela Central Nacional para receptores no estado do Rio Grande do Sul. 

“Para qualquer modalidade de transplante, é fundamental que haja um doador e a gente tem tido muitas surpresas boas e novas aqui em Dourados, nesta área, graças a todo este trabalho em rede. Mesmo quando a gente não utiliza o órgão na região, disponibilizamos para que receptores de outras regiões do país se beneficiem”, explicou Rapassi. 

A última cirurgia de captação de órgãos feita no hospital universitário de Dourados aconteceu em outubro de 2023. Na ocasião, a família de um paciente de três anos, vítima de afogamento, autorizou a doação e os órgãos viáveis foram encaminhados para Minas Gerais, de acordo com a compatibilidade dos receptores. 

Lista de espera

Uma pesquisa referente ao primeiro semestre de 2025 feita pelo Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), o veículo oficial da associação brasileira de transplante de órgãos, mostrou que 654 pacientes estão na lista de espera para transplante de órgãos em Mato Grosso do Sul. Destes, 13 são crianças. 

O levantamento referente aos meses de janeiro a junho deste ano aponta que, neste período, 297 pessoas entraram para a lista de espera no Estado. Os números começaram a ser levantados em 2016 pelo RBT. 

Segundo o relatório, em todo o Estado nos seis primeiros meses de 2025, foram enviadas 138 notificações a potenciais doadores. Destes, 77 realizaram entrevista para a doação e 42 recusaram. 

O órgão com mais pacientes em espera é a córnea, com 382 adultos e 12 crianças na lista. Em seguida, vem a espera pelo rim, com 241 pacientes. Em seguida, 16 esperam por um fígado e 3 por coração. 

"Neste primeiro semestre, as taxas de doação e transplante cresceram menos do que o projetado para o período e nos distanciaram um pouco dos objetivos previstos para este ano. A taxa de efetivação da doação (27,3%) permanece estagnada nos últimos anos, estando 14,7% abaixo da meta prevista para 2025 (32%). Apenas SC apresentou taxa de efetivação superior a 40%. Os maiores obstáculos são a persistentemente elevada taxa de não autorização familiar (45%) e de contraindicação médica (18%)", escreve o documento. 

Transplante de fígado

Mesmo com a estagnação na taxa de doação no País, Mato Grosso do Sul se destacou no procedimento de transplante de fígado. Menos de um ano após o início dos transplantes de fígado na rede pública, o Estado já ocupa a 4ª posição na lista entre os estados por milhão de habitantes. 

O sistema estadual de saúde passou a realizar esse tipo de procedimento a partir de julho de 2024. Assim, a marca no ranking representa um grande avanço para a Saúde sul-mato-grossense. 

Desde o início das operações, foram realizadas 45 cirurgias no Hospital Adventista do Pênfigo, tendo como responsável o cirurgião Gustava Rapassi e sua equipe. 

"A implantação do transplante hepático é um marco para o Estado. Em pouco tempo, conseguimos estruturar um serviço eficiente, com equipe especializada e suporte hospitalar adequado, oferecendo o procedimento dentro do próprio território e garantindo mais segurança e conforto aos pacientes", afirmou a coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Claire Miozzo.

SEGURANÇA JURÍDICA

Câmara aprova mudança no Prodes e imóvel pode ser doado após 10 anos

Para o benefício da exclusão da cláusula de reversão do local acontecer, os empreendedores precisam cumprir integralmente os requisitos impostos pelo Município

19/02/2026 16h30

Votação aconteceu em discussão única, durante a 5ª sessão ordinária na Câmara Municipal

Votação aconteceu em discussão única, durante a 5ª sessão ordinária na Câmara Municipal Divulgação: Câmara Municipal de Campo Grande

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Na sessão ordinária desta quinta-feira (19), os vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande aprovaram, em única discussão, a atualização da Lei do Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Social (PRODES), com o objetivo de modernizar a legislação que visa fomentar a economia local por meio da doação de terrenos e da isenção de tributos como: IPTU, ITBI e, em alguns casos, ISSQN para empresas que gerem empregos e investimentos. O Projeto de Lei Complementar 1.019/26 é de autoria do Executivo.

A mudança busca dar mais "segurança jurídica" aos empreendedores, pois viabiliza a “possibilidade de exclusão da cláusula de reversão dos imóveis, onde os beneficiários cumpriram rigorosamente os compromissos assumidos junto à municipalidade”, criando regras claras para que as empresas possam apresentar essa solicitação.

Com isso, se for constatado que o empreendedor cumpriu integralmente com os compromissos assumidos, poderá ser realizada o cancelamento oficial das pendências para se manter o imóvel. A medida pode ocorrer após 10 anos da celebração da escrituração do local incentivado, se este for localizado nos polos empresariais, e após 20 anos, se estiver fora deles.

A mudança também reforça a previsibilidade e a racionalidade administrativa do instituto, o que contribui para o equilíbrio entre a proteção ao erário e o incentivo à atividade econômica.

A nova versão da lei reforça o objetivo de atrair novos investimentos e incentivar a expansão de empresas já instaladas, ampliando a geração de empregos e renda em Campo Grande. Além disso, o texto aprovado fortalece a desburocratização do programa, facilitando o acesso também para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, ampliando o alcance do benefício para além das médias e grandes empresas.

O debate sobre aperfeiçoamento na Lei do Prodes acontece há bastante tempo na Câmara Municipal, com a participação de entidades como Associação Comercial e Industrial de Campo Grande, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Fiems, Fecomércio, empresários e secretários municipais.

Durante a 5ª sessão ordinária, o presidente da Câmara Municipal, o vereador Epaminondas Neto, o Papy ressaltou a importância da votação, considerada histórica para a cidade e também destacou que a lei beneficia a Capital.

“Quando a cidade cria segurança jurídica e previsibilidade, o investimento vem, o emprego aparece e a renda gira. E quando a renda gira, o comércio do bairro vende, a indústria contrata, e a vida melhora lá na ponta”, ressaltou.

Ele enfatizou que se trata de uma lei estratégica para Campo Grande. Primeiro, por criar uma oportunidade extrafiscal para a cidade, que diante das dificuldades financeiras está impossibilitada de conceder novos incentivos para empresários que desejam investir na cidade. Desta forma, a doação de áreas, com as tarefas cumpridas conforme a lei, surge como uma oportunidade.

O segundo ponto salientando por Papy foi a necessidade de potencializar a industrialização de Campo Grande, que perdeu protagonismo e competitividade para os municípios do interior do Estado. 

“Campo Grande precisa urgentemente  ser uma Capital industrial. Precisamos de todas as forças para industrializar nossa cidade”. 

Para ele, essa medida é essencial para que a cidade aumente a sua participação no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), cujo repasse vem caindo nos últimos anos.

A infraestrutura dos polos industriais e a celeridade na análise das consultas individuais propostas por empresários, formalizando a concessão de uso, também foi enfatizada.

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