CGR Campo Grande usava veículos visualmente parecidos com táxi e estacionava automóveis em locais proibidos
Aena, concessionária que administra o Aeroporto Internacional de Campo Grande, encerrou definitivamente o contrato com a empresa de transporte personalizado CGR Campo Grande, que atuava no terminal de desembarque de passeiros.
A empresa copiava o serviço de táxi: veículos visualmente parecidos com táxi, automóveis estacionados em locais proibidos (vagas de táxi) e abordagem de passageiros que saíam do desembarque.
A situação provocava confusão e prejudicava o direito do usuário a informações claras e à livre escolha de transporte.
A concessionária formalizou o término do vínculo com a prestadora e comunicou oficialmente ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a extinção definitiva do contrato.
O MPMS foi até o local vistoriar se a empresa ainda estava em operação e comprovou que os veículos realmente deixaram de ocupar o espaço.
Com o fim do contrato, táxis voltaram a ocupar as vagas que lhe pertenciam.
Ezenilda Barbosa dos Santos é taxista há 14 anos no aeroporto e disse que a empresa atrapalhava suas corridas.
“Eles atrapalhavam a gente. Atrapalhava por isso que eles abordavam com enganação. Trabalhavam com o nosso nome para enganar os passageiros. Falavam que era táxi. Eu lembro os taxistas ficavam nervosos e nós não abordávamos o passageiro. Mas por causa deles, a gente tinha que estar junto com eles, porque eles enganavam o passageiro”, disse.
Ela também contou que o movimento melhorou após saída da empresa de transporte.
“O movimento melhorou, mas, ainda é altos e baixos. Época de feriado não presta. Dia de semana e dia de trabalho são bons. Eu trabalho das 8h às 19h. Aqui tem 14 voos por dia”, explicou.
A reportagem do Correio do Estado foi até o o estacionamento do aeroporto, na manhã desta quinta-feira (15), e verificou que as vagas existentes no local são destinadas a táxi, transporte por aplicativo (embarque e desembarque), transporte público e ônibus.
GUERRA NO AEROPORTO
Taxistas do aeroporto declararam “guerra” a empresa CGR Campo Grande no ano passado.
Em julho de 2025, quando a empresa começou a atuar no local, taxistas protestaram e chegaram a interromper o tráfego em frente ao terminal de embarque e desembarque.
Com isso, a Aena acionou autoridades públicas para desobstruir as vias de acesso. A partir de então, a empresa começou a operar normalmente no aeroporto.
CGR Campo Grande foi cadastrada na prefeitura como Operadora de Tecnologia de Transporte (OTT) e criada em dezembro de 2021. Sua sede, até julho de 2025, era na rua Tókio, número 750, vila Palmira.
Começou a operar em julho de 2025 e encerrou atividades em meados de julho de 2026 no aeroporto. Ao todo, atuou por cerca de um ano. A empresa tinha 27 motoristas cadastrados.
Conforme apurado pela reportagem, a empresa pagava um aluguel de R$ 28 mil a concessionária aeroportuária.