Cidades
PISTOLAGEM EM MS

Arsenal de grupo de extermínio é levado para a Polícia Federal

Armamento pode ter sido usado em três execuções

EDUARDO MIRANDA E LUANA RODRIGUES

10/06/2019 09:00

 

Força-tarefa da Polícia Civil que investiga crimes de pistolagem ocorridos desde o ano passado em Campo Grande conta com o apoio da Polícia Federal para avançar no trabalho de elucidação das execuções.

A PF, que fará os exames periciais no arsenal bélico apreendido em 19 de maio deste ano em uma casa no Bairro Monte Líbano, também faz a custódia dos fuzis e das pistolas e munições encontrados com o guarda municipal Marcelo Rios na ocasião. 

O Correio do Estado apurou que alguns dos exames poderiam ter sido feitos no Instituto de Criminalística estadual, mas o apoio dado pela PF dá mais segurança e respaldo aos policiais da força-tarefa da Polícia Civil. Alguns exames, de eficiência de armamentos como fuzis AK-47 de calibre 762 e dos fuzis 556, são mais complexos, daí o trabalho requisitado aos federais. 

Marcelo Rios foi o primeiro dos três guardas municipais investigados por integrar um suposto “grupo de extermínio” a ser denunciado criminalmente. Ele é acusado por quatro promotores do Grupo de Atuação Especial na Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de praticar os crimes de posse e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (e também de uso permitido), além de manter munições destas armas.

Ao todo, são 26 armas, sendo dois fuzis AK-47, quatro fuzis 556, 11 pistolas nove milímetros, 4 pistolas .40, uma pistola 380, uma pistola calibre 22, um revólver calibre 357, uma espingarda calibre 12 e outra calibre 22. Por ter sido denunciado em concurso material, ele poderá ser condenado a até seis anos de prisão para cada uma destas armas apreendidas: 156 anos em caso de aplicação de pena máxima. 

Os outros dois guardas investigados pela força-tarefa, Rafael Antunes Vieira e Robert Vitor Kopetski, chegaram a ser presos por obstrução à Justiça, mas conseguiram habeas corpus do Poder Judiciário e foram libertados. O mesmo ocorreu com o motorista Flávio Narciso Morais da Silva. 

APARATO

Mas não foi somente o armamento que chamou atenção dos policiais da força-tarefa, e sim alguns instrumentos encontrados com Marcelo Rios, como bonés com câmera oculta, bloqueadores de sinal e eletromagnético, silenciadores (inclusive dos fuzis) e até mesmo um arreador (aparelho elétrico utilizado para empurrar bovinos a caminho do abate, e que pode ser usado para torturar humanos). 

Para levar os promotores do Gaeco e os policiais da força-tarefa a provar a existência de um grupo de extermínio, foram encontrados dois carros Fiat Uno roubados (um deles de uma locadora), com placas adulteradas. Um desses automóveis estava coberto com uma lona preta. 

CASOS INVESTIGADOS

A força-tarefa criada pela Polícia Civil para apurar crimes de pistolagem tenta elucidar três assassinatos. O primeiro deles ocorreu há quase um ano, no dia 11 de junho de 2018, na Avenida Guaicurus, em Campo Grande. Na ocasião, o policial militar reformado Ilson Martins de Figueiredo, chefe de segurança da Assembleia Legislativa, foi executado com tiros de fuzil AK-47. 

O outro caso investigado é a execução de Orlando da Silva Fernandes, o “Bomba”. Ele foi executado no Jardim Autonomista, em Campo Grande, dentro de sua caminhonete, em 26 de outubro do ano passado. Ele foi morto com tiros de fuzil, calibre 762, o mesmo dos equipamentos AK-47. 

A execução mais recente, em 9 de abril deste ano, foi a do estudante de Direito Matheus Xavier, 20 anos. Ele também foi morto com tiros de fuzil calibre 762, quando manobrava a caminhonete do pai, em frente à sua casa, no Jardim Bela Vista, em Campo Grande. Os integrantes da força-tarefa não descartam que o alvo da execução possa ter sido o pai da vítima, o capitão reformado da PM Paulo Roberto Teixeira Xavier.