Os preparativos para a Copa de 2014 foram acompanhados de protestos contra o governo brasileiro e a Fifa. As críticas têm seu espaço, já que a Fifa possui um papel político e considerável influência que se expande para esferas públicas e privadas. Onde há falta de controle, certos atores, tanto no governo como numa organização como a Fifa, têm incentivos para atuar em seus próprios interesses, em detrimento de interesses públicos, para trabalhar com pouca transparência ou com informações incompletas. Isso pode ser grave quando se trata de assuntos públicos em que uma grande parte da população – os contribuintes – é afetada.
A principal questão é quanta explicação sobre suas próprias ações a Fifa deve para o público. Especialistas da área consideram a organização de futebol mais poderosa do mundo como uma organização de negócios privada e, ao mesmo tempo, uma organização pública, à medida que sua influência se expande para a esfera pública. A Fifa não possui oficialmente uma missão pública, mas, como nas Copas, por exemplo, a associação colabora com governos – nesses eventos, os governos locais investem dinheiro público, entre outras fontes –, há uma necessidade de transparência e controle em relação à instituição, considerando as acusações de corrupção da organização na escolha dos palcos das Copas do Mundo 2018 e 2022.
Em relação às acusações de corrupção, a Suíça possui um papel importante: a Fifa tem sede em Zurique, na Suíça, e, no registro comercial, é registrada como uma associação com trabalho político, religioso, científico ou outras tarefas sem fins lucrativos. Obviamente, há uma discrepância entre a forma jurídica como organização não governamental e sem fins lucrativos e o status econômico do qual a Fifa desfruta na prática. A Fifa necessita de normas do setor privado, como a diligência prévia para controlar as transações do dinheiro, mas também precisa de normas do setor público, como o sistema de equilíbrio e controle.
Tendo em vista o volume total de vendas de 3,3 bilhões de euros e um lucro de 1,6 bilhões de euros na Copa 2014 no Brasil (um recorde!), a prática dos alívios fiscais é questionável e deve ser repensada. O maior temor que a Fifa tem é em relação às discussões sobre as mudanças da lei de corrupção suíça. Hoje, o suborno privado só é punível quando há uma distorção da concorrência no mercado. Faltando uma situação clássica de concorrência, a corrupção não é punível. A Fifa, ocupando uma posição de monopólio de fato, tem, entretanto, pouco a recear. O parlamento suíço, com apoio da população, discute atualmente a forma da investigação da corrupção privada que acontece atualmente só ao pedido de um consternado.
A proposta discutida é que a corrupção privada deve ser investigada por dever do cargo ou por obrigação e regimento. Embora a Suíça faça parte dos países menos corruptos do mundo, nesse caso, a lei da corrupção carece de melhoria. O interesse público da investigação é dado pela possibilidade de que um suborno privado venha a afetar bens públicos legalmente protegidos, como a segurança, ou pelo fato de que os megaeventos internacionais esportivos e prestigiosos são também financiados por contribuições públicas.