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Thiago Cyles da Silva Oliveira: Religião?

Thiago Cyles da Silva Oliveira é professor de Língua Portuguesa e Literatura, mestrando em Historiografia Literária na UEMS

Redação

26/08/2014 - 00h00

No meio intelectual, a defesa de um estado laico e até mesmo um ateísmo são sempre bem-vindos. Embora toda descrença sempre cesse na primeira turbulência do avião. Fato é que quando se fala em religião, parecemos estar diante de pessoas totalmente alienadas, meramente espirituais, como se religião se restringisse apenas a falar com seres que são invisíveis aos olhos humanos.

No que tange especificamente aos evangélicos, durante muito tempo frequentaram os cultos quase como que subversivos quando decidem fazer um sequestro político. Os tempos mudaram e os evangélicos ganharam voz no rádio, na TV, nas ruas, na mídia e agora nas pejorativamente batizadas de “bancadas evangélicas”. Há quem torça o nariz quando sabe que tem um representante que aparentemente defende um só segmento da sociedade.

Ledo engano. Primeiro que o termo religião incomoda qualquer cristão de verdade. Quando se diz que “fulano é religioso”, a alcunha o traveste de um ser lunático e fanático, ou num termo mais chique e atual, fundamentalista.

Para o cristão de fato, o fanatismo, o fundamentalismo e a religiosidade se reduzem a um só nome: JESUS. Uma pena que para a sociedade atual, aparentemente esse nome parece não ser mais inspirativo para nada, como se estivesse ultrapassado e morto.

Ações evangélicas não são apenas leituras bíblicas, orações aos gritos, passeatas pelas ruas, música gospel em volume alto no vizinho, entregas indesejadas de panfleto no portão, inúmeras rádios e televisão com programação cristã e tantos outros comportamentos que irritam aqueles que ainda não compartilham do mesmo sentimento que os evangélicos. Tais atitudes podem parecer um tanto inconsequentes, talvez até as sejam e Deus é quem as vai julgar.

Fato é que tudo que os evangélicos fazem é pensando no bem comum e não no próprio umbigo como pode parecer. Converse com qualquer evangélico e ele vai te dizer o quanto a vida dele mudou depois que ele se converteu. Certamente ele vai te contar das inúmeras coisas que fazia e não faz mais. Muitos vão contar o quanto abandonaram o álcool, as drogas, o crime, a prostituição, casamentos são restaurados, crianças são salvas da pedofilia e toda sorte de vícios e violências, pessoas desenganadas pela medicina são milagrosamente curadas e uma infinidade de exemplos que não caberiam numa página de jornal como esta.  E pode ter certeza que esse mesmo evangélico não teve uma vida tão diferente da que você tem hoje em alguns ou vários aspectos. Por isso a angústia de todo evangélico fazer tudo o que faz. O que os motiva não é a ganância pelo poder, dinheiro e cargos públicos, e sim, a vontade infinita de querer que  todos tenham uma vida melhor e mais feliz do que já têm.

Por isso é tão irritante quando alguém fala em religião, como se as igrejas todas fossem apenas espirituais, quando na verdade estão chegando aonde o Estado deveria ter chegado. Ora essa, então não é mais do que justo que essas pessoas tenham representatividade nas cadeiras das secretarias, câmaras, assembleias e congresso?

Juliana Zorzo pode ser tachada de preconceituosa, intransigente, ilegal, imoral, o que for. De repente ela talvez até seja alguma coisa ou outra, Deus é quem vai julgar. Mas eu não tenho dúvida de que o que a moveu foi o Espírito Santo e a certeza de que todas as pessoas podem ter uma vida nova por meio de um show gospel e da palavra de Deus.

Mas e o espaço para outras religiões na Quinta Gospel? Já ficou claro que não se trata de religião, mas, se alguém tiver um deus que faz as mesmas coisas que o Deus cristão faz, creio que o espaço deva ser aberto, sim.

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