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OPINIÃO

Mateus Boldrine Abrita: "Taxa de desemprego e inflação"

Professor de Economia da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul)

Redação

02/09/2014 - 00h00

Em economia, existe um intenso debate a respeito do impacto da taxa de desemprego na inflação. É apontado que, quando a taxa de desemprego está muito baixa, ela pode resultar em pressões inflacionárias e, portanto, aumentar o nível de preços. Recentemente, alguns economistas defendem que a taxa de desemprego na economia brasileira está demasiada baixa, logo, está aumentando a inflação. Mas será que essa afirmação está correta? Segundo análises econométricas, não.

Esse conceito chamado trade-off (escolha), entre inflação e desemprego, nasceu de um trabalho empírico de Alban W. Phillips (1958). Nesse estudo, voltado para a economia dos EUA, o autor encontrou uma relação negativa (inversa) entre a inflação e o desemprego, ou seja, sempre que uma variável subia, a outra caía e vice e versa. Porém, tempos depois, inúmeros outros trabalhos questionaram essa relação e o debate se mantém até hoje; dependendo das metodologias e dos períodos de análises, essa relação é encontrada ou não.

Tratando da economia brasileira atual, uma parcela de economistas vem defendendo que a taxa de desemprego brasileira está muito baixa e explicaria esse aumento da inflação recente. Assim, defendem que, para controlar a inflação, o desemprego deve se elevar. Defender a elevação da taxa de desemprego já é uma questão complexa, pois uma sociedade minimamente equilibrada almeja que o desemprego diminua e não cresça, para que seus cidadãos possam ter dignidade humana e bem-estar material. Quando o desemprego se eleva, uma série de impactos negativos pode ocorrer, como a diminuição da renda das famílias.

Todavia, deixando de lado os efeitos perversos do aumento do desemprego e se atendo unicamente na relação entre taxa de desemprego e inflação, estimamos a chamada taxa de desemprego não aceleradora da inflação (NAIRU) para a economia brasileira no período de 2000 até 2013 (link do artigo científico abaixo). O resultado aponta uma relação não negativa, portanto, outros fatores, que não o baixo desemprego, estão influenciando a alta recente da inflação. Espero que o próximo presidente e a próxima equipe econômica não embarquem nessa falácia de elevar o desemprego para conter a inflação.

Leia mais: https://drive.google.com/folderview?id=0B4RxCaDzonzRN0xFd25KdDZWZDQ&usp=sharing&tid=0B4RxCaDzonzRWmp0ZHk1TFNJMmc

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