Pátria amada e idolatrada. Pátria sofrida e explorada. Pátria sonhada e esperada. Pátria maltratada e mal governada. Pátria que queremos e acreditamos. Pátria dos bons e dos maus. Pátria dos santos e dos pecadores. Pátria dos homens e Pátria de Deus.
Empolgante é ouvir o povo cantar: “Sou brasileiro com muito orgulho”! É um direito e também um dever aclamar a própria Pátria, enaltecer seus valores e zelar por suas riquezas, por sua cultura, por sua honra e por seu patrimônio.
A partir disso, o povo precisa ser orientado e ajudado a construir uma história que seja orgulho para os que vierem depois de nós. É dever de todos construir uma Pátria baseada nos valores éticos e nos princípios cristãos; uma Pátria solidária com todas as classes sociais formando uma família governada e conduzida pelos princípios evangélicos e humanos.
Talvez seja isso que esteja faltando aos governantes: inspirar o modo de governar nos mandamentos divinos. Há muita ganância pelo poder e pouca preocupação pelo ser. O poder provoca competição.
A competição provoca inimizades. E as inimizades criam distanciamentos. O distanciamento gera o caos.
Em lugar da ganância pelo poder, cultivar o ser: ser justo, ser honesto, ser atencioso, ser misericordioso, ser apaixonado pela verdade e pelo bem.
Pois esse é o querer de Deus. O seu querer está bem claro na pregação do Mestre dos mestres.
Ele ensina que o segredo de uma Pátria irmã se encontra no diálogo e no respeito pelas diferenças no modo de pensar e de agir. Onde houver esforço de aproximação haverá fraternidade. E onde houver perdão haverá convivência harmoniosa.
Jesus Cristo foi muito claro e muito sábio ao mostrar o perdão como caminho de uma pátria feliz, como forma de construir fraternidade, como meio de viver em paz entre irmãos na mesma esperança e no mesmo amor.
Seu ensinamento é claro ao dizer: “Se seu irmão errar, vá e mostre o erro a ele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvidos, você terá ganho seu irmão. Se ele não lhe der ouvidos, tome com você mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. Caso ele não dê ouvidos, comunique à Igreja” (Mt.18,15-17).
A última instância está na autoridade da comunidade. Antes disso é preciso agir com prudência e respeito. Usar todas as formas possíveis e disponíveis para convencer e reconquistar. Não será a repressão que resolverá os problemas sociais. Não será a prisão que irá melhorar a vida do transgressor. Não será a pena de morte que irá garantir a paz.
É preciso outra forma, outra maneira e outra estratégia. E a Bíblia sagrada mostra que é preciso ter amor com os que erram, oferecendo-lhes os recursos possíveis para a reintegração na comunidade.
A questão estará em como conseguir isso. Só se conseguirá assumindo a mesma dinâmica do Mestre Jesus usando de misericórdia até as últimas consequências.