Minha filha Camilla, advogada, 26 anos, trabalha em Curitiba e está realizando um estágio na cidade de Nova Iorque. Tem postado fotografias no Facebook como fazem quase todos os jovens, sendo que uma delas retrata o memorial sobre o 11 de setembro. Logo me veio à mente a triste lembrança dos trágicos atentados ocorridos nos Estados Unidos, em 2001. Recordo que meus filhos eram bem jovens e Maria, a caçula, não tinha ainda nascido. Como não poderia deixar de ter sido, manifestei minha solidariedade ao povo norte-americano e teria agido da mesma forma se a cidade Bagdá, por exemplo, tivesse sofrido atentados inomináveis da parte de terroristas ocidentais. Existe uma visão equivocada que está na moda e tende a prevalecer de que a única maneira de lidar com os árabes é por meio da violência. Trata-se de um equívoco porque a maioria do povo árabe é pacífica, assim como é o povo judeu.
Em 2001 torci para que as autoridades norte-americanas revogassem a Lei de Talião e buscassem uma alternativa pacificadora para o conflito que parece interminável. Não foi o que aconteceu. Eles ultrapassaram em matéria de violência todos os atos que estavam condenando e lançaram uma bomba incendiária no Oriente Médio, que está destruindo tudo o que encontra pela frente.
O terrorismo não vai acabar dessa forma, a historiografia da antiguidade mostra-nos que as retaliações do Império Romano contra uma pequena seita surgida na Galileia transformou o sangue dos mártires em sementes de novos cristãos. Curiosamente, logo que os americanos invadiram o Iraque destruíram, prioritariamente, as instituições culturais de Bagdá. O vandalismo foi tão assustador e teve tanta repercussão nos Estados Unidos que alguns dos saqueadores devolveram os objetos roubados do Museu Nacional do Iraque, “como se reagissem à necessidade de curar uma ferida que eles próprios se infligiram”, para onde estamos caminhando?
O grande historiador americano Robert Darnton, diretor da biblioteca da Universidade de Harvard, lembrou, na ocasião, que “poucas pessoas se dão conta da fragilidade das civilizações e do caráter fragmentário dos conhecimentos que temos a seu respeito”. A fogueira acesa poderá destruir não apenas vastas populações, compostas da maioria de inocentes no Oriente Médio, e atingir também aqueles que riscaram o fósforo por último.