Artigos e Opinião

Opinião

Altemir Luiz Dalpiaz escreve sobre: Os mortos que governam

Altemir Luiz Dalpiaz é Professor e Mestre em Educação

Redação

16/09/2014 - 00h01

O Brasil não mata seus presidentes. O Brasil mata seus candidatos. Eduardo Campos despencou como uma semente em direção ao chão. Desse chão brotou Marina presidenta. Marina já existia, porém era “apenas” vice, tal qual fora Sarney de Tancredo, que começara a morrer ainda candidato.

Kubitschek  teve seu Opala batido por um caminhão, quando ensaiava sua volta à presidência da República. João Goulart, presidente deposto pelo Regime Militar, morreu no Uruguai. Fora ele envenenado? Um pouco antes, Getulio Vargas rasgava o peito com um tiro mortal detonado dentro de seu quarto. Getúlio era presidente, mas, como no Brasil presidentes não morrem, ele suicidou-se. 

Prestem atenção: não sou portador de nenhuma teoria conspiratória. Se fosse, não seria o único.

Quando digo que o Brasil mata seus presidentes, falo de um País que mistura em sua história  tragédias pessoais com o seu destino político. Quero, com isso, expressar a capacidade do Brasil em “matar” homens e mulheres com ideias contrárias. As partes do corpo de Tiradentes expostas pelas cidades de Minas mandavam o mesmo recado transmitido pela  cabeça de Lampião exibida como um troféu. Os meios encarnados em suas lutas eram diferentes, porém os objetivos se assemelhavam no que tange à luta contra uma resistência.  

Eduardo Campos seria eleito presidente? Provavelmente não. Ocorre que a morte santifica os homens. A mídia dedicou de forma ininterrupta bem mais tempo que a sua entrevista ao Jornal Nacional, horas antes de sua morte. De repente começaram a surgir comentários vindos de um povo cansado e enjoado de nossa classe política: “Como ele era bom!”. Inteligente, renovador, portador de boas ideias. Essas foram as qualidades que nasceram juntas com sua morte. Pensei: tínhamos um homem perfeito e não sabíamos. Então, como compensação, toda a comoção gerada buscou um alento. A esperança, a resignação e a piedade encontraram em Marina, mulher de aparência frágil, gestos comedidos e feição de gente honesta (é, honestidade tem cara) o nome perfeito para substituir o homem amado pelo povo de Pernambuco, o neto de Miguel Arraes. Marina personifica também a mulher nortista, pobre, do interior do interior do Brasil, ecologista, formada em História, que aprendeu a ler aos 16 anos de idade, intransigente em defesa de suas ideias, que não aceita negociações obscuras.

Como toda ameaça à situação predominante, inicia-se um apedrejamento ao seu nome, às suas (in)decisões, ao seu passado recente com o PT e à sua religiosidade. As ditas esquerda e direita (se é que existem) se unem após enxergarem nela o alvo a ser atingido, o voto a ser derrubado. Enquanto isso, números das pesquisas vão transformando a corrida presidencial. Ela aparece na frente, às vezes um pouco atrás, às vezes um “empate técnico”. No segundo turno, também.

Outra vez, o Brasil está diante de mais um candidato, nesse caso, a candidata, com forte apelo popular. Nossa inconsciente fascinação pelo mais fraco torce novamente pelo Davi, contra o Golias.

Todavia, há outro sentimento que também aciona o dedo na hora de votar na urna eletrônica: o medo do desconhecido e consequentemente o medo de perder  conquistas, por menores que sejam e que talvez nem sejam conquistas. Nosso instinto de sobrevivência, “evoluído” para o que às vezes chamamos de egoísmo, pode nos fazer decidir o destino de todos. Foi assim com os descamisados, os injustiçados e excluídos.

O que poderá ocorrer até as eleições? Lula seria o “novo” candidato que retomaria os votos que “viajaram” para Marina? Ele teria coragem, o partido deixaria, e enfim, seria uma troca que atingiria os objetivos de tal manobra? Acredito que não. Existem momentos na vida, os quais a história nos mostra, que é melhor não ser, do que querer ser. Quatro ou oito anos, se tratando de política, não são nada, perto da imortalidade. 

Em outubro será dado o último passo. O mar político revolto em águas turvas precisará de um bom tempo para se limpar. A vida política de uma nação se faz em ondas de altos e baixos. Politiqueiros se fazem na direção do poder. Ética e justiça,  nesse caso, ficam à deriva de interesses pessoais. Torcemos pelo Brasil.

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).