Mesmo que em política tudo seja possível, é muito provável que Dilma Rousseff e Marina Silva disputem o segundo turno das eleições presidenciais do Brasil, cujo primeiro turno acontece em 5 de outubro próximo. É quase impossível pensar em reação de Aécio Neves nesta altura do campeonato eleitoral. Assim sendo – e talvez em fato inédito na história política brasileira –, os eleitores terão diante de si um dilema aparentemente menos complicado para resolver: em qual das duas figuras maternais irão votar e qual dos dois projetos políticos, que poderiam ser definidos como de centro-esquerda, será o escolhido para os próximos quatro anos no Brasil.
De um lado, os eleitores de Dilma afirmam que há necessidade de sua reeleição, a fim de consolidar o projeto original do Partido dos Trabalhadores (PT), em pauta desde a eleição de Lula para presidente, no agora longínquo ano de 2002. Dizem os defensores dessa posição que é preciso consolidar alguns projetos sociais, como, por exemplo, o “Bolsa-Família”, o “Minha Casa, Minha Vida” e a “Reforma Agrária”, além de implantar novos programas, especialmente nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento tecnológico. De certa forma, porém, há uma sensação geral de que é preciso mudar os rumos do País e que o projeto do PT dá claros sinais de cansaço, a exemplo do que ocorre com outros governos municipais e estaduais no Brasil, independentemente do partido de plantão nos dias atuais.
De outro lado, há um projeto de renovação encabeçado por Marina Silva, ambientalista e ex-seringalista de Xapuri, no Acre, ex-deputada estadual por aquele Estado, ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, ex-candidata a presidente pelo Partido Verde, quase fundadora do Partido da Sustentabilidade e, hoje, filiada ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) – partido que iria dar sustentação à candidatura de Eduardo Campos, morto em trágico acidente aéreo, às vésperas das atuais eleições presidenciais.
Embora alguns setores conservadores da sociedade brasileira tentem apontar Marina como “fundamentalista, messiânica, mistura de propostas ambientalistas e esquerdistas”, e outros a vejam como “alguém de esquerda, mas que atualmente tem fortes vínculos com o Capital Internacional (nesse sentido, o banco Itaú é citado com frequência pelo apoio que lhe dá)”, dificilmente é de se esperar que Marina deixe de rezar pela cartilha que prega há muitos anos: a defesa intransigente do meio ambiente, o desenvolvimento solidário dos povos da Amazônia e o seu compromisso com os extratos mais carentes da sociedade brasileira, especialmente no Norte e Nordeste do País.
Assim, é de se esperar disputa renhida entre as duas candidaturas atualmente à frente na corrida eleitoral – Dilma Rousseff e Marina Silva, quando do primeiro turno das eleições presidenciais. No segundo turno (26 de outubro de 2014), porém, levando-se em consideração o caráter conservador da candidatura de Aécio Neves – e naturalmente do eleitorado que o apoia –, é bem provável que a maior parte dele migre para a candidatura de Marina, por absoluta falta de opção. Mas, como se sabe, segundo turno é sempre segundo turno e, provavelmente, “muita água ainda vai rolar debaixo da ponte”. Enfim, nunca se sabe o que vai de fato acontecer até lá, né?