Artigos e Opinião

Artigo

Luiz Fernando Mirault Pinto: "Minha Classe Média"

Luiz Fernando Mirault Pinto: "Minha Classe Média"

Redação

28/09/2014 - 00h00

Confesso minha preocupação ao saber que o multimilionário Eike declarou que “voltar à classe média é um baque gigantesco” (Folha SP- 19/9/2014), justificando-se especificamente sobre a capacidade que as pessoas dessa faixa econômica têm de se adaptar a situações adversas (se virar) e não aos rendimentos que a caracteriza explicando a sua origem, e a crise financeira que fez com que seu patrimônio fosse reduzido de 1 milhão após a Justiça bloquear R$ 117,3 milhões de suas contas. 

Por isso “eu não quero ele na minha classe social” principalmente depois que fez uma manobra fraudulenta, uma “dica privilegiada”, chamada de PUT (sim, é PUT mesmo), simulando o aporte de 1bilhão para sua empresa, e da  doação de imóveis (que está na moda) no valor módico de 25 milhões aos seus, para fugir ao arresto.

Ninguém da classe A ou B quer descer, exceção feita quando lembrados pela justiça. A minha classe C, que me orgulho, está agora ameaçada pela D e a E. Tudo por conta de benesses institucionais: “minha casa, meus problemas”, “acesso às universidades”, bolsas, cotas, e cursinhos. Essa “nova” classe social, também chamada de “C”, é voltada para os bens de consumo e caracterizada pela racionalidade, o consumismo, e o culto a personalidade. . 

A minha, a antiga e genuína classe C se caracteriza diferentemente desta, pelo estudo e as profissões, as virtudes, a justiça, a ética, o caráter e a honestidade, e é consciente dos princípios fundamentais da convivência social, e por isso mesmo, a única capaz de mudar toda a sociedade.
Esse meu grupo social encontra-se revoltado desde a globalização, esta que foi responsável por igualar o mundo ao levar milhões de pobres nesses últimos 25 anos a melhorarem suas situações econômicas, embora aumentando a desigualdade nos países mais ricos ao comprimir a renda da população, em especial dessa classe do meio.

Alguns inocentes ainda acham o desmanche da classe média é um fenômeno brasileiro assim como bolsa família, como uma exclusividade nossa. Ledo engano, tudo isso é resultado dos estímulos governamentais internacionais, dos programas de bem estar e seguro desemprego, da busca dos ativos financeiros para a melhoria econômica do Sistema Capitalista Mundial. Os bancos oficiais de vários países disponibilizaram muito dinheiro nas economias ocidentais, levando ao aumento da riqueza dos já-ricos com a disparada dos mercados de capitais, onde só o dinheiro trabalha e somente eles têm acesso.

No Brasil, 56% da população se encontra inserida nessa classe devido ao avanço econômico e ao desenvolvimento social (IBGE), e isso é um problema político grave – o achatamento da classe média -, pois ela é o fiel da balança, isto é o equilíbrio social. Foi responsável pelas revoluções mundiais e já se rebela contra a dita globalização exigindo uma nova ordem mundial (desenvolvimento viável e sustentável) se contrapondo a atual, onde a maioria de peso, responsável por uma vida de trabalho duro e mal remunerada, tende a desaparecer.
Enquanto os D e E ficam menos pobres, e os A e B mais ricos, a classe C de “comprimida”, que não ascendeu socialmente, piorou de vida cada dia mais cara, trocou as escolas particulares pelas públicas, suprimiu a colaboradora na faxina (emprego de luxo nos países desenvolvidos), transformou suas garagens “muquifo” num ateliê de moda ou “sacolão”, que substituiu o jardineiro pela “fitness gardening”, fica se remexendo sem futuro.

Mesmo assim ela ainda é referência, e quem quiser ascender de classe social, que mude e vá morar em Miami, mas, por favor, não afirmem como o milionário, que seus valores são os da minha classe C, pois em algum momento eles foram desvirtuados, passando a definir os valores do seu passaporte de entrada para outra.

 

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).