Em economia, o termo “bolha econômica” remonta à crise acontecida no mercado de tulipas na Holanda, ainda no século XVII. No seu auge, um bulbo de tulipa chegou a valer o equivalente a vinte e quatro toneladas de trigo. Esse exemplo mostra a intensidade do perigo das bolhas para o bom funcionamento do sistema econômico. Atualmente, o sistema financeiro mundial evoluiu de tal forma que, do modo como está inserido na economia globalizada e interdependente, expõe o sistema capitalista a crises sistemáticas (oriundas de bolhas especulativas), e as políticas adotadas para conter uma crise acabam por gerar a próxima, criando um círculo perverso e perigoso para o bem-estar material de toda a humanidade.
A partir da intensificação das medidas liberalizantes implementadas em diversas partes do mundo, as quais pregam a flexibilização generalizada e quase ausência total de controle ou regulamentação sobre o sistema financeiro, as crises financeiras se intensificaram. Para citar dois exemplos característicos, tivemos a crise das empresas tecnológicas da Nasdaq (bolha da internet) e a crise do subprime iniciada com a bolha imobiliária dos EUA, que culminou numa das maiores crises financeiras da história, no ano de 2008.
O principal problema é que justamente as medidas tomadas para resolução de uma crise acabam por formar o cenário proliferador do próximo crash. Por exemplo, no caso da bolha da internet, as ações das empresas listadas na bolsa eletrônica Nasdaq, nos EUA, começaram a sofrer uma elevação estrondosa, fruto da euforia com as novas empresas de tecnologia da informação e comunicação baseadas na internet. Em resposta a essa crise, o Federal Reserve (BC dos EUA) desabou as taxas de juros básicos da economia norte-americana, com o propósito de estimular a economia e mitigar os efeitos do problema. Entretanto, nascia ali o embrião da próxima crise (imobiliária de 2008), como essas taxas estavam demasiada baixas, somadas a criatividade e desregulamentação do mercado financeiro, muitas instituições começaram a criar os mecanismos que culminaram na crise de 2008, como os veículos de investimento estruturado (SIVs), o processo de securitização e as hipotecas de alto risco. Como resultado, tivemos desemprego em várias regiões do globo, baixo dinamismo econômico e queda de alguns indicadores sociais.
O ponto nefrálgico desta discussão está relacionado ao período atual. Muitos defendem que a crise ficou para trás e que a economia mundial começa a se reerguer novamente, e que essa crise foi um mero “acidente de percurso” e tudo deve voltar ao normal do pré-crise. O problema é que as bases fundamentais que culminaram na crise não foram solucionadas, o sistema financeiro mundial continua sem regulamentações adequadas, a alavancagem exagerada é uma prática comum e está em patamares elevados e o Federal Reserve, como na crise da internet, reduziu as taxas de juros a zero e injetou centenas de bilhões de dólares na economia, elevando a liquidez global.
As intervenções são necessárias para que uma situação crítica não se agrave ainda mais, porém além dessas intervenções de cunho monetário, medidas para resolver as causas do problema deveriam ser tomadas de modo mais enérgico e não tímidas como foram executadas recentemente.
Portanto, um cenário turbulento se forma no horizonte da economia mundial, no sentido que vários economistas e alguns estudos sérios já apontam para uma nova crise econômica mundial, e dessa vez a bolha estaria no mercado acionário dos EUA e que quando o Federal Reserve começar a elevar as taxas de juros básicas o “estouro” de mais uma crise poderá acon