A publicação ou reedição de fontes manuscritas ou impressas sobre o processo de modernização urbana das cidades muito pode contribuir para o conhecimento histórico dos estados brasileiros depois de 1930. Tal preocupação já tinha sido manifestada pelo notável urbanista Dr. Ítalo Joffily Pereira da Costa, que fez questão de registrar parte de suas memórias quando trabalhou em João Pessoa. O seu neto, Ítalo Joffily Pereira da Costa Neto, é hoje presidente da Companhia de Águas e Esgotos de Mato Grosso.
As principais iniciativas do seu avô na DVOP (Diretoria de Viação e Obras Públicas) foram respaldadas pelos governantes da época, notadamente, Antenor Navarro, Gratuliano Brito, Ernesto Geisel e Argemiro de Figueiredo. Tratava-se de um momento de confiança na tumultuada história republicana deste País. Daí o valor de tais documentos para a historiografia sobre as cidades brasileiras. Que artista fizera os vitrais do Instituto de Educação? Lembro que, na infância, gostava de observá-los. Eram obras-primas. Teria sobrado algum? Não sei responder, mas expressavam grande originalidade e chamavam a atenção das crianças mais curiosas, quando subiam a escadaria interna do edifício principal. Devo dizer que o plano ideal do Instituto de Educação fora minuciosamente previsto pelo Dr. Ítalo Joffily. Assim, a renovação da arquitetura estava de acordo com o novo tempo em que o Brasil vivia.
Mas quem foi afinal o Dr. Ítalo Joffily Pereira da Costa? Que importância tem para a história republicana?
Sabemos que nasceu na cidade do Recife, em 1904. Parece que o seu pai, Francisco Augusto Pereira da Costa Filho, foi um advogado que não teve êxito na vida profissional. O menino Ítalo foi, assim, educado pelo avô Francisco Augusto Pereira da Costa, autor do clássico “Anais Pernambucanos” e deputado estadual em várias legislaturas na República Velha. Não me lembro do Dr. Ítalo ter me falado de ter visto o famoso cronista trabalhando no seu gabinete, majestoso casarão localizado na Rua da Aurora, esquina com a Rua do Lima, com vista soberba sobre o Rio Capiberibe, parte antiga da cidade do Recife. Mas tal informação não é imprescindível.
O que sabemos é que existe um cartão-postal manuscrito pelo velho deputado, de passagem pela capital federal, endereçado ao menino, prometendo-lhe presentes. Tenho a impressão de que o valoroso deputado pernambucano fizera da educação do neto mais novo o objetivo principal do final de sua vida. E valeu o esforço e a paciência. O menino correspondeu e se tornou um servidor público exemplar, além de notável urbanista, que está merecendo a atenção de um dos professores mais ilustres da Universidade de São Paulo, Dr. Francisco Sales Trajano Filho, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo do campus da cidade universitária de São Carlos. Educação é tudo.