Passada a eleição presidencial que dividiu o Brasil, o País se depara com uma realidade econômica complicadíssima e as perspectivas são ainda piores, apesar da maquiagem da contabilidade criativa, a deterioração das contas públicas e das transações correntes são o reflexo elucidativo dessa situação crítica.
Infelizmente, não caberiam nesta coluna todos os problemas de ordem econômica que atravessa o Brasil hoje, escândalos de corrupção, baixo crescimento, baixa credibilidade das autoridades econômicas, carga tributária complexa e regressiva, infraestrutura precária, ineficiência no andamento de obras, intervencionismos desnecessários e atrapalhados... Alguns desses problemas vêm de longa data, mas muitos são resultantes da adoção de políticas equivocadas no período recente. Todavia, gostaria de destacar neste texto dois problemas graves: as contas públicas e as transações correntes.
O setor público brasileiro registrou no mês de setembro um deficit primário (não inclui pagamento de juros) em torno de R$ 25, 491 bilhões. Já o deficit nominal (receitas menos despesas, incluso pagamento de juros) ficou em R$ 69, 376 bilhões no mês de agosto deste ano. Isso quer dizer que o governo brasileiro está gastando mais do que arrecada, em momentos de crise este movimento é justificável, desde que estejam sendo adotadas medidas efetivas de contorno da crise econômica. A realidade mostra que este não é o caso do Brasil, o qual patina com baixo crescimento econômico há alguns anos.
Outro grave problema diz respeito às transações correntes (formadas pelo saldo da balança comercial, de serviços e transferências unilaterais) que, segundo dados do BC, registraram deficit de US$ 7,9 bilhões em setembro e acumulou no ano um saldo negativo de US$ 62,7 bilhões.
Esses números revelam a ineficiência das políticas econômicas adotadas no período recente. Genericamente, isto quer dizer que o governo brasileiro está gastando mais do que arrecada e enviando ao exterior mais renda do que recebendo. O único país do mundo que consegue se manter relativamente estável com esse chamado “deficits gêmeos” são os EUA (principalmente por deter a moeda de troca internacional). Os demais países que se mantêm nessa situação por mais tempo apresentam sérios problemas.
Como geralmente ocorre, a parcela da sociedade brasileira mais pobre será a mais vulnerável, seja pela corrosão do poder de compra do trabalhador (por conta da inflação e da elevação de preços públicos como energia, combustíveis e transportes), pelo encarecimento do crédito ou demais externalidades negativas. Resta saber se as medidas necessárias serão tomadas para que revertamos esta situação.