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ARTIGO

Cilene Queiroz: "Amadeus era seu nome"

Escritora, bióloga, MSc em Sistemas de Produção em Agronomia

Redação

13/11/2014 - 00h00

Seu filho mais velho, Amadeus, já não morava mais em casa. Tinha apenas 18 anos, um menino ainda. Mas, desde muito cedo começou a mexer com drogas. Começou consumindo. Depois, começou a traficar. Em seguida, não quis traficar somente em escolas, mas foi vender nos bares, nas casas, nos shoppings, e por aí afora. Se não bastasse, ele montou uma casa, um ponto de vendas. Uma residência arquitetada com câmeras de segurança e toda estrutura proveniente do banditismo.

Sorriu por um instante, ao se lembrar do nome de seu filho — Amadeus. Ele tinha um verdadeiro horror ao seu nome. Tanto que tinha um apelido: Daimon. Sua mãe, que era uma pessoa extremamente religiosa, ficou muito chateada com a atitude do filho. Nunca disse à minha esposa, a tradução do nome do seu filho: Daimon. Ficou a pensar na maneira de como educaram seu filho.

Fizeram o possível e o impossível para dar tudo ao rapaz. Hoje, agiria de forma bem diferente. Para começar, a prevenção se iniciaria desde o nascimento ensinando o que é certo e o que é errado. As informações sobre as drogas, sexualidade, prostituição, faria com que a autoestima fosse parte da sua personalidade. Pensou em como tudo poderia ser diferente. 

No mundo atual, experimentar drogas faz parte da realidade dos jovens das grandes metrópoles e, atualmente, das pequenas cidades do interior. As redes de distribuição se profissionalizaram, os pequenos comerciantes de drogas se multiplicam graças à entrada dos usuários no tráfico. Quem não tem dinheiro para comprá-las, une-se ao tráfico e, assim, consegue o produto para satisfazer suas necessidades. Os governos tentam combater a produção de drogas nos países produtores, mas não conseguem ir muito longe. 

Diante do exposto, as perguntas são: como a sociedade deve cuidar daqueles que estão usando drogas; como cuidar das famílias que possuem algum de seus membros ameaçados de caírem na correnteza do mal? 

O Brasil precisa investir urgentemente em prevenção sob pena de perdermos nossos jovens para as drogas. Não vamos nos reportar somente ao Brasil, o mundo todo precisa fixar mais a sua atenção nos jovens que consomem drogas. A política brasileira de prevenção deve ser iniciada na infância, para que o Brasil atinja, no futuro, a posição de país de primeiro mundo na luta contra as drogas.

Não é uma pretensão, mas um desejo muito grande de ver o nosso país livre das drogas. Dados da ONU indicam que o Brasil é o primeiro país consumidor de crack no mundo e o segundo maior consumidor de cocaína. Diante do crescimento do consumo e dos problemas sociais que surgiram, mais do que nunca a prevenção é uma solução palpável. 

Mato Grosso do Sul é um estado que fica na rota do tráfico, trazendo a mercadoria da Bolívia, do Paraguai e Colômbia. Mercadoria que se intitula maconha, cocaína e crack. Justamente, por esta facilidade em comprar a droga, o brasileiro cada vez mais consome e vende a droga. O que fazer?

Deixar simplesmente, que a droga tome conta de nossas vidas? Não, o caminho é outro. Longo, difícil de ser percorrido, porque temos que fazê-lo descalço, sem sapatos. Fazemos com os pés doendo, mas fazemos. Tanto os países vizinhos, quanto o nosso, precisam de uma política de prevenção. Ostensiva. Não basta só o Brasil fazer, é necessário que os países da América do Sul o façam. Sem ser utópica, por que não os países da America Latina? As crianças e os jovens devem receber, em casa e na escola, a prevenção necessária. Com certeza, o aprendizado se fará presente na sua vida.

Amadeus era seu nome, mas lhe chamavam de Daimon. Tudo poderia ser diferente, se a prevenção contra as drogas tivesse feito parte de sua vida e esse conhecimento vai mantê-los em casa, longe das drogas.

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